sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Lidando com preocupações sobre a castração precoce - parte 3

Texto traduzido de: Lidando com preocupações sobre a castração precoce da ASPCA ( maior associação americana de bem estar animal, fundada em 1866 )

CARACTERÍSTICAS SEXUAIS SECUNDÁRIAS 

A vulva em cadelas castradas é menor do que de cadelas não-castradas, mas não há evidência da existência de importância clinica nesta diferença de tamanho. 

Dermatite perivulvar é uma condição que ocorre tanto em fêmeas castradas quanto não-castradas e está mais associada à obesidade do que à esterilização. Glândulas mamarias também são menores em tamanho. 

O pênis e prepúcio de machos castrados irá manter o aspecto juvenil, mas, novamente, não há problemas clínicos nestes animais que não são sexualmente ativos. 

                                        As espiculas ( "espinhos" ) penianos são formadas a partir da influência                                                  da testosterona e servem para estimular a ovulação das gatas durante a copula 

No gato macho, há uma redução da habilidade de expor o pênis do prepúcio, mas não há conhecimento de problemas clínicos associados à isso. 

Essa característica pode ocorrer, independentemente se o animal for castrado com 7 semanas ou aos 7 meses de idade. 

DOENÇAS INFECCIOSAS 

Alguns abrigos encontraram um aumento na incidência de doenças respiratórias ( em particular, doenças do trato respiratório superior em gatos e parvovirose em cães ) em animais que foram submetidos à castração precoce, mas o stress da vida no abrigo, anestesia e os efeitos da cirurgia também afetam animais adultos, não somente os filhotes. 

Muitos animais de abrigo irão, provavelmente, desenvolver doenças de qualquer forma, já que há um grande número de agentes infecciosas presentes nestes locais. 

Doenças infecciosas não devem ser um problema em ambientes de clinicas particulares. 

PIOMETRA 

Piometra é uma infecção uterina que afeta 15.2% a 24% de cadelas entre as idades de 4-10 anos em países onde a castração não é comumente feita. 

Já que a castração, que remove os ovários e útero, assim prevenindo o desenvolvimento da doença, é um procedimento de rotina nos EUA, as informações sobre a incidência, no país, são difíceis de conseguir. 



A ovariectomia, remoção cirúrgica de somente os ovários, também irá prevenir o desenvolvimento de piometra, mesmo que o útero seja deixado intacto no animal. 

HIPOTIREOIDISMO

Hipotireoidismo ocorre com maior frequência em cães castrados, mas a relação causa e efeito ainda não foram estabelecidas. A incidência de hipotireoidismo em cães é de 0.2% e 0.3% e algumas raças, como o Doberman, Golden Retriever e Dachshunds são mais propensos à doença. 

DIABETES MELLITUS 

Gatos, machos e fêmeas, castrados, tem demostrado possuir um risco maior de desenvolver diabetes mellitus em comparação com animais não-castrados. Outros fatores de risco para o desenvolvimento da diabetes incluem: raça ( Burmeses tem uma maior incidência ), sexo ( machos são os mais propensos ), obesidade e idade.  

gatos machos obesos são os mais propensos a terem diabetes 
Teorias recentes sugerem que uma dieta cheia de carboidratos como a ração seca também seja um fator de contribuição para o desenvolvimento da doença em gatos. 


Um possível risco para o aumento do desenvolvimento da diabetes foi apontado em machos castrados, mas também associado à obesidade. 

Mais pesquisas sobre o assunto são necessárias

NEOPLASIAS

Há uma preocupação que a castração precoce possa aumentar o risco de alguns tipos de neoplasia. Para que possamos balancear o assunto, qualquer discussão sobre neoplasias também deve acompanhar a diminuição dos riscos do animal desenvolver outros tipos de neoplasia. 

