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sábado, 12 de janeiro de 2019

Imunodeficiência Felina - FIV



grupo pioneiro de C.E.D nos EUA  

O virus da Imunodeficiência Felina é um retrovirus da subfamilia dos letivirus. 
A forma primaria de transmissão é através de ferimentos causados por mordidas. Já que gatos castrados brigam muito menos do que gatos inteiros, a transmissão de FIV pode ser significativamente reduzida através de programas de castração. Sob condições naturais, o virus não é transmitido através da amamentação, limpeza mutua, uso comunitário de comedouros ou bebedouros ou da mãe para o filhote. 

acasalamento é uma das formas de contagio 

Gatos ferais e gatos com donos contraem a FIV em níveis bem semelhantes. É estimado que 3-4% de gatos que vagam pelas ruas se tornem infectados e carregam o virus, mas apenas uma porção bem pequena destes animais desenvolvem sintomas relacionados à FIV. A maioria dos gatos infectados com FIV podem viver durante muitos anos, as vezes suas vidas inteiras, sem nenhum efeito visível do vírus

Em gatos que desenvolvem doenças relacionadas à FIV, o virus pode causar vários niveis de disfunção no sistema imunologico. Isso se manifesta mais frequentemente como redução na habilidade de combater infecção. O exemplo clássico é um macho adulto com abcessos recorrentes que demoram mais tempo para se curar do que o esperado. Outros tipos de infecções causados por virus, bacterias e fungos podem tambem se tornar mais sérios e demandar mais tempo para se resolverem. 

PROGRESSÃO DO VIRUS 

Apos infecção inicial, o virus se espalha pelos linfonodos do gato, causando a dilatação dos mesmos. Febre pode se desenvolver e durar por vários dias. Alguns gatos experienciam uma redução transiente na contagem de celulas brancas. Durante o segundo estágio da infecção, o gato geralmente se torna assintomatico por vários anos. O virus tipicamente adormece por anos a fio, o que pode explicar porque alguns gatos passam a vida inteira sem apresentar sintomas. 

Se a doença se desenvolve, isso irá ocorrer durante o terceiro estagio. Neste estagio o gato pode desenvolver sinais de imunodeficiencia e condições secundarias, como infecções oportunistas, estomatite, inflamação ocular, cancer e infecções do trato respiratorio. Gatos infectados com FIV podem tambem desenvolver infecções persistents do trato intestinal e urinario, problemas neurologicos, doença renal ou tumores. Todas essas condições tambem ocorrem em gatos sem FIV, então a associação com a doença é geralmente especulativa. 

um dos testes mais comuns, feito com amostra de sangue

Um diagnostico de FIV não deve causar alarme. Já que o virus tem um longo periodo de incubação, um gato positivo para FIV pode viver uma vida longa sem doenças relacionadas à FIV. 

Alley Cats Allies é contra o teste de FIV para gatos ferais. Além das razões descritas acima – baixos indices da doença, baixa probabilidade de transmissão, longa expectativa de vida, há também o custo substancial dos testes. Acreditamos que os recursos são melhores aplicados em castração do que em testes para FIV. 

Além disso, alguns resultados podem até mesmo ser falsos, incorretos ou inconclusivos. 

1- Testes padrões apenas detectam o anticorpo contra a doença, não o virus. A presença de anticorpos não significa que o gato está infectado. 

2- Resultados positivos de FIV em gatos abaixo de seis meses de idade não deve ser interpretado como uma infecção de FIV. Filhotes são raramente infectados mas podem ser positivos pois os anticorpos podem passar de suas mães infectadas através da amamentação. Para uma interpretação  mais acurada, gatinhos FIV positivos abaixo de seis meses de idade devem ser re-restados entre oito a doze meses de idade, quando os anticorpos maternos já diminuíram. 

