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domingo, 3 de junho de 2018

A identificação das orelhas para gatos de C.E.D

A marcação das orelhas é parte fundamental de uma iniciativa de CAPTURA, ESTERILIZAÇÃO e DEVOLUÇÃO. 

Todos os gatos que passaram pelo método precisam desta identificação. 

Os gatos ferais e ariscos de colônia não aceitam aproximação humana ou manejo se não estiverem anestesiados, então é impossível reconhecer os gatos castrados a distância sem a marcação da orelha. 

Animais já castrados e que não possuem a marcação de orelha são novamente submetidos ao stress de captura e ao risco anestésico, sem motivo, além de ser uma perda de dinheiro e tempo para quem está envolvido com o controle reprodutivo destes animais. 

marcação reta da orelha ESQUERDA é uma sinalização internacional utilizada em quase todos os mais de 40 países que praticam C.E.D. 

Um dos poucos exemplos de marcação diferente é a marcação do Japão, onde os gatinhos beneficiados são chamados "SAKURA NEKO" ou gatinho cerejeira, pela marcação se assemelhar à pétala da flor do país. 

Marcação do Japão 

Não existe outra forma de identificação? Não. 

Tatuagens - não é facilmente visivel, sendo necessário captura e anestesia do animal. Causa dor na recuperação e fica escondida sob os pêlos. 

Etiquetas plasticas na orelha - a orelha do gato é muito fina. A etiqueta pode causar infecção,  ser arrancada  ou causar ferimentos quando o animal se esconder em arbustos, além de incomodar continuamente. 

Coleiras - não são efetivas ou seguras. Os gatos podem engordar e serem enforcados ou emagrecerem e as coleiras cairem. Tambem há risco de enforcar o animal se ele se prender em algum arbusto. 

Microchips - não são efetivos pois também é necessário captura e sedação. No Brasil, muitos médicos veterinários não possuem os microchips ou aparelhos para leitura. 

Por que a marcação reta é a melhor opção? 

A marcação reta não atinge vasos sanguíneos importantes da orelha do gato, não causa desconforto, é feita enquanto o animal ainda está anestesiado da castração e cicatriza quase que imediatamente. 

Nas marcações de aba e meia lua, vasos sanguíneos são atingidos e os animais podem abrir ainda mais o ferimento, pois, durante a cicatrização, coça e os animais podem alcançar com as unhas. 




A marcação reta possibilita a visualização destes felinos furtivos a distância e de forma clara. 

Mesmo gatos semi-domiciliados de pessoas carentes devem ser marcados, já que eles tem acesso livre à rua. Em alguns países todos os gatos castrados recebem uma marcação. 

"Ah, mas marcar o gato manso pode dificultar a adoção dele."

MITO. Uma boa parte dos gatos que vão para adoção nos EUA, por exemplo, passaram pelo C.E.D antes de terem a chance de serem adotados e seus tutores não tem nenhum problema com a marcação. 

Quem quer adotar e amar um gato irá fazê-lo independente da cor, idade ou marcação da orelha. 

Nosso querido Magnus e sua orelhinha charmosa 

Ao realizar uma ação de C.E.D em uma comunidade ou bairro, a marcação da orelha ajuda na educação e conscientização dos moradores, ao identificar aquele gato marcado como um animal que não irá reproduzir ou causará aborrecimentos com marcação de território com urina ou vocalizações excessivas de acasalamento ou brigas. 

O incômodo que o felino sente ao ser identificado é o mesmo que ele sente durante a cirurgia de esterilização, ou seja, nenhum, assim como não sentem falta do útero, ovários ou testículos. 

A imagem pode conter: gato
em 2017, fizemos um calendário somente com nossos Felinos Urbanos de orelhas marcadas


A marcação é feita enquanto o animal ainda está sob o efeito da anestesia. 

Nos primeiros Felinos Urbanos foram utilizadas marcações de aba, por resistência do médico veterinário, mas no gatinho #24, em novembro de 2011, mudamos para a marcação internacional. 

É necessário que todos que fazem C.E.D no Brasil entendam a importância da marcação destes animais e o modo correto de fazê-lo. 



terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Castração Precoce: beneficios e melhores práticas

Texto traduzido de: Castração Precoce: benefícios e melhores práticas, da ASPCA     ( maior associação americana de bem estar animal, fundada em 1866 ). 

Falando de uma maneira geral, a castração precoce se refere à esterilização de machos e fêmeas de cães e gatos antes da idade tradicional de 6 meses de idade. O tema vem sido debatido entre veterinários através dos anos, com a maior preocupação sendo para os cirurgiões que atendem estes animais entre 6-8 semanas de idade ou aproximadamente 1kg. 


campanha de castração precoce da Alley Cats Allies, grupo pioneiro de C.E.D nos EUA


Pesquisas, no entanto, revelam que existem muitos benefícios da castração precoce e muitos medos são infundados. 

