sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Prestação de Contas - Outubro / 2011

Abaixo os comprovantes de pagamento e doações feitas para o projeto em 10/2011 :)

comprovante de pagamento da #5
comprovante de pagamento da #6
comprovante de pagamento da #7
comprovante de pagamento da #8
comprovante de pagamento da #9
comprovante de pagamento da #10
comprovante de pagamento da #11
comprovante de pagamento da #12
doações recebidas em outubro até o dia 28/10/2011

#5 foi custeada através de uma doação de R$50 e o restante por mim

#6 foi feita por doação na conta do Banco do Brasil

#7 foi realizada através de doação entregue em mãos

#8  foi custeada integralmente por mim 

#9 foi paga com R$40 de doação e R$60 custeados por mim 

#10 foi feita com doação na conta do BB e o restante foi custeada por uma 

doação entregue em mãos 

#11  utilizei R$100 de uma doação no BB e custeei os outros R$100 

#12 foi doado R$100 e custeei os R$50 restantes 
 
Estamos finalizando o mês com saldo positivo! 

Muito obrigada a todos que acreditaram e contribuiram ao projeto, graças a vocês o Felinos Urbanos foi capaz de salvar centenas de filhotes do abandono e aumentamos a qualidade de vida desses gatinhos ajudados!


Contamos com a colaboração de todos novamente em novembro, qualquer quantia doada será muito bem-vinda! :)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Gatinha #12

As melhores pessoas que conheci ultimamente foram por causa dos gatos. 

Pessoas, como eu, dignas com seus animais, que seguem a Guarda Responsável, com bichinhos bem cuidados, castrados, seguros dentro de casa e felizes.

Em uma cidade como São Luís, onde a maioria não trata os seus como deveria, onde negligencia, descaso e abandonos são diariamente testemunhados, ter encontrado esses seres realmente humanos me dá esperança de dias melhores.

A #12 é um exemplo claro da compaixão e respeito a um animal. 

Ela é uma gatinha semi-domiciliada, de aproximadamente 2 anos de idade, que toda vez que emprenhava, matava seus filhotes. E logo estava prenhe novamente, repetindo o ato. Femeas apenas agem assim quando os filhotes tem algum problema genetico que somente elas conhecem. Como não terão chance de se manterem, as mães tiram sua vida, apostando que a proxima cria poderá ser forte o bastante para repassar seus genes. Não é maldade ou crueldade, mas puro instinto.

Uma pessoa de grande coração me procurou, interessada em colocar um fim nos desgates da #12, sem poder custear toda a cirurgia, mas ajudando com um bom valor. Já deixei claro o quanto o projeto está de à disposição para aqueles que, ao invés de simplesmente procura outros para repassar responsabilidade, também queira arregaçar as mangas e ajudar, então obviamente a #12 se tornou mais uma dos Felinos Urbanos :)

coisa mais linda e carinhosa a #12 :)
E quem diria que esse ato de bondade iria, literalmente, salvar a vida dessa gatinha :)

sendo preparada para o procedimento
meninas chiques que tomam epidural :D
verruginha encontrada na inspeção veterinária


Durante a cirurgia, foi constatado que a #12 estava com inicio de piometra. 

A piometra é uma infecção uterina grave causada por bacterias, muitas vezes fatal, podendo levar as femeas a obito em poucas horas. 
Por causa de sucessivos cios ou gravidez, o orgão recebe uma grande descarga hormonal, que acaba criando tumores de utero, mamas ou a piometra. No quadro de piometra, o utero se enche de pus e vai aumentando de tamanho, até que comece a vazar dentro do animal, matando-o de infecção generalizada.

Esse é um dos motivos que a castração é necessária e importante, não somente para o controle populacional, mas para evitar esses problemas de saúde desnecessários e tão perigosos.

Uma cirurgia de emergencia para o trato de uma piometra pode sair até 10 vezes mais caro do que uma simples castração. Isso se sua gata ou cadela não falecer durante o processo.

utero da #12, 5x o tamanho do utero de gata saúdavel

Se emprenhasse novamente, provavelmente ela morreria, pois além da infecção haveria um fluxo ainda maior de sangue pelas veias, aumentando a pressão no utero.