3- Os testes de FIV disponiveis atualmente não conseguem distinguir entre gatos com FIV, aqueles que foram vacinados contra FIV ou se são ambos, vacinados e infectados. A vacina contra FIV, aprovada em 2002, estimula a produção de anticorpos que não são distinguiveis daqueles que aparecem com o desenvolvimento natural da infecção. 

CURA E TRATAMENTO

Não há cura para a FIV, mas um gato FIV+ pode viver livre de doenças relacionadas à FIV por toda a sua vida. Através de programas de castração, o risco da transmissão é enormemente reduzido. 

gatos ferais castrados se tornam mais doceis e tranquilos e podem ter uma vida digna e longa, apesar da doença :)

Alley Cats Allies é contra a eutanásia de gatos sadios que apresentam-se positivos para FIV e FELV. 

A Associação Americana de Veterinários Especialistas em Felinos concorda com nosso posicionamento e é contra a eutanásia de animais saúdaveis, mesmo sendo positivos para FIV ou FELV. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Lidando com preocupações sobre a castração precoce - parte 3

Texto traduzido de: Lidando com preocupações sobre a castração precoce da ASPCA ( maior associação americana de bem estar animal, fundada em 1866 )

CARACTERÍSTICAS SEXUAIS SECUNDÁRIAS 

A vulva em cadelas castradas é menor do que de cadelas não-castradas, mas não há evidência da existência de importância clinica nesta diferença de tamanho. 

Dermatite perivulvar é uma condição que ocorre tanto em fêmeas castradas quanto não-castradas e está mais associada à obesidade do que à esterilização. Glândulas mamarias também são menores em tamanho. 

O pênis e prepúcio de machos castrados irá manter o aspecto juvenil, mas, novamente, não há problemas clínicos nestes animais que não são sexualmente ativos. 

                                        As espiculas ( "espinhos" ) penianos são formadas a partir da influência                                                  da testosterona e servem para estimular a ovulação das gatas durante a copula 

No gato macho, há uma redução da habilidade de expor o pênis do prepúcio, mas não há conhecimento de problemas clínicos associados à isso. 

Essa característica pode ocorrer, independentemente se o animal for castrado com 7 semanas ou aos 7 meses de idade. 

DOENÇAS INFECCIOSAS 

Alguns abrigos encontraram um aumento na incidência de doenças respiratórias ( em particular, doenças do trato respiratório superior em gatos e parvovirose em cães ) em animais que foram submetidos à castração precoce, mas o stress da vida no abrigo, anestesia e os efeitos da cirurgia também afetam animais adultos, não somente os filhotes. 

Muitos animais de abrigo irão, provavelmente, desenvolver doenças de qualquer forma, já que há um grande número de agentes infecciosas presentes nestes locais. 

Doenças infecciosas não devem ser um problema em ambientes de clinicas particulares. 

PIOMETRA 

Piometra é uma infecção uterina que afeta 15.2% a 24% de cadelas entre as idades de 4-10 anos em países onde a castração não é comumente feita. 

Já que a castração, que remove os ovários e útero, assim prevenindo o desenvolvimento da doença, é um procedimento de rotina nos EUA, as informações sobre a incidência, no país, são difíceis de conseguir. 



A ovariectomia, remoção cirúrgica de somente os ovários, também irá prevenir o desenvolvimento de piometra, mesmo que o útero seja deixado intacto no animal. 

HIPOTIREOIDISMO

Hipotireoidismo ocorre com maior frequência em cães castrados, mas a relação causa e efeito ainda não foram estabelecidas. A incidência de hipotireoidismo em cães é de 0.2% e 0.3% e algumas raças, como o Doberman, Golden Retriever e Dachshunds são mais propensos à doença. 

DIABETES MELLITUS 

Gatos, machos e fêmeas, castrados, tem demostrado possuir um risco maior de desenvolver diabetes mellitus em comparação com animais não-castrados. Outros fatores de risco para o desenvolvimento da diabetes incluem: raça ( Burmeses tem uma maior incidência ), sexo ( machos são os mais propensos ), obesidade e idade.  

gatos machos obesos são os mais propensos a terem diabetes 
Teorias recentes sugerem que uma dieta cheia de carboidratos como a ração seca também seja um fator de contribuição para o desenvolvimento da doença em gatos. 