O texto a seguir foi escrito pela médica veterinária, presidente do departamento de Medicina do Coletivo da ASPCA, Dra.Lila Miller. 

BENEFÍCIOS DA CASTRAÇÃO PRECOCE 

1- Veterinários que estão habitados com o processo cirúrgico e anestesia concordam que a castração precoce é muito menos estressante psicologicamente para os pacientes mais jovens. 

2- Filhotes devem ser submetidos a um jejum de APENAS 2-4 horas, prevenindo assim o risco de hipoglicemia. 

3- Filhotes estão plenamente acordados geralmente uma hora após o procedimento, então eles podem receber pequenas porções de comida e levados para casa no mesmo dia, evitando assim o stress da internação hospitalar. 


filhotes doados após a castração NUNCA serão parte do problema da superpopulação de animais 

4- Veterinários com experiência na prática relataram que a cirurgia é mais rápida, fácil e menos estressante para o paciente e para o cirurgião. 

5- As complicações operatórias em castração precoce são muito poucas. 

6- Castrar uma fêmea antes do primeiro cio tem um efeito protetor eficaz em relação ao desenvolvimento de tumores de mama. 


7- A castração precoce custa menos, financeiramente, já que são utilizados menos materiais, é necessário menos auxiliares no pré, pós e durante o procedimento cirúrgico e monitoramento. 

8- Se o procedimento for feito no período das ultimas vacinas, aos 3-4 meses de idade, o veterinário não precisa se preocupar com esquecimento por parte do cliente. 

A castração pode ser incluída no “pacote de cuidados do filhote”, juntamente com a vacinação e vermifugação. Atraso na castração é geralmente a causa do nascimento de ninhadas indesejadas que acabam abandonadas. 


                                      por serem animais que reproduzem nos dias mais longos e quentes,                             algumas gatas podem entrar no primeiro cio aos 4 meses de idade

9- O conceito de “saúde única” que promove uma ligação entre saúde humana e animal requer que o médico veterinário seja parte na solução de problemas da comunidade. Estudos mostraram que animais não-castrados são muito mais propensos a serem abandonados do que animais esterilizados. A castração precoce é um componente essencial de ajuda à comunidade para resolver o problema do número de eutanásias de animais abandonados nos EUA. 


filhotinha de 3 meses esterilizada com tecnica de gancho, minimamente invasiva 

10- As melhores estratégias são: educação sobre guarda responsável, aumentar os esforços para adoção de animais, aconselhamento para os tutores sobre como resolver possíveis problemas de comportamento e a prevenção do nascimento de ninhadas indesejadas. 

A castração é uma parte da solução que apenas os médicos veterinários podem oferecer. 


sábado, 5 de março de 2016

C.E.D - Como começou?

Informalmente, o C.E.D ( Trap Neuter Return em inglês, TNR ), iniciou-se no final dos anos 1950, quando já havia registros de pessoas que esterilizavam gatinhos de vida livre na Inglaterra. 

Em 1960, o movimento tomou força e conhecido, quando Celia Hammond, uma modelo e amante dos gatos, começou a divulgar suas ações com controle populacional de felinos urbanos, uma vez que suas tentativas de domesticar estes animais ferais e ariscos e encaminhá-los para adoção se mostraram ineficientes. 


Celia Hammond 


Em 1970, Celia possuía um acervo detalhado de informações sobre as colônias felinas em que atuava e, pouco tempo depois, mostrou resultados de como as populações haviam se estabilizado, que os gatos castrados não permitiam animais inteiros ( que iriam se reproduzir ) adentrassem em seus territorios e como a qualidade de vida dos animais havia melhorado significativamente. 

Ela apresentou o C.E.D para a National Cat Rescue Commitee, uma organização britânica e, com o apoio de várias outras instituições , em 1980, em um simpósio sobre o manejo de gatos ferais, entenderam a importância deste método para o bem estar destes animais.

As ações anteriores de apenas retirá-los de seus locais de origem ( ou soltá-los em outro local ), trancafiá-los em abrigos e depois eutanásia-los pela impossibilidade de adoção, não era uma solução definitiva ou humana e, principalmente, não era economicamente viável, pelos recursos utilizados para a captura e extermínio destes animais, pois em pouco tempo outros felinos apareciam e continuavam a se reproduzir, dando continuidade ao problema. 

gatos ferais são seres magnificos e precisam ser protegidos 

A colaboração de veterinários e entidades da Dinamarca, que desde 1970 também utilizavam C.E.D foi de extrema importância para a aceitação da prática na Europa. 

Em 1981, a RSPCA ( Sociedade Real para Prevenção de Crueldade contra Animais ) mostrou seu apoio na esterilização de colônias felinas, como uma ferramenta para o bem estar animal. 