Ainda bem que ela encontrou em seu caminho um anjo-da-guarda e foi salva a tempo :)

cirurgia finalizada  :)
por causa da piometra a incisão foi um pouco maior que o usual
verruguinha lancetada :)
marcação na orelha

A forma mais eficaz de evitar a piometra e outros problemas de saúde e comportamentais em femeas, é a castração, pois 78% das cadelas ou gatas não-castradas irá apresentar doenças do sistema reprodutor em alguma fase de suas vidas.

Com a castração antes do primeiro cio a probabilidade desses males cai para para 0.08% . Elas se tornam mais felizes, brincalhonas e tranquilas, tendo um aumento de até 5 anos na qualidade de vida.

A #12 acabou de ser liberada, estava bem, a cirurgia sequinha e a pessoa que custeou sua cirurgia irá cuidar dela pelos próximos dias, para assegurar uma melhor recuperação :)

Se mais pessoas tivessem esse nível de compaixão ao próximo, o mundo seria um local muito melhor :)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Gatinha #11

A captura da #11 foi resultado de uma generosa doação de R$100, onde a outra metade foi custeada pelo projeto :) 

Ela é de uma sub-colonia inserida dentro da area da #10, com alguns metros de distância. Nessa rua, além dela, existem ao menos mais 5 gatos residentes. Uma delas é uma tricolorzinha filhote que desde o inicio das atividades, sempre tenta - e consegue - roubar a isca, mesmo com a tela na gatoeira e por causa do seu peso leve - ela é MUITO magra - nunca acionou o mecanismo da armadilha.

Ao contrário dos demais gatos dessa rua, a #11 é mansa, mas muito suja e assustada, ou seja, foi abandonada ou perdeu-se de sua casa. Suas tetinhas indicavam que já havia sido mãe diversas vezes, apesar da pouca idade ( aproximadamente 2 anos ) e não demoraria para emprenhar de novo, pois um macho estava constantemente ao seu lado. 

#11 capturada
Ela estava com muita fome e comeu dois pratos cheios de ração que coloquei para ela até o horário que era permitido para a cirurgia na manhã seguinte. Na rua em que ela vive há diversas casas e os animais se alimentam do lixo que é deixado para a coleta, rasgando sacos.

linda pelagem :)
muito lindinha, focinho rosa :)
cirurgia finalizada, tudo ocorreu bem :)
4 pontinhos absorviveis
ela já tinha alguns ferimentos na orelha, aproveitamos um deles para fazer a marcação
Ela foi liberada hoje 25/10/2011 e veio bem tranquila no carro, quando a soltei ainda se esfregou em mim antes de sair reconhecendo seu territorio e ficou sentada, quietinha na calçada. 

ficha de captura da #11

Além da doação devo agradecer um amigo que forneceu carona para essa area.
Não possuo carro e dependo muitas vezes de taxi, o que encarece ainda mais as coisas.

E nos horários de captura fica tudo muito mais dificil, já que a partir das 20:00 os taxistas que conheço e confio aqui perto já pararam de trabalhar. Gostaria muito de encontrar alguém com carro, disposição, tempo e paciência para ajudar com a captura dos demais gatos dessa rua dentro do meu bairro, mesmo que somente um dia por semana. 

Mas enquanto isso não acontece, o importante é não desistir e ajudar os gatinhos sempre que possível :)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O Gato Feral


Trecho retirado e traduzido do site dos Neighborhood Cats, de New York e um dos projetos mundiais pioneiros e mais bem sucedidos de Captura, Esterilização e Devolução - http://www.neighborhoodcats.org/HOW_TO_WHAT_IS_FERAL_CAT

"Um gato FERAL é um felino que retornou ao estado selvagem. São descendentes de gatos domésticos que se perderam de casa e/ou foram abandonados e forçados a aprender a viver nas ruas ou em ambientes com pouco contato humano, como armazéns, fabricas e prédios abandonados. 

Na maioria das vezes os gatos não são completamente selvagens pois ainda dependem de pessoas para alimentar-se, tanto de alguém que alimenta os gatos da área uma vez por dia, restos de um restaurante ou lixo domiciliar próximo. 