Um possível risco para o aumento do desenvolvimento da diabetes foi apontado em machos castrados, mas também associado à obesidade. 

Mais pesquisas sobre o assunto são necessárias

NEOPLASIAS

Há uma preocupação que a castração precoce possa aumentar o risco de alguns tipos de neoplasia. Para que possamos balancear o assunto, qualquer discussão sobre neoplasias também deve acompanhar a diminuição dos riscos do animal desenvolver outros tipos de neoplasia. 

Por exemplo, tumores nas glândulas mamarias são o tipo mais comum de tumor em cadelas, com uma incidência reportada de 3.4% e são o terceiro mais comum em gatas, com incidência de 2.5%. Em cadelas, 50% dos tumores são malignos e para gatas, a porcentagem sobre para 90%. 

Cadelas e gatas não-castradas tem um risco muito maior de desenvolverem tumores mamários do que animais castrados. Estudos mostram que o risco de desenvolver a doença em cadelas castradas antes do primeiro cio é de 0.5%. Após o primeiro cio, a chance aumenta para 8.0% e após o segundo cio, a chance é de 26%. 

tumor de mama em cadela 

Muitos veterinários acreditam que a castração diminui os riscos de câncer de próstata nos machos, mas estudos indicam que animais castrados tem, na verdade, 2.4 – 4.3% mais chances de desenvolverem tumores de próstata que cães não castrados. No entanto, a incidência desses tumores nos cães castrados é de apenas 0.2%-0.6%. 

A relação causa e efeito ainda não é conhecida, mas a castração protege o animal de outras doenças prostáticas muito mais comuns em cães não-castrados, como, por exemplo, a hiperplasia prostática, hiperplasia cistítica, metaplasia escamosa, cistos paraprostáticos, inflamação da próstata e abcessos prostáticos. 

Outro tumor que tem sido associado com a castração é o hemangiossarcoma. Fêmeas castradas tem 2.2 vezes mais chances de desenvolverem hemangiossarcoma hepático e 5 vezes mais chances de desenvolverem hemangiossarcoma cardíaco do que fêmeas não-castradas. No entanto, a incidência geral de tumores cardíacos é de apenas 0.19%, tornando-o bastante incomum em relação a outros tumores. 

Acredita-se que a incidência de osteosarcoma é de 2%, mas a castração pode aumentar o risco da doença em 1.3 a 2.0 vezes. Em um estudo limitado com Rottweilers por COOLEY, houve um aumento significativo da doença em cães castrados antes de 1 ano de idade ( o que não é considerado castração precoce ), mas de uma forma geral a incidência da doença nesta raça é muito mais alta do que em qualquer outro animal. 

Além disso, neste estudo, a expectativa de vida das fêmeas castradas era mais longa do que a de fêmeas não-castradas. Não é possível generalizar o efeito em todos os cães a partir deste único estudo. 

Carcinoma celular transicional é o tumor mais comum do trato urinário em cães. Animais castrados tem um risco maior de 2-4 vezes de desenvolverem a doença do que animais não-castrados. No entanto, a relação causa e feito não foi bem definida, e este tipo de tumor em cães é reportado como somente 1% dos casos de todos os tumores malignos. 

Tumores testiculares aparecem como 90% dos tipos de câncer do sistema reprodutor masculino. Apesar de muitos fatores podem ser responsáveis por seu aparecimento, o criptorquismo ( uma falha em que o testículo não desce para a bolsa escrotal, permanecendo na cavidade abdominal ) é o maior fator de contribuição para o aparecimento da doença. 

criptorquismo em cão 

Metástase é considerada baixa para estes tipos de tumores e a castração é, geralmente, a terapia de prevenção e curativa. 

