quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Cedo demais

Meu dia começou normalmente.
Conversei com amigos, resolvi algumas pendências, marquei mais duas cirurgias de castração, fui ao trabalho.

Voltando para casa, recebo um telefonema. A cuidadora das colônias proximas me dá uma carona ate o local.

No meio da rua, um ponto branco.

Um filhotinho de gato, com pouco mais de 5 meses, aparentemente.
Uma pequena poça de sangue abaixo, as mesmas manchas nos ferimentos ocasionados por um carro. A face felina tão bela agora machucada.

Ele ainda está morno. Não deve ter acontecido a muito tempo. O sopro de vida em seu peito havia acabado de se extinguir.

Não pudemos fazer nada além de dar um final digno ao seu corpo terreno.

Voltamos pelas ruas próximas e contei inúmeros gatos, cujos dramas tão parecidos se desenrolam em meu bairro. Gatos resultados da ignorância e falta de responsabilidade humana, que não castraram seus antepassados, que os abandonaram, entregando centenas de vidas à mercê de perigos.

Vi fêmeas prenhes, lactantes, machos machucados e mancando. Observei gatos jovens revirando o lixo. Vi também mães com seus pequenos filhotes, que provavelmente não chegarão a idade adulta. A vida nas ruas é cruel. Pura e simplesmente.

A vida nas ruas não respeita idade, não respeita a majestade dos gatos. A vida nas ruas lhe tira toda a dignidade e esperança. A vida nas ruas lhes rouba a tranqüilidade, transformando-os em animais selvagens, tão selvagens quanto o próprio abandono que os consomem aos poucos, em doenças, fome e mortes dolorosas.

Na volta pra casa também revi os meus Felinos Urbanos. Com suas charmosas orelhinhas marcadas, eles me observaram. Meus queridos gatos ferais, que não irão sofrer mais pela reprodução, que não irão mais colocar filhotes neste mundo que finaliza infâncias cedo demais, nem dando a chance para que elas sejam felizes.

E é por esses e muitos outros que morrem diariamente que a castração se tornou minha missão.

A esterilização é a única e melhor coisa que podemos fazer para aliviar essas tristezas, é o que posso fazer por esses gatos, para melhorar seu presente e futuro, já que foi um ser humano que os condenou no passado.

E se finais felizes não são possíveis, que ao menos as vitimas não aumentem em número.

2 comentários:

  1. Isso Otávia! Mesmo que não possamos cuidar desses que ficam nas ruas, que pelo menos não haja descendentes!
    Quando as pessoas me dizem: é difícil deixar nas ruas de novo, eu tenho que concordar. É duro e só quem faz isso sabe... mas não fazer nada é muuuuio pior. Então, que façamos o que nos é possível fazer: evitar que nasçam filhotes para viver a mesma vida (curta e sofrida) de seus pais.

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