Poucos gatos ferais sobrevivem apenas de caça em ambientes urbanos. ( em países como Australia e Nova Zelandia e em outros locais isolados com ecossistemas frágeis, os gatos ferais são considerados pragas, pois são caçadores extremamente eficazes e conseguem dizimar espécies inteiras em pouco tempo. )

fêmea caçando

Há diferentes níveis para um gato feral, dependendo de alguns fatores.

Primeiramente devemos considerar a idade do gato. Filhotes tem maior chance de serem socializados e re-introduzidos em uma vida domestica de maneira mais rápida e bem sucedida do que um gato feral adulto. Outro fator é a qual geração este gato feral pertence.

Um filhote que nasce nas ruas de uma mãe que já foi gata domestica é mais propenso a socialização do que o gatinho de uma mãe que vem de varias gerações de ferais.

A quantidade de contato humano também é um fator importante para determinar a ferocidade destes animais. Se os gatos tiverem interação regular com pessoas, mesmo de longe, como freqüentar jardins de uma vizinhança, eles tendem a ser mais amigáveis do que aqueles que vivem em matagais ou ruas que poucas pessoas transitam. Finalmente, há o fator selvagem que é natural a todo felino e sua personalidade. Casos de gatos adultos, advindos de gerações de gatos ferais, que foram largamente isolados de pessoas, que foram domesticados, até acontecem, mas são exceções.


reação de gato feral capturado

É importante reconhecer que, para um gato feral, a coisa mais humana a ser feita é permitir que continue a viver solto. Tentativas de domesticação desses animais é o mesmo que desejar que um esquilo ou guaxinim sejam animais de estimação – você pode até ter algum sucesso, mas nunca completamente e somente após muito tempo e paciência despendidos.

Mais do que isso, você não estará dando ao animal a oportunidade de viver a vida a qual ele já está adaptado. Muitas pessoas bem-intencionadas acham que estão salvando um gato feral ao resgatá-lo e trazê-lo para sua casa, mas acabam condenando a pobre criatura a uma vida debaixo da cama e em constante stress e medo.

A CAPTURA, ESTERILIZAÇÃO e DEVOLUÇÃO ( C.E.D ) respeita o estado selvagem desse gato feral. A castração de ferais impede um enorme sofrimento – já que nenhum animal deveria nascer e ser obrigado a sobreviver nas ruas - e protege o gato da hostilidade que seu comportamento agressivo possa causar aos humanos a seu redor. O retorno desse animal ao seu território, onde já conhece as fontes de alimento e abrigo, dá a eles a oportunidade de viverem entre os seus e de viverem de acordo com a condição que lhes foi imposta."

O meu próprio gato poderia ter virado mais um feral que ronda o meu bairro.
Sua mãe foi atropelada e ele viveu um mês sozinho nos jardins do meu prédio, rosnando e se afastando das pessoas.
Demorou muito tempo para que ele confiasse em mim e me deixasse tocá-lo.
Mas como é descrito no texto, ele tinha apenas 3 meses de idade e minha experiência prévia com gatos me ajudou em uma socialização adequada, juntamente com a castração, para que ele se tornasse tranqüilo e manso e, depois de quase um ano, finalmente se tornasse um gato de apartamento, totalmente adaptado.

Infelizmente não é todo mundo que está disposto a doar seu tempo para a socialização de um animal, o que torna o resgate de um gato feral ainda mais dispendioso para protetores que já possuem recursos escassos.

A maioria das pessoas ignora e ojeriza gatos ferais, pois ninguém gosta dos rosnados e comportamento agressivo e territorial que demonstram. Eles são os gatos que ninguém ajuda, apesar de sua existência ser resultado direito de nossa irresponsabilidade e ignorância.

Além da pessoa não castrar o bicho de estimação, ainda o deixou vagando nas ruas, sujeitando-o também a inúmeras doenças causadas por acasalamento e brigas.

Não é raro testemunharmos o atropelamento proposital desses gatos, ver pessoas encurralando-os, agredindo-os e assassinando com chumbinho.

Se não é possível reverter o estado selvagem que eles se encontram ou/e encontrar lares para todos, é necessário atuar na fonte, sendo o C.E.D é a maneira mais humana e eficaz para impedir que o número de gatos ferais e vitimados cresça.