RESULTADOS A LONGO PRAZO 

Muitos estudos tem associado a castração precoce e castração em qualquer idade a várias condições de saúde, no entanto, na maioria das vezes, uma direta relação entre causa e efeito ainda não foi determinada. 

Além disso, muitos dos problemas de saúde apontados, como  o hemangiossarcoma são extremamente raros e influenciado por outros fatores como hereditariedade, raça, idade, dieta, peso e ambiente. Eles também ficam em segundo plano, quando pensarmos nos benefícios que a castração precoce pode trazer ao animal em condições muito mais comuns, como tumores de mama, piometra e neoplasia benigna da próstata. 

Baseado nos conhecimentos atuais, médicos veterinários devem se sentir confortáveis para instruir os tutores de seus pacientes sobre a melhor idade para castrar cães e gatos. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Lidando com preocupações sobre a castração precoce - parte 2

Texto traduzido de: Lidando com preocupações sobre a castração precoce da ASPCA ( maior associação americana de bem estar animal, fundada em 1866 )

OUTROS FATORES DE SAÚDE 

Muita das informações neste texto foram retirados de informações sobre a segurança a longo prazo da castração precoce, de um artigo de 2007, da Drª. Margaret Root Kustritz, médica veterinária especialista em reprodução, na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Minnesota. 

OBESIDADE 

Obesidade é um problema tão comum para cães e gatos que muitas organizações veterinárias e empresas de comidas para pets desenvolvem vários recursos e dietas especiais para ajudar os tutores a reduzir o peso de seus animais. 

A obesidade é influenciada por um grande número de fatores e enquanto alguns veterinários reportam que animais castrados tem uma tendência a ganharam mais peso do que animais não-castrados, isso pode acontecer independentemente da idade em que o animal foi esterilizado. Um estudo publicado em 1991 indica que cães não desenvolvem obesidade se forem castrados precocemente ou logo após os 6 meses. Outro estudo de 1996 mostra que gatos podem ganhar peso independente da idade da castração. 

a obesidade em cães e gatos já é considerada uma epidemia mundial 

Um estudo de 2004 da Cornell*, indica uma diminuição de casos de obesidade em cães machos e fêmeas que foram submetidos à castração precoce, comparado com aqueles esterilizados após os 5 meses de idade. 

Então, podemos concluir que a obesidade é um problema multi-fatorial e não automaticamente uma consequência da castração. Até mesmo um animal não-castrado pode se tornar obeso se não receber uma dieta adequada e sem exercícios. Assim como em seres humanos, má alimentação e ausência de atividade física são os reais culpados. 

CRESCIMENTO 

Muitos veterinários, erroneamente, acreditam que a castração precoce irá prejudicar o crescimento dos animais. Essa preocupação foi refutada em vários estudos. A remoção da influência dos hormônios sexuais nas placas de crescimento dos ossos longas resulta em um atraso no fechamento das mesmas, ou seja, os ossos, na verdade, ficam mais longos. 

No entanto, até o momento.  não há significância clinica na diferença de tamanho destes animais. 

RUPTURA DO LIGAMENTO CRANIAL CRUZADO 

A incidência reportada de ruptura de ligamento cranial cruzado em cães é de cerca de 1.8%  e é mais reportado em cães machos e fêmeas castrados do que não-castrados. 

A relação entre causa e efeito ainda não é definida, mas além da suspeita de influência hormonal, hereditariedade, peso e condição corpórea no geral também possuem um peso neste tipo de problema. 

Mais pesquisas sobre o assunto são necessárias. 

DISPLASIA COXOFEMURAL 

A incidência reportada de displasia coxofemural é de 1.7%, com números mais significativos em raças de cães grandes e gigantes. A displasia coxofemural é uma condição hereditária, afetada pelo manejo ambiental do cão, assim como dieta. 

