quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Pontos de Abandono - Como combatê-los?

Primeiro, vamos estabelecer a diferença entre colônias e pontos de abandono.

Colônia é uma terminologia utilizada para definir as concentrações de gatos ferais em uma determinado espaço urbano. Os gatos ferais se aglomeram nestes locais ao serem alimentados por alguém ou por terem alimento disponível em outras fontes, como lixo domiciliar, restaurantes ou até mesmo caça.

Um ponto de abandono é um local dentro de uma área urbana, onde as pessoas, propositalmente, abandonam gatos à própria sorte. A maioria dos animais encontrados lá estão com algum problema de saúde, são filhotes abandonados sozinhos ou com suas mães e até mesmo fêmeas prenhes. E a grande maioria deles, pelo contato direto com humanos até o momento do abandono, são animais extremamente dóceis e adotáveis.



Pontos de abandono são mais comuns em áreas de periferia, onde os moradores, sem informação e recursos para castração, acreditam que “deixar” o animal ali é a solução.

Isso ocorre porque, geralmente, em pontos de abandono, há alguém que, sensibilizado pelas condições dos animais, os alimenta e eventualmente há pessoas que podem levar um ou outro para casa. Mas são justamente esses comportamentos que incitam mais e mais donos a abandonarem os gatos nestes locais, sob a falsa idéia de que “eles serão cuidados.”

Na realidade, gatos dóceis deixados em pontos de abandono correm muito mais perigos do que gatos ferais. Gatos ferais não se aproximam de pessoas, aparecem somente nas horas de menor movimento e atacam ao se sentirem ameaçados. 

O gato abandonado irá seguir humanos, pedir comida, tentar subir em colos implorando por carinho. E é nessa hora que pode ser chutado, apedrejado, colocado dentro de um saco e morto. Amedrontados pelo abandono, são mais propensos a atropelamentos. Também são mais ingênuos e, desesperados pela fome, podem ser envenenados em grande escala, o que também ocorre com gatos ferais onde houver pessoas maldosas.

Os filhotes em pontos de abandono, em sua grande maioria, morrem rapidamente. Existem pessoas que os abandonam ainda de olhos fechados, com poucas semanas, e mesmo os maiores, irão sucumbir por doenças respiratórias, fome e até mesmo, agressão por parte de adultos não-castrados, que os vêem como competição dos poucos recursos existentes. 

filhotinho com rinotraqueite

Pontos de abandono, na verdade, são campos de concentração onde os gatos, deixados à própria sorte, morrem à míngua e em maior velocidade do que em uma colônia.

E como mudar essa realidade? Castração, em primeiro lugar.

Castrar animais de pontos de abandono é infinitamente mais fácil do que em colônias, pelo próprio temperamento dos animais, desde filhotes ( através da castração pediátrica ) até mesmo os adultos. Diante de tantas vantagens que a castração traz, também será possivel aumentar as chances desses animais, castrados, serem adotados.

( Para saber mais, leia - http://felinosurbanos.blogspot.com/2011/11/castracao-em-gatos-fatos.html ) 

O segundo ponto é conscientizar as pessoas a esterilizar seus próprios animais e oferecer mutirões de castração para a população ao redor do ponto de abandono, já que é daí que surgem os gatos destes locais. 

Além disso, gatos que têm acesso à rua e entram em contato com animais de ponto de abandono podem contrair inumeras doenças, até mesmo zoonoses e levá-las para dentro de casa. Desmistificar a ideia do gato "livre e passeando" e ensinar sobre criação indoor também é essencial. 

gato com sarna

 (  Para saber mais, leia - http://felinosurbanos.blogspot.com/2012/01/castracao-e-saude-publica.html )

E, em terceiro lugar,  vetar ações que possam incentivar mais abandono:

1- NÃO DIVULGAR O ENDEREÇO DO LOCAL 

2- NÃO ALIMENTAR OS ANIMAIS OU FAZER VISITAS EM HORÁRIOS DE MUITA VISIBILIDADE

3- ESPALHAR CARTAZES DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE CASTRAÇÃO, LEI E PUNIÇÕES SOBRE O ABANDONO E MAU-TRATOS PARA A POPULAÇÃO AO REDOR

Se a existência de colônias de ferais já é resultado de nossa irresponsabilidade, o nível de crueldade aumenta ainda mais ao obrigar um gato domestico, carinhoso e que foi cuidado, a se virar sozinho nas ruas, passando fome, frio e sob diversas ameaças, por algo que não é culpa dele. 


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