A castração promove uma redução na sua agressividade para com pessoas e outros animais, impede os riscos advindos da reprodução e, ao manter números controlados de colônias em áreas urbanas, assegura que os indivíduos tenham recursos alimentícios – mesmo que inadequados em relação a qualidade e quantidade - a sua disposição, tornando sua sobrevivência um pouco menos sofrida.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Gatinha #10

3 resoluções pautam o projeto Felinos Urbanos.

A primeira delas é ajudar o maior número de animais com a castração.
A segunda é nunca ultrapassar o orçamento disponivel em um mês, para não colocar em riscos as castrações seguintes.
E a terceira é não medir esforços para capturar e esterilizar animais quando houver recursos para isso.

As tentativas de captura da #10 se iniciaram a partir do momento em que doações foram feitas para o projeto.

Ela é uma gata que nasceu e vive em um matagal proximo a minha casa, com aproximadamente 2 anos de idade que sempre está prenhe ou com filhotes, mas esses filhotes nunca são vistos com mais de poucos meses de idade, indicando que talvez nenhum tenha alcançado a maturidade.

Apesar de ser alimentada regularmente, ela e seus filhotes são gatos ferais, pois nunca foram tocados por humanos. A #10 é o tipo de gata que avança e rosna para nós.

Em 16/10/2011 à noite fiz minha primeira tentativa. Chegando ao local ainda havia comida, mas resolvi arriscar quando ela se mostrou interessada na sardinha da isca. Os filhotes deram surgiram do matagal e, ingenuos, entraram na armadilha. Dois foram pegos, mas tive que soltá-los. Aqui em São Luís apenas a Dra.Micheline ( da AMADA - Associação Maranhense de Defesa dos Animais ) realiza cirurgia pediatrica, mas apenas com marcação, uma vez ao mês. E lidando com gatos ferais, infelizmente não é possivel esperar.

#10 e seus filhotes, aproximadamente uns 3 meses de idade
Fiquei até 1:00 da manhã com esperança que a gata entrasse na gatoeira, mas em vão. O mesmo se seguiu na segunda-feira.

Na terça à noite após a passagem do caminhão do lixo, quando a rua estava calma, por volta das 23:00 resolvi descer e armar a gatoeira novamente. Quase meia noite ela finalmente foi atraída pelo atum em oleo e foi capturada!

Ela tentou avançar em mim, tentou fugir de todas as maneiras possiveis ganhando alguns machucados superficiais no rosto, então resolvi transferi-la logo para a caixa de transporte, onde ela não iria se ferir mais.

na gatoeira, rosnando pra mim :D

A #10 só não foi pior que o #9 em termos de ferocidade. Quando tentamos anestesiá-la, ela voou em minha direção e saiu da caixa. Dei um baile, correndo de um lado de outro, avançando em nós e rosnando, tentando escalar as paredes de azulejo, até que foi pega com duas toalhas grossas enroladas em seu corpo.

E hoje ficou mais claro o quanto o projeto necessita de um cambão e uma rede para que o manejo desses animais cause o menor stress possível.

Uma vez anestesiada, a cirurgia foi um sucesso :)


marcação na orelha um pouco maior, pois além dela existem mais 2 gatos branco-e-pretos na região
dormindo confortavel, esperando estar 100% de volta da cirurgia antes de ser solta
Ficha da #10

Esta gatinha #10 é o resultado de todo o apoio e confiança que as pessoas colocaram no projeto Felinos Urbanos.

Mesmo que as dificuldades sejam inúmeras, o projeto permanece firme pelas palavras de incentivo e doações que são mandadas, por poucas mais queridas pessoas de perto e de longe que compartilham o desejo e esperança de um dia melhor para esses animais.  

Também quero agradecer ao Dr.Jairo e Dr.João Carlos, pelas cirurgias de alta qualidade e tratamento humano que oferecem a estes gatos, por mais dificeis que eles sejam. 
Sem eles o projeto seria apenas um rabisco no papel, pois mãos veterinárias habilidosas são essenciais para desenvolvê-lo. 

Com a castração da #10 inicia-se o controle de uma segunda colônia em São Luís.

