quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Lidando com preocupações sobre a castração precoce - parte 1

Texto traduzido de: Lidando com preocupações sobre a castração precoce da ASPCA ( maior associação americana de bem estar animal, fundada em 1866 )

Estudos mostrando resultados a longo prazo de castrações realizadas precocemente ou nas “idades tradicionais” em gatos e cães foram publicadas no Jornal da Associação Americana de Veterinária nas edições de 1º de Dezembro de 2000 e 15 de janeiro de 2001, respectivamente. 

Os estudos envolveram 269 cães e 263 gatos de abrigos de animais e foram conduzidos pela Dra.Lisa Howe, da Universidade A&M de Veterinária do Texas. 

A conclusão para cães, foi: “salvo animais com doenças infecciosas, a castração precoce pode ser feita de maneira segura em cães, sem a preocupação de incidência de problemas físicos ou comportamentais por, pelo menos, um período de 4 anos após a castração.” 

Abrigos que mantém filhotes por um longo período tem encontrado problemas com a parvovirose. No entanto, os autores desses estudos não concluíram que a castração precoce pode predispor o animal à doença.  Os filhotes no estudo estavam em uma idade altamente susceptível ao parvovírus e em ambiente de abrigo onde a doença é comum. 

Eles desenvolveram parvovirose por estes motivos e não por terem sido castrados precocemente. 

filhotes castrados são doados mais rapidamente e quanto mais cedo eles saíram do ambiente de abrigo, melhor 

A conclusão para gatos foi: “a castração precoce pode ser feita de forma segura em gatos sem preocupação de incidência de problemas físicos ou comportamentais por, pelo menos, um período de 3 anos após a castração.”

Outro estudo sobre os efeitos a longo prazo da castração precoce foi publicado no Jornal da Associação Americana de Veterinária na edição de 1º de Janeiro de 2004. Este estudo, coordenado pelo Drª. Vic Spain, do Colégio de Medicina Veterinária da Universidade de Cornnel, investigou os arquivos de 1.842 cães e 1.660 gatos de abrigo que foram submetidos à castração precoce. 

Este estudo teve duração de 11 anos e a conclusão para cães foi: “já que a castração precoce oferece mais benefícios do que riscos para cães machos, os abrigos podem, de forma segura, submetê-los a castração aos 2 meses e os veterinários devem considerar a recomendação da castração precoce como rotina para os tutores, antes da tradicional idade de 6-8 meses de idade. Para cadelas, no entanto, casos de incontinência urinária sugerem que a castração precoce seja mais benefica aos 3 meses de idade."

Em uma palestra de 2011 para acadêmicos veterinários em Quesland, Austrália, Dr.Jeff Young, um dos grandes nomes mundiais em controle populacional, fala sobre a incontinência urinária e seus múltiplos fatores: 

"(...) devemos levar em consideração a técnica cirúrgica. Se você está usando Catgut  na base do útero, você não está fazendo o correto para o animal. Se eu tenho um estudo cientifico sobre isso? Não. Mas é a minha experiência, já remexi dentro de animais o suficiente, tirando grandes granulomas. Quando você corta e amarra o útero, ele retrai bem na bexiga e é onde os problemas de incontinência começam. O tipo de sutura é muito importante. 

Na Costa Rica eles tiveram grandes problemas com castração precoce pois estavam usando nylon da espessura do meu dedo. Você não acha que é um problema, algo assim, se esfregando em uma bexiga? Não faria isso com nenhum animal. Mas, é mais barato, mais rápido e por isso eles fazem, mas quando tem todos esses problemas, não sabem o motivo. Se você for fazer algo, faça direito. 

E, por isso, eu daria mais motivos para explicar incontinência. Fêmeas que já tiveram muitas ninhadas tem um aumento entre 4% a 8% de chances de apresentar incontinência, aumento de peso também, mas entre 8% a 16% terão incontinência se forem castradas. A pergunta é: será que podemos pegar esse percentual de 8 a 16% e diminuirmos isso através da mudança de técnicas cirúrgicas, nos certificando que elas não irão ganhar peso, lidando corretamente com o hipotireoidismo?

Algumas raças como Dobbermans, adivinhem só, terão incontinência. Boxers terão incontinência, pois tem uma grande chance de hipotireoidismo, sempre estão acima do peso ou possuem algum outro problema, então há muitas outras causas envolvidas."



É importante salientar que as fêmeas com incontinência urinária já se encontravam em suas casas após adoção e não foram devolvidas ao abrigo. 

O estudo a longo prazo da Texas A&M não encontrou achados semelhantes sobre incontinência urinária e, outro estudo ( ARNOLD, 1992 ), mostrou que havia maior incidência de incontinência urinária em fêmeas castradas após o primeiro cio. 

A conclusão para gatos do estudo da Universidade de Cornell foi: "a castração antes dos 5.5 meses não foi associada à casos de morte ou devolução dos animais ou ocorrência de nenhuma condição médica séria ou problemas comportamentais e pode garantir melhor qualidade de vida à longo prazo, especialmente para gatos machos. Abrigos podem, de forma segura, submeter os gatos à castração precoce e os veterinários os veterinários devem considerar a recomendação da castração precoce como rotina para os tutores, antes da tradicional idade de 6-8 meses de idade."



É necessário ressaltar que o foco dos estudos não foi estabelecer a segurança da castração para animais aos 6 meses de idade. Em uma revisão de literatura por OLSON e ROOT KUSTRITZ,  em artigo publicado em 2001, mostrou que possíveis efeitos colaterais da castração não são acentuados em animais castrados no período de 7 semanas em comparação daqueles esterilizados na “idade tradicional” de 7 meses. 


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