Em 1984 um estudo feito pela médica veterinária Jenny Remfry e seu assistente Peter Neville, apresentava os benefícios do C.E.D em colônias urbanas em Londres, analisando os efeitos para os animais e a melhora na aceitação deles por parte de seus vizinhos humanos, pelos benefícios comportamentais causados pela castração. 

gato feral beneficiado por C.E.D em universidade de Londres

1990 foi o grande ano para o C.E.D, quando Ellen Perry Berkeley, uma utilizadora e pesquisadora da prática e autora do livro "Maverick Cats: Encounters with Feral Cats"         (onde descrevia sua experiência com uma colonia felina em Vermont), publicou o artigo FERAL CATS”,  e várias pessoas que já se preocupavam com a situação daqueles animais começaram a aparecer e se reunir, algumas com mais de 20 anos de experiência com gatos ferais, além de despertar nos amantes de felinos uma nova maneira de               ajudá-los. 

primeiro livro publicado sobre gatos ferais 

Com o nascimento Alley Cats Allies no final de 1991, a primeira organização de C.E.D nos EUA, e a criação da Feral Friends Network, mais de 1400 pessoas de 47 estados e 12 países estrangeiros se uniram para troca de experiências e informações sobre gatos ferais, manejo e captura. 

Organizações de bem estar animal e a Associação Americana de Veterinários, começaram a se interessar pelo assunto e realizar eventos para educar e ensinar sobre o C.E.D, já que resgate/adoção/eutanásia eram as únicas alternativas que conheciam até o momento. 

Apesar das dúvidas, incertezas e opositores, o C.E.D nos EUA ganhou uma força tremenda em várias esferas da sociedade e é praticado em quase todo território nacional. 

mapa das cidades/estados que praticam C.E.D nos EUA

O DIA NACIONAL DO GATO FERAL, criado em Outubro de 2001, consolidou a importância da prática para o bem estar animal e dedicação de seus cuidadores.

Dia Nacional do Gato Feral pela Alley Cats Allies 

Atualmente existem 43 países que oficialmente adotaram o C.E.D como método de controle populacional e a cada dia ganhamos mais adeptos!

No Brasil o C.E.D caminha de forma lenta, mas progressiva. Não podemos esperar mudanças imediatas de uma população e governantes que nunca colocaram o bem estar animal como prioridade ou parte integrante da sociedade como um todo, onde os níveis de abandono e crueldade são alarmantes, mostrando que ainda temos muito o que evoluir. 

Um de nossos grupos pioneiros, o Bicho no Parque, já a atua a mais de 15 anos em parques urbanos de São Paulo, com o auxilio do CCZ municipal. 

Praticantes de C.E.D brasileiros estão espalhados pelos 4 cantos do país, mesmo aqueles que não saibam exatamente que suas atividades tenham essa nomenclatura, mas o importante é que, gradativamente, o número de pessoas dedicadas ao C.E.D está crescendo significativamente e estes gatinhos tão especiais estão ganhando cada vez mais respeito e aliados em prol do seu bem estar. 

Informações tiradas do livro: TNR, Past, Present and Future - Ellen Perry Berkeley

sábado, 1 de agosto de 2015

Então você quer fazer C.E.D? 8 passos para começar

A CAPTURA, ESTERILIZAÇÃO e DEVOLUÇÃO foi considerado pela ASPCA ( Sociedade Americana para Prevenção de Crueldade Contra Animais ) o “metodo mais humano, efetivo e economicamente viavel para controlar e reduzir a população de felinos pelas ruas” e dezenas de países mundo à fora são favoráveis à prática, entendendo a importancia da castração para evitar e minimizar o sofrimento destes animais eos beneficios para toda a sociedade.

O impacto positivo a curto, médio e longo prazo é claramente visivel logo depois do inicio dessas atividades em uma area urbana, seja ela a rua em que você mora, seu bairro ou até mesmo em toda uma cidade. Os gatos castrados não permitem a aproximação de animais inteiros e, com o tempo, as colônias felinas desaparecem, naturalmente.

Lidar com gatos ferais exige comprometimento, treinamento e sangue frio, pois eles são verdadeiras feras selvagens. Mas, acima de tudo, é necessário muito amor para lidar com estas vidas que apenas são vitimas de nossa irresponsabilidade. Gatos ferais e ariscos são o resultado da não-castração de gatos com donos. 