Que ela seja a primeira de várias dezenas ajudadas :)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Gatinho #9

Durante a cirurgia da #8 fiquei sabendo de uma colônia de gatos, de aproximadamente 10 individuos em um bairro de São Luís.

Eles são alimentados por uma pessoa que não possui condições financeiras de esterilizá-los.
Como entraram duas doações que custearam as cirurgias da #6 e #7 , fui capaz de castrar a #8 e também me comprometer a castração de ao menos um animal dessa colonia por agora, já que o pagamento dos fios cirurgicos tirou R$200 do orçamento do projeto esse mês.

Hoje o dia começou cedo. E produtivo.

Dentro dessa colonia há um gato apelidado de Lampião pela senhora que os alimenta. É o macho alfa, pai dos filhotes da região, bruto e com cicatrizes de batalhas vencidas, o olho esquerdo ulcerado.


Agradeço muito pela qualidade da gatoeira que foi doado ao projeto, pois tenho pena das mãos que estivessem de encontro com esse gato. Contrariando as estatisticas de gatos de rua, que vivem entre 2 e 3 anos, vitimados por doenças, fome, brigas e acidentes, Lampião possui aproximadamente 5 anos idade e 4.7kgs de puro musculo regado a testosterona. 

A ferocidade daquele gato e a força que usei para segurá-lo no cambão ( pelo tronco, para não machucá-lo ) enquanto o veterinário aplicava o anestesico deixou o meu braço doendo até agora.



Finalmente caído da sedação, foi possivel ver a extensão da maquina de guerra que é o #9. Um de seus caninos faltava e os outros três eram somente cacos. As almofadas de uma das patinhas estava machucada e foram suturadas com o mesmo fio absorvivel usado nas femeas e tratadas :)


Todo e qualquer animal castrado é um número positivo e importante para a diminuição dos números do abandono e maus-tratos, mas gatos como o Lampião dão uma satisfação enorme ao serem capturados, pelo dificil manejo da captura e pelo impacto positivo imediato em uma determinada area. 

Quanto mais velhos os gatos, mais tempo demora para que os niveis hormonais diminuam após a castração e que eles percam maus habitos causados pela maturidade sexual, como agressividade, demarcação de territorio, stress e é por isso que sempre aviso as pessoas da importancia de castrar o mais cedo possivel. 

Em cidades como SP, a castração é obrigatoria e gratuita, cada morador da cidade tem direito de castrar 10 animais mensalmente. O cidadão faz o cadastro no CCZ de sua região, que o encaminha para uma clinica conveniada perto de sua residencia, com veterinários habilidosos e que utilizam a tecnica de gancho, menos invasiva e com menor tempo de recuperação. Através de pesquisas, artigos e preparação dos profissionais, se descobriu os beneficios da castração pediatrica e os animais são castrados a partir de 2 meses, eliminando assim problemas comportamentais que poderiam surgir a partir dos 6 meses de idade.

Um gato como o #9 irá passar alguns meses ainda com cheiro de um gato inteiro, mantendo o dominio do seu territorio e irá até cobrir as femeas, afastando potenciais rivais não-castrados de fertilizá-las, mesmo que por um curto periodo de tempo, as gatas irão se manter no territorio do #9 e não irão emprenhar de outro macho inteiro, retardando o nascimento de mais filhotes na região até que outro gato alfa o expulse para outro lugar. 

castração concluída :)

Ficha do #9
Um gato como o #9 é resultado de inumeras gerações de animais abandonados e sobreviventes no ambiente urbano. Por um lado é fabuloso ver toda a força e potencia de um animal desses em um estado praticamente selvagem, mas por outro, temos que pensar em todos os filhotes que ele já fez até o momento e todas as coisas que podem ter dado errado.

É praticamente impossivel que um animal que começou a vida assim, sem contato humano, se torne um bicho de estimação protegido e amado de alguém pois eles podem ser bastante intimidadores e dificeis até que alguma domesticação se faça efeito. São animas que tem pavor de pessoas e preferem se ferir a serem manuseados. 

A #8 praticamente não se mexeu durante o tempo em que permaneceu na clinica, comendo muito pouco, rosnando e bufando, tremendo o corpo inteiro quando alguém se aproximava. A melhor coisa foi devolvê-la ao seu local de origem, coisa que fiz hoje a tarde. 