Estudos de longo prazo observam a incidência de displasia em cães e associação da doença com a castração precoce. 

estágios da displasia coxofemural 

Em um longo estudo da Cornell, filhotes submetidos à castração precoce antes dos 5.5 meses de idade tiveram um aumento na incidência de displasia.  No entanto, achados adicionais indicaram que cães que foram castrados aos 6 meses de idade eram 3 vezes mais propensos a serem eutanasiados por causa da displasia do que os cães castrados precocemente. 

Os autores sugerem que a castração precoce pode estar associada  a um tipo menos severo de displasia coxofemural. 

COMPORTAMENTO 

Os efeitos da castração precoce são amplamente desconhecimentos. 
A castração e subsequente diminuição nos hormônios sexuais tem sido co-relacionados com a diminuição de dimorfismo sexual entre machos e fêmeas. 

A castração, em qualquer idade, reduz o hábito dos machos de demarcar território com urina, fugas e brigas com outros machos em competição por fêmeas no cio, fazendo deles, animais de companhia mais desejáveis. 

Além disso, a treinabilidade de animais de trabalho não é alterada com a castração e não sofre variação com a idade em que o animal é esterilizado. 

a grande maioria dos cães de serviço são castrados 

Um estudo da Cornell com cães castrados antes dos 5.5 meses indicou um aumento de sensibilidade por sons, diminuição de comportamentos sexuais, fugas, ansiedade por separação e marcação de território com urina quando assustados. 

No entanto, o estudo HOWE, em 2001, mostrou que não havia diferença na incidência de problemas comportamentais de uma maneira geral ou especifica na castração precoce e castração tradicional. 

Vários estudos mostraram um aumento de agressividade em uma raça especifica de cão e reatividade após a esterilização destas fêmeas durante o cio. A causa exata dessa tendência permanece desconhecida. 

HART, 2001, reportou uma diminuição progressiva de função cognitiva em machos não-castrados em comparação com machos castrados, mas a amostra desse estudo era muito pequena e sem relação com a castração precoce. 

Existem novas evidências que animais castrados, independentemente das 7 semanas ou 7 meses, são mais ativos e animados e que gatos, machos e fêmeas, se tornam mais carinhosos do que os animais não-castrados, mas essa é uma observação subjetiva. 

Mais pesquisas para explorar o impacto da castração no comportamento dos animais ainda são necessárias. 

DOENÇA DO TRATO URINÁRIO

Apesar de alguns veterinários continuarem a acreditar que a castração precoce contribui para um maior número de obstruções urinárias nos gatos machos, esse não é o caso. Estudos feitos em gatos machos para determinar a incidência de obstruções do trato urinário em populações de animais não-castrados e castrados e não foram encontradas co-relações entre a idade da esterilização e incidência da doença. 

Foi descoberto que não há variação do diâmetro da uretra peniana em gatos não-castrados ou felinos castrados com 7 semanas ou 7 meses. 


INCONTINÊNCIA URINÁRIA 

Incontinência urinária responsiva ao estrogênio, atualmente conhecida como Incompetência do Mecanismo Esfincter Uretral ( ou, simplificadamente, a inabilidade de controlar urina ), é comum em fêmeas castradas, independente da idade em que foram esterilizadas. 

No entanto, um estudo da Cornell indicou que há um significante aumento do risco de incontinência urinária para cadelas castradas antes das 12 semanas de idade, apesar de outros fatores também influenciarem o desenvolvimento do problema, como idade, obesidade e raça. 

Cadelas idosas e não-castradas irão apresentar incontinência como resultado da diminuição do estrogênio circulante, que tem efeito no esfincter uretral externo. Incontinência pode aparecer logo após a cirurgia de castração, anos após ou nunca. 

É necessário mais pesquisa sobre o assunto. O estudo da Texas A&M não mostrou aumento de risco e outro estudo de 1992 mostrou uma maior incidência de incontinência urinária em fêmeas castradas após o primeiro cio. 