Aqui iremos descrever um passo-a-passo para você que decidiu embarcar nessa jornada gratificante que é o controle populacional de felinos de colônia 

1- VEJA VÍDEOS SOBRE CAPTURA E ESTUDE TUDO O QUE ENCONTRAR SOBRE C.E.D 

Com o tempo, C.E.D se torna algo rotineiro e automático, mas as primeiras capturas podem ser tensas, por causa do stress dos animais. Assista vídeos, fale com pessoas já experientes no assunto, veja fotos e leia artigos a respeito. Tire todas as suas duvidas antes de começar. C.E.D não é para aqueles fracos de coração. Gatos ferais podem ser criaturas assustadoras no primeiro momento, mas eles apenas estão evitando o contato humano. 



2- ESTEJA CIENTE QUE IRÁ RECEBER CRITICAS

Infelizmente o C.E.D no Brasil ainda é muito novo e criticado por pessoas que não conhecem o processo e intenção da prática. Você será acusado de "abandonar animais", de "não oferecer recuperação cirúrgica", "mutilação no CORTE das orelhas" entre outros absurdos que podem ser refutados com estudos e experiencia por grupos em todo o mundo. 



As criticas irão somente alcançá-lo se você der abertura para isso. E geralmente virão de pessoas que não colocam a castração como prioridade e acreditam que abrigos é o melhor local do mundo para um animal. 

3- ENCONTRE UM VETERINÁRIO QUE FAÇA CASTRAÇÃO COM TÉCNICA DE GANCHO E A MARCAÇÃO INTERNACIONAL NA ORELHA ESQUERDA. 

A castração de técnica de gancho é minimamente invasiva e A ÚNICA FORMA de realmente assegurar uma soltura eficaz e segura para as fêmeas. A incisão é do tamanho de uma unha do dedo mindinho e a sutura na pele é com fio absorvível. 

A incisão reduzida minimiza o risco de hernias e infecções, além de proporcionar uma recuperação mais rapida para as femeas. 



A marcação da orelha esquerda é um procedimento INTERNACIONAL que sinaliza animais beneficiados em ação de C.E.D. Após a castração com o animal ainda anestesiado, a ponta da orelha é pinçada com uma pinça hemostática reta e longa, a lamina do bisturi é esquentada com chama ( não é possivel usar bisturi eletrico, pois estoura, literalmente, a orelha do animal ) e é feito a marcação rapidamente, com a própria lamina aquecida cauterizando o local. 



Sem a marcação não é possível identificar os animais já castrados, o que significa stress de captura sem necessidade, gasto de tempo e recursos e, o pior, risco cirurgico ao colocar um animal já castrado novamente em uma mesa de cirurgia e ter suas vísceras reviradas ( no caso das femeas ) apenas para descobrir que o utero não está mais lá.

4- ADQUIRA UMA GATOEIRA ( ARMADILHA ) 

A gatoeira é instrumento fundamental para a captura de ariscos e ferais. Infelizmente no Brasil não existem muitos modelos disponiveis, mas é possivel começar as atividades com o que temos no nosso mercado e/ou usar a criatividade e manufaturar uma. Modelos de DROP TRAP são os mais bem sucedidos, pela possibilidade de pegar vários animais de uma só vez, rapidez e pela facilidade da captura. 

um dos modelos de gatoeira disponiveis no Brasil 

http://www.stopinset.com.br/gatoeira-capturar-gato-gamba

http://www.fermarame.com.br

5- ADQUIRA UMA GAIOLA DE CONTENÇÃO ( PARA O VETERINÁRIO ) 

A maioria das pessoas nunca viu um gato feral. E a maioria dos profissionais em veterinária nunca viu um animal desses de perto. “Ah, mas eu sei lidar com gato bravo”. Nenhum gato domestico estressado ou amedrontado chega aos pés da ferocidade de um gato feral que está, pela primeira vez na vida, perto de seres humanos. A gaiola de contenção irá assegurar a segurança dos profissionais e do proprio gato, minimizando o tempo de manejo e o stress para o animal. 

gaiola de contenção + luva de proteção doada dos EUA para o Projeto Felinos Urbanos 

http://www.metalvet.com.br/departamentos/canil-e-gatil?product_id=82

6- SE VACINE CONTRA RAIVA E COM A VACINA ANTI-TETÂNICA

A raiva e o tétano são doenças sérias que podem ser adquiridas através de mordeduras e arranhaduras de animais. E, acredite, ao lidar com estes felinos, isso irá acontecer. A profilaxia contra raiva             ( vacinação antes da mordedura ) é feita com 3 doses da vacina em intervalos de tempo que serão decididos pelo médico responsável. 


7- ESCOLHA UMA COLÔNIA E ANALISE TODOS OS ASPECTOS DOS ANIMAIS

Qual o bairro? Quantos animais, machos e fêmeas? Quantos residentes e quantos errantes? Quem é o macho dominante? Qual o horário de movimentação deles? Existe alguma fonte de alimento ( lixeiras de casas, restaurantes, etc ) ou alimentador responsável? Onde eles se reúnem?