Se não há comida e lares seguros para todos, é nosso dever, como seres humanos, impedir que mais e mais filhotes venham a sofrer nas ruas, sem a esperança de uma vida melhor.

Eu gostaria muito de poder fechar o mês com o animal #10, mas não posso capturar outros sem doações e com a conta vazia.

Mesmo assim fico muito feliz com esses 9 importantissmos pioneiros, que me deram esperança de um amanhã melhor :)

Muito obrigada a todos que ajudaram, com palavras ou ações, para que o projeto Felinos Urbanos de São Luís pudesse ter agora o seu 9º animal ajudado :)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A Identificação das Orelhas

A identificação nas orelhas é utilizada em todos os projetos de C.E.D do mundo, como Inglaterra, E.U.A, Canadá, etc e nos projetos brasileiros também, ou seja, a mais de 10 anos os gatos ferais de colonias controladas tem suas orelhas identificadas e tirando os projetos do Brasil, a captura, esterilização e marcação desses animais é financiado pelo governo desses países. 

Acredito que a Humane Society e a SPCA's assim como projetos dos Neighborhood Cats de todo o mundo não iriam financiar, com dinheiro público, algo que fosse considerado crueldade, não só pelos veterinários mas também pela população. E lembrando que a maioria desses projetos é administrado por pessoas que amam gatos e desejam a eles uma vida melhor.

Os tipos de identificação mais utilizados são a marcação que retira toda a ponta da orelha, a marcação meia-lua ( utilizado nos projetos do RJ ) e a triangular na aba exterior.
 


Anauel, gatinho do RJ, capturado e esterilizado com 5/6 meses de idade como animal de C.E.D e adotado com a identificação meia-lua em 2008 :)

#8 e o corte triangular na aba da orelha direita

No inicio escolhi a marcação triangular para os gatos do projeto, mas com o passar do tempo, vendo como este corte demora muito mais para cicatriz e está mais acessivel para que os gatinhos coçem, em 27/11/2011, com com os gatinhos #23 e #24 iniciamos a marcação internacional de gatos em projetos de C.E.D, corte da ponta esquerda da orelha :)

Se os gatos não forem identificados, como saber quem já está castrado? Lembrando-se que programas de C.E.D lidam com gatos ferais, que passam a vida inteira evitando contato com pessoas.

Por que capturar um animal desses, novamente, apenas para estressá-lo, anestesiá-lo e só então comprovar que ele já havia sido esterilizado? 

É um desperdício de recursos, risco para quem captura devido ao nível de agressividade desses gatos, um manuseio desnecessário do animal. 

Mesmo gatos abandonados ou os semi-domiciliados ( gatos que são alimentados por alguém, até frequentam o quintal ou jardim da pessoa, mas continuam sem donos ) não devem ser pegos sem necessidade pois a cada erro desses, um animal não-castrado pode perder sua chance de ser ajudado. 

E ainda há mais um fator a favor da identificação visivel: existem pessoas que não gostam de animais vagando por suas propriedades, pois sabem o quanto gatos são proliferos e em poucos meses uma gata pode se multiplicar em 4. 

A partir do momento que explicamos os beneficios da castração e garantimos que a população não irá aumentar, as pessoas se tornam mais tolerantes à aquele animal identificado, eliminando assim a possibilidade de maus-tratos.
A identificação nas orelhas é feita minutos antes ou depois da cirurgia de esterilização, quando o animal está completamente sedado. Utiliza-se uma lamina e logo depois o corte é estancado, ou com produtos proprios para ferimentos, ou com bisturi eletrico que cauteriza a identificação.

A dor que o animal sente ao ser identificado seria a mesma que ele sente durante a cirurgia de esterilização, ou seja, nenhuma. E o mesmo antibiotico e antiinflamatorio que é utilizado para os animais castrados irá atuar na marcação das orelhas. 24 horas após a cirurgia os animais estão plenamente recuperados da anestesia e são devolvidos ao seu local de origem. 

E do mesmo jeito que não sentem faltam do utero e testiculos que foram retirados, não sentem falta daquele pedacinho de orelha :)


#6 e sua orelhinha identificada - sem problemas de auto-estima :)

A identificação das orelhas atua juntamente com a esterilização para os animais do C.E.D, é algo imprescindivel e que será feito em todos os animais participantes do projeto. 