*Cornell University College of Veterinary Medicine

Lidando com preocupações sobre a castração precoce - parte 1

Texto traduzido de: Lidando com preocupações sobre a castração precoce da ASPCA ( maior associação americana de bem estar animal, fundada em 1866 )

Estudos mostrando resultados a longo prazo de castrações realizadas precocemente ou nas “idades tradicionais” em gatos e cães foram publicadas no Jornal da Associação Americana de Veterinária nas edições de 1º de Dezembro de 2000 e 15 de janeiro de 2001, respectivamente. 

Os estudos envolveram 269 cães e 263 gatos de abrigos de animais e foram conduzidos pela Dra.Lisa Howe, da Universidade A&M de Veterinária do Texas. 

A conclusão para cães, foi: “salvo animais com doenças infecciosas, a castração precoce pode ser feita de maneira segura em cães, sem a preocupação de incidência de problemas físicos ou comportamentais por, pelo menos, um período de 4 anos após a castração.” 

Abrigos que mantém filhotes por um longo período tem encontrado problemas com a parvovirose. No entanto, os autores desses estudos não concluíram que a castração precoce pode predispor o animal à doença.  Os filhotes no estudo estavam em uma idade altamente susceptível ao parvovírus e em ambiente de abrigo onde a doença é comum. 

Eles desenvolveram parvovirose por estes motivos e não por terem sido castrados precocemente. 

filhotes castrados são doados mais rapidamente e quanto mais cedo eles saíram do ambiente de abrigo, melhor 

A conclusão para gatos foi: “a castração precoce pode ser feita de forma segura em gatos sem preocupação de incidência de problemas físicos ou comportamentais por, pelo menos, um período de 3 anos após a castração.”

Outro estudo sobre os efeitos a longo prazo da castração precoce foi publicado no Jornal da Associação Americana de Veterinária na edição de 1º de Janeiro de 2004. Este estudo, coordenado pelo Drª. Vic Spain, do Colégio de Medicina Veterinária da Universidade de Cornnel, investigou os arquivos de 1.842 cães e 1.660 gatos de abrigo que foram submetidos à castração precoce. 

Este estudo teve duração de 11 anos e a conclusão para cães foi: “já que a castração precoce oferece mais benefícios do que riscos para cães machos, os abrigos podem, de forma segura, submetê-los a castração aos 2 meses e os veterinários devem considerar a recomendação da castração precoce como rotina para os tutores, antes da tradicional idade de 6-8 meses de idade. Para cadelas, no entanto, casos de incontinência urinária sugerem que a castração precoce seja mais benefica aos 3 meses de idade."

Em uma palestra de 2011 para acadêmicos veterinários em Quesland, Austrália, Dr.Jeff Young, um dos grandes nomes mundiais em controle populacional, fala sobre a incontinência urinária e seus múltiplos fatores: 

"(...) devemos levar em consideração a técnica cirúrgica. Se você está usando Catgut  na base do útero, você não está fazendo o correto para o animal. Se eu tenho um estudo cientifico sobre isso? Não. Mas é a minha experiência, já remexi dentro de animais o suficiente, tirando grandes granulomas. Quando você corta e amarra o útero, ele retrai bem na bexiga e é onde os problemas de incontinência começam. O tipo de sutura é muito importante. 

Na Costa Rica eles tiveram grandes problemas com castração precoce pois estavam usando nylon da espessura do meu dedo. Você não acha que é um problema, algo assim, se esfregando em uma bexiga? Não faria isso com nenhum animal. Mas, é mais barato, mais rápido e por isso eles fazem, mas quando tem todos esses problemas, não sabem o motivo. Se você for fazer algo, faça direito. 

E, por isso, eu daria mais motivos para explicar incontinência. Fêmeas que já tiveram muitas ninhadas tem um aumento entre 4% a 8% de chances de apresentar incontinência, aumento de peso também, mas entre 8% a 16% terão incontinência se forem castradas. A pergunta é: será que podemos pegar esse percentual de 8 a 16% e diminuirmos isso através da mudança de técnicas cirúrgicas, nos certificando que elas não irão ganhar peso, lidando corretamente com o hipotireoidismo?