Conhecer os aspectos da colonia de atuação ajuda a escolher o melhor dia/horário para as capturas e aumentar as chances de sucesso. 



8- CRIE UMA PÁGINA NO FACEBOOK PARA DIVULGAR O TRABALHO 

O Facebook pode ser uma ferramenta poderosa para divulgação e apoio para trabalhos de C.E.D. Tire fotos dos animais após a castração e enumere-os em ordem crescente. Colocar nomes nos animais não funciona. Com o registro fotográfico você tem ideia da epoca que os gatos foram castrados e mais informações registradas, como cores, idade e sexo. 



Parabéns ao optar pelo C.E.D! É um trabalho árduo, mas muito gratificante, ao vermos que, através da castração, estas vidas felinas possam ganhar em qualidade e anos de vida, sem mais se arriscarem com a reprodução, brigas ou colocando mais filhotes nas ruas.


Ass: Otávia Mello ~ Idealizadora do Projeto Felinos Urbanos

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

6 mitos sobre gatos comunitários

Traduzido de - http://www.huffingtonpost.com/matt-bershadker/six-myths-about-your-comm_b_4136974.html

Texto da médica veterinária Margaret Slater, Diretora Sênior do Departamento de Epidemiologia Veterinária da ASPCA. 

1- GATOS FERAIS ESTARIAM MELHOR EM UM ABRIGO 

É importante entender que gatos ferais são como esquilos, guaxinins ou coelhos. A colonia é o lar deles, onde aprenderam a viver, se adaptar e triunfar - geralmente com a ajuda de um cuidador humano. 

A vida em abrigo não é natural e apresenta um futuro muito mais sombrio. Gatos ferais não podem ser adotados e a grande maioria deles que entra em abrigos são eutanasiados, apesar de 99% deles não ter nenhum problema de saúde, fraturas ou doenças. 

gatos ferais forçados à proximidade humana podem se recusar a comer e beber e podem morrer de stress e depressão

Gatos ferais adultos são eutanasiados em maior número, mais do que qualquer outro cão ou gato, incluindo cães adultos, de raças grandes, gatos assustados, cães agressivos, medrosos, com vermes no coração ou gatos agressivos. 

Apesar do que sempre escutamos, ninguem envolvido em bem estar animal DESEJA eutanasiar animais. E muitos dos abrigos existentes estão trabalhar duro para diminuir o número de eutanasias de gatos ferais. 

2- CAPTURA, ESTERILIZAÇÃO e DEVOLUÇÃO É CRUEL

A melhor coisa que você pode fazer por um gato feral é castrá-lo e devolvê-lo à sua colonia original. C.E.D tem se mostrando o meio mais eficiente, humano e com menores custos para estabilizar a população de gatos ferais. 

Com o tempo, de acordo com o Allet Cat Allies, a prática de C.E.D pode significativamente reduzir à zero o número de colonias de gatos ferais. E se você puder separar os filhotes e colocá-los para adoção, você imediatamente reduz essa população. 

gatos castrados em uma colônia monitoradas vivem dias tranquilos e dignos 

Com os números sob controle, gatos de C.E.D possuem mais espaço, abrigo e comida. Eles também possuem menos doenças, já que também são vacinados. E como as femeas são castradas, não irão atrair novos machos para o local. 

Gatos castrados também demarcam menos com urina, fazem menos barulho e tem um risco bem menor de contrairem cancer. C.E.D pode ser várias coisas, mas nunca será uma prática cruel. 

3- GATOS FERAIS ESTÃO DOENTES 

Falso. Gatos ferais castrados são tão saudaveis quanto o seu gato domestico, com baixos indices de doenças e uma estimativa de vida praticamente igual. 

4- O PROBLEMA DA SUPERPOPULAÇÃO DE ANIMAIS PODE SER FACILMENTE RESOLVIDA COM A REMOÇÃO DA COLONIA DE FERAIS

Comunidades as vezes capturam colonias de ferais para eutanasia ou remoção, mas isso está longe de ser uma solução humana ou eficaz. É impossivel capturar todos os gatos e somente um macho e uma femea são o suficiente para a criação de uma nova colonia.

Mesmo se todos os ferais residentes sejam capturados e removidos, novos gatos irão se mudar para o local. O remanejamento destes animais só deve ser uma opção quando há riscos envolvidos e somente seguindo práticas seguras e responsáveis. 

eles são fruto de nossa irresponsabilidade e abandono e é nossa obrigação dar a eles uma vida digna 

O C.E.D é a forma mais simples, efetiva e humana. Se a devolução dos animais incomoda você, lembre-se que estamos falando de animais comunitarios. Você exterminaria ou iria banir a população nativa de esquilos ou coelhos?