Explico tudo isso para mostrar que não há "crueldade" na marcação das orelhas, porque esse procedimento é absolutamente necessário. 

Entendo que para quem olha seu gato fofinho, bem cuidado e seguro dentro de casa pareça maldade imaginá-lo com a orelha marcada, mas é preciso lembrar que a realidade dos animais atingidos pelo projeto é diferente e a identificação é absolutamente necessária.

Nenhum gato deveria ser forçado a estar nas ruas, alimentar-se de restos e ter filhotes, continuamente, sob o relento. Se eles estão ali, gerações após gerações, é por causa da irresponsabilidade humana.

Todos os animais ajudados pelo Felinos Urbanos são tratados com competência e dignidade, atendidos por excelentes veterinários, ofereço a eles a mesma qualidade de tratamento que daria para o meu próprio animal.

Agora que você já sabe um pouco mais sobre a realidade desses animais e dos procedimentos que o projeto usa com eles, que tal ajudar?

Sempre é possível fazer a sua parte. Somente com a sua ajuda mais gatos terão a vida impactada positivamente, eliminando o ciclo vicioso do abandono e maus tratos. Com poucos reais por mês você pode ser o responsável por ajudar.

Os Felinos Urbanos contam com sua ajuda :)


*agradeço a querida Claudia Porto que disponibilizou a foto do seu gatinho lindo :) 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Gatinha #8


Com a #6 devolvida a seu local de origem e tendo certeza de que os filhotes dela são ferais, me organizei para buscá-los hoje de manhã cedo, com a gatoeira e iscas na mão. 

5/10/2011 - soltura da #6, se reunindo com seus filhotes

Apenas o branco estava lá e não demorou muito para entrar, ficou descontrolado quando se viu preso, mas felizmente logo consegui colocá-lo na caixa de transporte, mais fechada e escura e ele começou a se acalmar. Teria perdido um dedo se não fosse a luva :D

A #6 rosnou para mim quando eu tentei me aproximar, ofereci uma sardinha que ela saiu levando na boca e comeu com gosto, mas não quis conversa. Espero que o outro filhote esteja lá em breve para ser castrado também. 

cirurgia sequinha e cicatrizando bem :)
Ao chegarmos no consultório, depois de sedado, descobrimos que na verdade era uma femeazinha. Ela possui uma mancha nos genitais que parecia dois testiculos de longe heheheh . A 5º femea do projeto, menos 150 filhotes para nascer nas ruas de São Luís :)

#8 , aproximadamente 4 meses de idade :)
visão de cima, padrão VAN de pelagem, apenas marcações no rabo e orelhas
cirurgia finalizada :)
2 pontinhos de fio absorvivel :)
marcação internacional de gatos castrados
marcação vista de cima, não traz nenhum desconforto ou dor ao animal :)
Ficha de Controle da #8

Também aproveitei para dar uma olhada na #7, está tudo bem com sua cirurgia :)

Uma pessoa havia pedido a Dr.João Carlos dois gatos para um sitio cercado na saída da cidade, mas como elas já estavam castradas ele quis ficar com as duas, não se importando com as marcações na orelha :) 

já está com um aspecto melhor e mais calma :)

Hoje o projeto recebeu o pedido para intervir em uma colônia com aproximadamente 10 animais. Alguns deles são ferais e outros mais mansos, alimentados por uma pessoa. Apesar do saldo negativo na conta dos Felinos Urbanos, concordei, pois nessa colonia existem várias femeas e um macho alfa que me foi descrito como enorme e muito agressivo, coberto de cicatrizes de brigas.

Como já falei anteriormente, castrar um gato desses é imprescindivel para um impacto positivo em uma area, pois eles conseguem emprenhar quantas gatas encontram e podem ser responsáveis por até 50 filhotes em apenas uma noite.

Espero que ao menos possamos fechar o mês de outubro com 10 animais ajudados :)

Qualquer quantia que possa chegar até os Felinos Urbanos, R$10, R$15 que seja  já será de grande ajuda para o controle dessa colônia.

Novamente agradeço o apoio de todos os envolvidos :)