Algumas raças como Dobbermans, adivinhem só, terão incontinência. Boxers terão incontinência, pois tem uma grande chance de hipotireoidismo, sempre estão acima do peso ou possuem algum outro problema, então há muitas outras causas envolvidas."



É importante salientar que as fêmeas com incontinência urinária já se encontravam em suas casas após adoção e não foram devolvidas ao abrigo. 

O estudo a longo prazo da Texas A&M não encontrou achados semelhantes sobre incontinência urinária e, outro estudo ( ARNOLD, 1992 ), mostrou que havia maior incidência de incontinência urinária em fêmeas castradas após o primeiro cio. 

A conclusão para gatos do estudo da Universidade de Cornell foi: "a castração antes dos 5.5 meses não foi associada à casos de morte ou devolução dos animais ou ocorrência de nenhuma condição médica séria ou problemas comportamentais e pode garantir melhor qualidade de vida à longo prazo, especialmente para gatos machos. Abrigos podem, de forma segura, submeter os gatos à castração precoce e os veterinários os veterinários devem considerar a recomendação da castração precoce como rotina para os tutores, antes da tradicional idade de 6-8 meses de idade."



É necessário ressaltar que o foco dos estudos não foi estabelecer a segurança da castração para animais aos 6 meses de idade. Em uma revisão de literatura por OLSON e ROOT KUSTRITZ,  em artigo publicado em 2001, mostrou que possíveis efeitos colaterais da castração não são acentuados em animais castrados no período de 7 semanas em comparação daqueles esterilizados na “idade tradicional” de 7 meses. 


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Castração Precoce: beneficios e melhores práticas

Texto traduzido de: Castração Precoce: benefícios e melhores práticas, da ASPCA     ( maior associação americana de bem estar animal, fundada em 1866 ). 

Falando de uma maneira geral, a castração precoce se refere à esterilização de machos e fêmeas de cães e gatos antes da idade tradicional de 6 meses de idade. O tema vem sido debatido entre veterinários através dos anos, com a maior preocupação sendo para os cirurgiões que atendem estes animais entre 6-8 semanas de idade ou aproximadamente 1kg. 


campanha de castração precoce da Alley Cats Allies, grupo pioneiro de C.E.D nos EUA


Pesquisas, no entanto, revelam que existem muitos benefícios da castração precoce e muitos medos são infundados. 

O texto a seguir foi escrito pela médica veterinária, presidente do departamento de Medicina do Coletivo da ASPCA, Dra.Lila Miller. 

BENEFÍCIOS DA CASTRAÇÃO PRECOCE 

1- Veterinários que estão habitados com o processo cirúrgico e anestesia concordam que a castração precoce é muito menos estressante psicologicamente para os pacientes mais jovens. 

2- Filhotes devem ser submetidos a um jejum de APENAS 2-4 horas, prevenindo assim o risco de hipoglicemia. 

3- Filhotes estão plenamente acordados geralmente uma hora após o procedimento, então eles podem receber pequenas porções de comida e levados para casa no mesmo dia, evitando assim o stress da internação hospitalar. 


filhotes doados após a castração NUNCA serão parte do problema da superpopulação de animais 

4- Veterinários com experiência na prática relataram que a cirurgia é mais rápida, fácil e menos estressante para o paciente e para o cirurgião. 

5- As complicações operatórias em castração precoce são muito poucas. 

6- Castrar uma fêmea antes do primeiro cio tem um efeito protetor eficaz em relação ao desenvolvimento de tumores de mama. 


7- A castração precoce custa menos, financeiramente, já que são utilizados menos materiais, é necessário menos auxiliares no pré, pós e durante o procedimento cirúrgico e monitoramento. 

