sábado, 5 de março de 2016

C.E.D - Como começou?

Informalmente, o C.E.D ( Trap Neuter Return em inglês, TNR ), iniciou-se no final dos anos 1950, quando já havia registros de pessoas que esterilizavam gatinhos de vida livre na Inglaterra. 

Em 1960, o movimento tomou força e conhecido, quando Celia Hammond, uma modelo e amante dos gatos, começou a divulgar suas ações com controle populacional de felinos urbanos, uma vez que suas tentativas de domesticar estes animais ferais e ariscos e encaminhá-los para adoção se mostraram ineficientes. 


Celia Hammond 


Em 1970, Celia possuía um acervo detalhado de informações sobre as colônias felinas em que atuava e, pouco tempo depois, mostrou resultados de como as populações haviam se estabilizado, que os gatos castrados não permitiam animais inteiros ( que iriam se reproduzir ) adentrassem em seus territorios e como a qualidade de vida dos animais havia melhorado significativamente. 

Ela apresentou o C.E.D para a National Cat Rescue Commitee, uma organização britânica e, com o apoio de várias outras instituições , em 1980, em um simpósio sobre o manejo de gatos ferais, entenderam a importância deste método para o bem estar destes animais.

As ações anteiores de apenas retirá-los de seus locais de origem ( ou soltá-los em outro local ), trancafiá-los em abrigos e depois eutanásia-los pela impossibilidade de adoção, não era uma solução definitiva ou humana e, principalmente, não era economicamente viável, pelos recursos utilizados para a captura e extermínio destes animais, pois em pouco tempo outros felinos apareciam e continuavam a se reproduzir, dando continuidade ao problema. 

gatos ferais são seres magnificos e precisam ser protegidos 

A colaboração de veterinários e entidades da Dinamarca, que desde 1970 também utilizavam C.E.D foi de extrema importância para a aceitação da prática na Europa. 

Em 1981, a RSPCA ( Sociedade Real para Prevenção de Crueldade contra Animais ) mostrou seu apoio na esterilização de colônias felinas, como uma ferramenta para o bem estar animal. 

Em 1984 um estudo feito pela médica veterinária Jenny Remfry e seu assistente Peter Neville, apresentava os benefícios do C.E.D em colônias urbanas em Londres, analisando os efeitos para os animais e a melhora na aceitação deles por parte de seus vizinhos humanos, pelos benefícios comportamentais causados pela castração. 

gato feral beneficiado por C.E.D em universidade de Londres

1990 foi o grande ano para o C.E.D, quando Ellen Perry Berkeley, uma utilizadora e pesquisadora da prática e autora do livro "Maverick Cats: Encounters with Feral Cats"         (onde descrevia sua experiência com uma colonia felina em Vermont), publicou o artigo FERAL CATS”,  e várias pessoas que já se preocupavam com a situação daqueles animais começaram a aparecer e se reunir, algumas com mais de 20 anos de experiência com gatos ferais, além de despertar nos amantes de felinos uma nova maneira de               ajudá-los. 

primeiro livro publicado sobre gatos ferais 

Com o nascimento Alley Cats Allies no final de 1991, a primeira organização de C.E.D nos EUA, e a criação da Feral Friends Network, mais de 1400 pessoas de 47 estados e 12 países estrangeiros se uniram para troca de experiências e informações sobre gatos ferais, manejo e captura. 

Organizações de bem estar animal e a Associação Americana de Veterinários, começaram a se interessar pelo assunto e realizar eventos para educar e ensinar sobre o C.E.D, já que resgate/adoção/eutanásia eram as únicas alternativas que conheciam até o momento. 

Apesar das dúvidas, incertezas e opositores, o C.E.D nos EUA ganhou uma força tremenda em várias esferas da sociedade e é praticado em quase todo território nacional. 

mapa das cidades/estados que praticam C.E.D nos EUA

O DIA NACIONAL DO GATO FERAL, criado em Outubro de 2001, consolidou a importância da prática para o bem estar animal e dedicação de seus cuidadores.

Dia Nacional do Gato Feral pela Alley Cats Allies 

Atualmente existem 43 países que oficialmente adotaram o C.E.D como método de controle populacional e a cada dia ganhamos mais adeptos!

No Brasil o C.E.D caminha de forma lenta, mas progressiva. Não podemos esperar mudanças imediatas de uma população e governantes que nunca colocaram o bem estar animal como prioridade ou parte integrante da sociedade como um todo, onde os níveis de abandono e crueldade são alarmantes, mostrando que ainda temos muito o que evoluir. 

Um de nossos grupos pioneiros, o Bicho no Parque, já a atua a mais de 10 anos em parques urbanos de São Paulo, com o auxilio do CCZ municipal. 

Praticantes de C.E.D brasileiros estão espalhados pelos 4 cantos do país, mesmo aqueles que não saibam exatamente que suas atividades tenham essa nomenclatura, mas o importante é que, gradativamente, o número de pessoas dedicadas ao C.E.D está crescendo significativamente e estes gatinhos tão especiais estão ganhando cada vez mais respeito e aliados em prol do seu bem estar. 

Informações tiradas do livro: TNR, Past, Present and Future - Ellen Perry Berkeley