Por exemplo, tumores nas glândulas mamarias são o tipo mais comum de tumor em cadelas, com uma incidência reportada de 3.4% e são o terceiro mais comum em gatas, com incidência de 2.5%. Em cadelas, 50% dos tumores são malignos e para gatas, a porcentagem sobre para 90%. 

Cadelas e gatas não-castradas tem um risco muito maior de desenvolverem tumores mamários do que animais castrados. Estudos mostram que o risco de desenvolver a doença em cadelas castradas antes do primeiro cio é de 0.5%. Após o primeiro cio, a chance aumenta para 8.0% e após o segundo cio, a chance é de 26%. 

tumor de mama em cadela 

Muitos veterinários acreditam que a castração diminui os riscos de câncer de próstata nos machos, mas estudos indicam que animais castrados tem, na verdade, 2.4 – 4.3% mais chances de desenvolverem tumores de próstata que cães não castrados. No entanto, a incidência desses tumores nos cães castrados é de apenas 0.2%-0.6%. 

A relação causa e efeito ainda não é conhecida, mas a castração protege o animal de outras doenças prostáticas muito mais comuns em cães não-castrados, como, por exemplo, a hiperplasia prostática, hiperplasia cistítica, metaplasia escamosa, cistos paraprostáticos, inflamação da próstata e abcessos prostáticos. 

Outro tumor que tem sido associado com a castração é o hemangiossarcoma. Fêmeas castradas tem 2.2 vezes mais chances de desenvolverem hemangiossarcoma hepático e 5 vezes mais chances de desenvolverem hemangiossarcoma cardíaco do que fêmeas não-castradas. No entanto, a incidência geral de tumores cardíacos é de apenas 0.19%, tornando-o bastante incomum em relação a outros tumores. 

Acredita-se que a incidência de osteosarcoma é de 2%, mas a castração pode aumentar o risco da doença em 1.3 a 2.0 vezes. Em um estudo limitado com Rottweilers por COOLEY, houve um aumento significativo da doença em cães castrados antes de 1 ano de idade ( o que não é considerado castração precoce ), mas de uma forma geral a incidência da doença nesta raça é muito mais alta do que em qualquer outro animal. 

Além disso, neste estudo, a expectativa de vida das fêmeas castradas era mais longa do que a de fêmeas não-castradas. Não é possível generalizar o efeito em todos os cães a partir deste único estudo. 

Carcinoma celular transicional é o tumor mais comum do trato urinário em cães. Animais castrados tem um risco maior de 2-4 vezes de desenvolverem a doença do que animais não-castrados. No entanto, a relação causa e feito não foi bem definida, e este tipo de tumor em cães é reportado como somente 1% dos casos de todos os tumores malignos. 

Tumores testiculares aparecem como 90% dos tipos de câncer do sistema reprodutor masculino. Apesar de muitos fatores podem ser responsáveis por seu aparecimento, o criptorquismo ( uma falha em que o testículo não desce para a bolsa escrotal, permanecendo na cavidade abdominal ) é o maior fator de contribuição para o aparecimento da doença. 

criptorquismo em cão 

Metástase é considerada baixa para estes tipos de tumores e a castração é, geralmente, a terapia de prevenção e curativa. 

RESULTADOS A LONGO PRAZO 

Muitos estudos tem associado a castração precoce e castração em qualquer idade a várias condições de saúde, no entanto, na maioria das vezes, uma direta relação entre causa e efeito ainda não foi determinada. 

Além disso, muitos dos problemas de saúde apontados, como  o hemangiossarcoma são extremamente raros e influenciado por outros fatores como hereditariedade, raça, idade, dieta, peso e ambiente. Eles também ficam em segundo plano, quando pensarmos nos benefícios que a castração precoce pode trazer ao animal em condições muito mais comuns, como tumores de mama, piometra e neoplasia benigna da próstata. 

Baseado nos conhecimentos atuais, médicos veterinários devem se sentir confortáveis para instruir os tutores de seus pacientes sobre a melhor idade para castrar cães e gatos. 

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