5- COM TEMPO E PACIENCIA, QUALQUER UM PODE SOCIALIZAR UM GATO FERAL 

Mesmo se o gato feral parecer com um gato domestico, eles são muito diferentes. Gatos ferais sobrevivem evitando a interação com pessoas. Força-los a conviver com seres humanos pode piorar ainda mais a situação e você pode acabar se machucando se eles se tornarem defensivos. 

tentar domesticar gatos ferais é um desrespeito às suas naturezas selvagens e inflige stress e sofrimento desnecessário

Por isso, as tentativas de socialização destes animais devem ser feitas por especialistas que estejam preparados para os eventuais problemas. Mas, para executar C.E.D, você precisa de um pequeno treinamento e alguma prática. 

Ao mesmo tempo, o seu abrigo local deve ter vários gatinhos amigaveis e brincalhões para que você os adote, então por favor, não tente colocar a reabilitação de um feral acima do ato de salvar uma vida. 

6- OS ABRIGOS AJUDAM GATOS PERDIDOS A SEREM ENCONTRADOS

Ao contrário dos cães, gatos perdidos raramente são procurados por seus donos. 

Alguns estudos apontam que somente uma porcentagem entre 2% a 5% dos gatos perdidos e encaminhados para abrigos, nos EUA, são procurados pelos seus donos. E já que a maioria dos gatos perdidos acaba em sua propria vizinhança, remover o animal e levá-lo a um abrigo diminui significativamente as chances dele voltar para seus donos. 

mantenha sempre uma coleira e placa de identificação no seu gatinho 

Se você tem gatos, uma das melhores coisas a fazer por eles é manter uma coleira com placa de identificação e microchipá-lo, para que você consiga encontrá-lo em caso de fugas e acidentes. 

sábado, 29 de dezembro de 2012

Manejo de Ferais e Ariscos - Contenção para Anestesia

Gatos ferais e ariscos precisam de manejo diferenciado para contenção ao serem anestesiados. 

Estamos falando aqui de animais que podem, literalmente, morrer de stress. Quanto menor e mais rápida a intervenção, melhor. 

expressão corporal tipica de gato feral, orelhas para trás, pêlos arrepiados e rosnado  - gatos ferais não miam

Em outros países já existem clinicas especializadas e somente para grupos e gatos de C.E.D.

Há a utilização de caixas anestésicas  onde o animal é colocado, o gás anestésico é enviado através de um tubo e quando o gato está sedado, é retirado e encaminhado para os cuidados pré-cirúrgicos.

feral em caixa anestesica, já sedado :) 

Nestas clinicas há gaiolas de contenção  que imobilizam o animal, deixando-o na posição correta para que o veterinário se aproxime com segurança para aplicação da anestesia e assim que o gato dorme, é retirado para fazer a preparação pré-cirúrgica. 

um dos modelos de gaiola de contenção disponiveis no mercado ( foto retirada do blog  O TIME DO TIGOR )

Toda a equipe é treinada para lidar com esses animais e pesquisando sobre contenção dos mesmos, pode-se notar o silêncio e calma das operações, que resultam em menor stress para o animal e maior sucesso para contenção e anestesia. 

Os grupos e clinicas que não se utilizam de caixa anestésica ou de contenção, transferem o animal diretamente para sacos de pano, seguros, onde eles são contidos no escuro e facilmente anestesiados, como mostra o vídeo abaixo:



Tanto a gaiola de contenção quanto o saco de contenção remetem à teoria de técnica de compressão da Temple Grandin, onde animais mantidos em espaços menores e suavemente comprimidos liberam hormonios que os acalmam em situações de stress, tornando o manejo menos agressivo. 

Mesmo com essas ferramentas, o tempo é fundamental. Animais stressados demoram mais para sentir o efeito da anestesia e se recuperam mais lentamente da mesma. Ataques cardíacos também podem ocorrer. 

Infelizmente ainda não fomos capazes de comprar esse equipamento, mas está em nossas pretensões, talvez para 2013 :) 

Algumas vezes consegui fazer uma adaptação de gaiola de contenção  colocando os gatos em módulos na clinica veterinária e empurrando-os com placa de divisão pelo lado contrario, mas esse manejo demorava muito, resultando em agitação desnecessária para o animal. 


O nosso protocolo de contenção e anestesia é o cambão ( laço emborrachado ) no peito do gato. 



Coloca-se o gato em um modulo gradeado com pouco espaço, o laço é passado pela cabeça e patas dianteiras. Com o animal laçado, o colocamos contra a grade para que o veterinário aplique o anestésico  sem riscos. É necessário força no braço de apoio e atenção, pois caso o laço afrouxe, o gato não irá hesitar em atacar para fugir da aproximação humana. 

Por pior que sejam os rosnados e urros, uma vez enlaçado, o gato NÃO PODE ser liberado até que a anestesia seja aplicada, para evitar um segundo manejo e mais stress ao animal. 





