Hoje o plano original era pegar o gato que faltava do terreno do #45 e pegar o gatinho com sarna da área da #58, que está em estado critico.
Quando chegamos ao terreno, avistamos todos os gatos castrados anteriormente, inclusive as duas últimas fêmeas e o amarelo que arrancou um pedaço de nós. Estavam todos bem. O único que faltava, um gatinho amarelo do peito branco, também estava lá.
Com a armadilha preparada, uma senhora se aproxima do terreno, já perguntando o que estávamos fazendo ali. Explicamos. E ela perguntou onde estavam os "filhotes" da gata branca - que na verdade foi operada com piometra.
Explicamos novamente o que havia acontecido, demos todas as informações sobre a clinica e o veterinário para que ela checasse. A senhora começa a nos contar que a anos "cuida" dos gatos do local, que deveríamos ter pedido permissão.
Por quase 1 hora ela voltava para os mesmos argumentos sem base, mesmo com toda a nossa paciência em tentar explicar o projeto, que cada gato ali estava castrado, que havia recebido uma consulta médica, que eu não tiraria do meu bolso por algo que não seria necessário e que eu, assim como ela, também gostava dos gatos.
Coloquei-me a disposição para mostrar todos os outros focos da colônia, dei o endereço do projeto para ela na internet, com as fotos e fichas de cada animal. Ela me disse que em sua casa havia 12 gatos, todos retirados da rua. Reclamou na dificuldade de doar e que gostaria de adotar os gatos do terreno ( FERAIS! ) mas sua mãe que não queria mais animais em casa.
Reclamou até do fio absorvível e perguntou se os gatos eram "mesmo" anestesiados para as cirurgias ( oi? )
E nos contou que uma das gatas, a alguns meses, teve que ser ajudada por ela pois começou a parir e os filhotes ficaram presos no canal de nascimento, vindo a falecer. E mesmo assim ela não castrou a mãe.
Explicamos que as gatas estavam bem, ela disse que queria levar a gata que teve piometra para uma ultrassonografia, pois estava "com medo de terem feito macumbaria ou experiências" com os gatos e disse que não entendia como eu conseguia pegá-las. Mostrei a gatoeira e falei que havia feito um seminário no Canadá a respeito e que o projeto havia até mesmo saído em uma reportagem em São Luís.
Ela contou que havia pego os filhotes da gata branca para doar e expliquei que já estavam castrados, o que a espantou, já que sua veterinária não realiza castração pediátrica, esperando nas fêmeas após o primeiro cio ( e possivelmente após uma primeira prenhez ) para esterilizá-las.
Ela parecia já ter entendido e até concordado com nossas ações, até que falou na questão das orelhas. Mesmo explicando todos os motivos, como sempre faço, e até pedindo uma alternativa, ela nos acusou de estar "fazendo experiêncas com os seus gatos" se zangou e saiu andando de volta para a sua casa, acabamos não capturando o gato restante do terreno.
A conversa durou um pouco mais de 1hr e por todo o tempo, na minha cabeça, eu me perguntava se realmente estava escutando aquilo, de tão surreal a situação.
Então a pessoa achava melhor que os animais ficassem reproduzindo no terreno, do que castrar? E já que os gatos "são dela", o que fazem nas ruas, sujeitos a todos os perigos? O que fazem as fêmeas parindo repetidamente e até tendo problemas de saúde por conta disso? E, se estava tão preocupada com a gata operada, por que não aceitou nossa ajuda para capturá-la e levá-la ao veterinário?
Em outros países as pessoas que praticam C.E.D recebem prêmios e são apoiadas e respeitadas em sua comunidade. As pessoas que praticam C.E.D aqui no Brasil possuem minha grande admiração pois sei o quanto é difícil. Mas parece que somente arriscar os dedos, investir horas e MUITO dinheiro não é suficiente para provar que nos importamos ou para que não sejamos acusadas de coisas absurdas.
O projeto Felinos Urbanos sempre agiu da melhor forma possível com estes gatos e com muita clareza, em respeito a todos as pessoas que nos apóiam. Acredito, fortemente, que os gatos do projeto recebem o MELHOR manejo, atendimento veterinário e cirurgias de toda a São Luís.
Nem mesmo os proprietários dos gatos da cota social reclamaram da marcação das orelhas após a explicação.
Estamos dentro dos padrões de projetos ao redor do mundo inteiro e de SP, Santos e RJ. A única diferença é que nossas castrações não são financiadas pelo governo ou município.
É uma pena que uma mente ignorante possa desferir essas palavras e não levar em consideração o bem estar dos animais que diz cuidar e gostar.
Felizmente todo esse acontecimento não foi o bastante para nos impedir de fazer o bem.
Pudemos finalmente capturar o gatinho com sarna - apelidado de Frankstein - e ajudá-lo.
E assim, ele se tornou o #69
 |
| lado do pescoço, crostas e ferimentos |
 |
| orelhas e topo da cabeça |
 |
| outro lado do pescoço |
 |
| ombros |
 |
| gatinho já medicado contra sarna e castrado |
Por ser feral não foi possível mantê-lo internado, mas ele recebeu uma medicação para a sarna que possuí um alto nivel de sucesso a curto prazo. Irei ficar monitorando-o para perceber melhoras.
#69 na caixa, fomos para a area da #67 - estava linda, brincando de subir em uma arvore próxima - e também avistamos o #54, plenamente curado de seus ferimentos de briga e bem saúdavel :)
E depois de alguns minutos de espera, capturamos a nossa 70º felina urbana, mais uma gatinha feral! :)
 |
| linda tricolor :) |
 |
| cirurgia finalizada :) |
 |
| 1 pontinho :) |
 |
| orelhinha marcada |
Os gatos passam bem e estão dormindo. Serão liberados amanhã assim que acordarem plenamente da anestesia :)
O Felinos Urbanos se deixa à disposição pra sanar qualquer duvidas em relação ao manejo e cirurgias desses animais que não ficaram claros em nossos textos informativos.
Raspamos todas as nossas economias e encerramos as castrações pelo mês de fevereiro. Obrigada por toda a ajuda e apoio nestes 70 gatos, esperamos que possamos em breve completar os nossos 100 primeiros animais ajudados :)
E, tenham certeza, todos os nossos atos são feitos com respeito e amor a estes gatinhos.