NUNCA deve-se colocar cambão ou qualquer outro tipo de laço no pescoço de qualquer gato, sob o risco de enforcar, asfixiar e até mesmo quebrar o pescoço do animal. 



No caso de gatos ariscos ou assustados, tentamos evitar o uso do cambão. 
Utilizamos então luvas de proteção que nos foram doadas, para o manejo dos mesmos. 

luvas de proteção que vão até o cotovelo :)

Os gatinhos são retirados da caixa até a metade, expondo as patas traseiras e quadril. Utilizamos a pele extra no pescoço ( o mesmo ponto onde eles são carregados pelas mães ) e os imobilizamos, sem causar dor. Depois da aplicação, os colocamos de volta nas caixas, para que se sintam seguros e os retiramos quando adormecem. 

gatinho imobilizado :) 

Sim, os ferais são animais complicados, mas devemos sempre nos lembrar que as atividades de C.E.D devem priorizar a integridade física dos mesmos, nunca os colocando em riscos desnecessários. 

É necessário muita empatia pelo animal que será anestesiado e posteriormente castrado, que já se encontra em situação de stress. 

Aqui no Felinos Urbanos consideramos cada um dos gatinhos beneficiados como nosso enquanto estão sob nossos cuidados e exigimos de nós mesmos o mesmo grau de cuidados que ofereceríamos para nossos animais.

Um manejo humanizado e o mais gentil possível é o minimo que podemos oferecer :) 




terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Jeff Young e a Castração Precoce - Palestra - parte final


Gatos, C.E.D, Reprodução Indiscriminada e Educação de pessoas

(23:30) 



 
"Algumas razões para grupos de proteção não gostarem muito de mim:


o papel de protetores e ongs 

1-     Abrigar animais nunca irá resolver o problema da superpopulação. Se você tiver 100 canis, terá 120 animais dentro deles e isso não resolve nada. E isso faz alguma diferença para estes animais, como indivíduos? Na verdade, essa situação piora ainda mais as coisas.
2-    Você PRECISA 
garantir que nenhum animal adotado irá reproduzir
3-    Você PRECISA educar as pessoas. 
4-    Você PRECISA estabelecer uma campanha de Captura, Esterilização e Devolução de ferais.
 
Não há discussão sobre esse assunto. Gatos tem muitas ninhadas por ano, é quase algo perpetuo e, no final das contas, 80% destes filhotes que estão em abrigos nos E.U.A, que vão para adoção, são filhotes de gatos ferais ou errantes, não dos que tem dono, já que sabemos que a maioria dos gatos com donos já estão castrados. E também é preciso identificar quando um gato pertence a alguém. 

A pessoa chega ao consultório: “este gato tem um abcesso, não é o meu gato, eu só o alimento nos últimos 3 anos.” Quando ele se torna o seu gato? É nessas situações que, sem duvidas, como profissionais e como grupo, fazemos um trabalho bem ruim de educar as pessoas em relação aos gatos. Estamos bem com os cães , já o consideramos animais da família, 65 a 80% das pessoas consideram os cães animais da família, mas não consideramos os gatos da mesma forma.

Provavelmente a domesticação dos cães tem um grande papel nisso, pois foram os primeiros animais a serem domesticados pela humanidade, entre 80 a 100 mil anos atrás. Temos uma conexão mais antiga com eles. Gatos, só temos contato com eles entre 6 a 10 mil anos atrás. Ainda não estamos lá. Talvez nos próximos mil anos possamos considerá-los com outros olhos.

Há grandes instituições que possuíam enormes recursos financeiros para construir inúmeros canis, mas chegaram a conclusão que isso não fazia sentido. Ao invés de canis, investiram em centros cirúrgicos para castração, para realizarmos mais castrações e oferecer as cirurgias por um preço acessível, contratar um treinador de cães e um especialista em comportamento animal para educar os donos e evitar abandonos nos abrigos. “Por que você está abandonando este cão? Ele faz xixi na casa inteira.”

Ele faz isso por não estar castrado. Apenas ao castrá-lo você reduz a probabilidade deste problema em cães em 70% e em gatos em 90%. É aí que está o nosso papel, como veterinários, como futuros veterinários. Mesmo se você exterminar este problema em particular, você ainda terá pessoas trazendo os animais aos abrigos por motivos ridículos. A pergunta é: podemos devolver estes animais a seus lares de origem, corrigindo o problema? É aí que entra a modificação de comportamento, o treinamento e a educação de pessoas também. São coisas muito importantes.

Os benefícios x malefícios médicos da castração precoce:
1-    melhora comportamental,
2-    redução da incidência de cânceres
3-    maior estimativa de vida
4-    não irão reproduzir
5-    obesidade
6-    incontinência?


Mesmo quando falamos de incontinência, o argumento não é valido quando consideramos a diferença entre vida e morte. Apenas não faz sentido.

Alguns veterinarios dizem que, se castrarmos todos os animais, não teremos de onde ganhar dinheiro. E eu digo, se castrar tudo, irei vender drogas. É apenas uma questão de pespectiva ( risos ).

E voltamos ao ponto de buscar a real causa das coisas.

Vegetarianos vivem 7 anos a mais. E por que isso? Não somente por serem vegetarianos, mas eles possuem um certo estilo de vida mais saudável. Ajuda que sejam vegetarianos? Claro. Provavelmente não terão um ataque cardíaco, mas também possuem probabilidade de ter alguns tipos de câncer.

Dizem que alguns tipos de câncer são mais comuns em animais castrados 

( raças como Golden Retriever ), mas, novamente, como são as especificidades dessa população? E isso representa menos de 0.2% de casos nestes cães. Qual a importância disso quando você se depara com milhares, milhões de animais sendo mortos? Não é um fator valido.

Adoro cães de raça pura, não tenho problemas com criadores bons e legítimos reproduzindo cães bons e legítimos. 

Quando você recebe no consultório um Lulu da Pomerania, comprado em uma petshop, que custou bem barato e os donos estão pensando em reproduzi-lo, com 3 meses pesa quase 14 kilos. Mesmo sem conhecer muito bem sobre a raça, sei que eles não devem pesar quase 14 kilos, deve ter um chow-chow por aí, isso não é um Lulu da Pomerania. Mas a pessoa tinha um papel dizendo que é um Lulu e queriam reproduzi-lo. 
Qual sua postura como veterinário? A minha é: ele deve ser castrado, se você não o quiser, ali está a porta, pode sair.

Tenho um estabelecimento veterinário completo, podemos fazer de tudo, mas nada deixa nossas instalações sem ser castrado. Devemos ser a única instituição dos E.U.A que oferece serviços a baixos preços e, da ultima vez que chequei, tínhamos 15 mil clientes registrados.

Aqui estão alguns cuidados para castração precoce:





1- Hipoglicemia, hipotermia e hipotensão são as maiores preocupações em filhotes

2- Vermifugar e vaciná-los vários dias antes da cirurgia
3- Jejum de 2 horas antes da cirurgia, para gatinhos e de 4 horas para cãezinhos 
4- Administrar glicose oralmente 10-20 minutos antes da cirurgia ou após, se necessário 
5- Administrar soro cutâneo aquecido antes da cirurgia ou diretamente após o procedimento 
6- Manter todos os filhotes em superfícies aquecidas durante a cirurgia e recuperação
7- Fazer com que a preparação cirúrgica seja a mais rápida possível, usando materiais de sutura não-reativos. 



E, finalizo com: eles não morrem! Você realmente precisa fazer algo de muito errado para matar um filhote em uma cirurgia de castração. Em um mundo ideal eles estariam vermifugados, vacinados, etc, mas não estamos em um mundo ideal.
Quando estão muito doentes, espero uns 2 dias antes, sob cuidados, para operá-los. Se tiverem batimento cardíaco, vamos castrá-los. Pelo menos eu posso impedir que eles reproduzam.

As grandes vantagens da castração precoce:





1- Nível extremamente baixo de complicações 
2- Nível extremamente baixo de mortes
3- Recuperação extremamente rápida 
4- Tempo de cirurgia reduzido ( menos anestesia, menos materiais, menores custos )
5- Aumenta os benefícios gerais da castração 
6- A certeza de que estes animais nunca irão reproduzir

Alguém já viu filhotes acordando da anestesia? É fenomenal! Dentro de uma hora eles estão brincando, comendo, como se nada tivesse acontecido. Do outro lado você tem o animal de 9 anos de idade que passa dias dormindo, quando se levanta está todo dolorido e você gasta um monte de dinheiro em anti-inflamatórios e ainda tem uma chance maior de complicações.

Castração precoce é o melhor segredo da medicina veterinária e, sinceramente, não sei porque todos os veterinários não estão fazendo. É a coisa mais bem sucedida a se fazer. E, o mais importante, estes filhotes nunca irão reproduzir. 
O que é o nosso objetivo. 

Tudo que chega a nosso hospital, é castrado.
Não tenho problema em aceitar animais abandonados, mas se alguém chega com uma caixa de gatinhos, a primeira coisa que pergunto – onde está a mãe? 
Eu posso parar o ciclo de abandono naqueles gatinhos, mas preciso da mãe que continua nas ruas. Ah, a mãe é feral? Aqui está a armadilha, capture-a e traga-a para mim e eu cuidarei dos filhotes para você.

(32:57 ) Realmente não há razão para seus veterinários não estarem fazendo isso.