8- Se o procedimento for feito no período das ultimas vacinas, aos 3-4 meses de idade, o veterinário não precisa se preocupar com esquecimento por parte do cliente. 

A castração pode ser incluída no “pacote de cuidados do filhote”, juntamente com a vacinação e vermifugação. Atraso na castração é geralmente a causa do nascimento de ninhadas indesejadas que acabam abandonadas. 


                                      por serem animais que reproduzem nos dias mais longos e quentes,                             algumas gatas podem entrar no primeiro cio aos 4 meses de idade

9- O conceito de “saúde única” que promove uma ligação entre saúde humana e animal requer que o médico veterinário seja parte na solução de problemas da comunidade. Estudos mostraram que animais não-castrados são muito mais propensos a serem abandonados do que animais esterilizados. A castração precoce é um componente essencial de ajuda à comunidade para resolver o problema do número de eutanásias de animais abandonados nos EUA. 


filhotinha de 3 meses esterilizada com tecnica de gancho, minimamente invasiva 

10- As melhores estratégias são: educação sobre guarda responsável, aumentar os esforços para adoção de animais, aconselhamento para os tutores sobre como resolver possíveis problemas de comportamento e a prevenção do nascimento de ninhadas indesejadas. 

A castração é uma parte da solução que apenas os médicos veterinários podem oferecer. 


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

10 mitos e inverdades sobre castração em gatos

1- ANIMAIS CASTRADOS FICAM GORDOS/PREGUIÇOSOS

Alguns animais, castrados tardiamente que não possuem uma alimentação adequada e controlada, com horários, realmente podem ter um aumento de peso, mas isso pode ser solucionado com o aumento de ingestão de patê em lata - o que causa o aumento de peso são os carboidratos da ração, que os gatos não conseguem processar por serem carnivoros estritos - e mais brincadeiras com o seu animal ou/e enriquecimento ambiental com rampas, arranhadores, etc, onde eles possam se exercitar. 

brincadeiras também são importantes

 Lembrando que a obesidade de cães e gatos já é uma doença em níveis epidêmicos em vários países do mundo, não se restringindo a animais esterilizados. 

A castração precoce - de filhotes - na grande maioria das vezes evita o sobrepeso dos animais.

Gatos castrados são mais CALMOS e TRANQUILOS em relação ao comportamento sexual, pois não sofrem com stress do cio e reprodução. Imagine você passando dias sem comer, sem beber e sem dormir por uma necessidade instintiva causada por hormonios?

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2- A CASTRAÇÃO CAUSA PROBLEMAS URINÁRIOS NOS MACHOS

A castração não influencia nos orgãos do sistema urinário do animal, uma vez que apenas os TESTICULOS são retirados.

Na castração precoce ( animais entre 2 a 5 meses de idade ), o TAMANHO DO PÊNIS pode sofrer modificações, pela ausência da testosterona, mas isso não significa que todos os animais castrados precocemente terão problemas urinários.

O número de gatos machos não-castrados que vão para os consultorios veterinários com problemas urinários é grande. Se a culpa fosse somente da castração, nenhum macho intacto teria essas doenças, certo? 

Problemas urinários, assim como nas pessoas, podem ser resultados de varias causas, desde disposição genetica para calculos, baixo PH urinário, disfunções dos rins e, a mais comum, no caso dos gatos, a alimentação inadequada.

dentes feitos para comer.... grãos?

Gatos são animais que precisam de 75% de umidade em seus alimentos, no mínimo, por serem carnívoros estritos. A ração seca possui 7% de umidade e é isso que estes animais comem, muitas vezes, por toda a vida.

 ração seca com 7% de umidade x patê de lata com cerca de 70% de umidade. 
o que você acha que faz mais sentindo para a saúde do aparelho urinário?

É muito cômodo colocar a culpa em uma cirurgia que o animal passará uma vez na vida do que avisar os tutores sobre um manejo ADEQUADO e PREVENTIVO.

Existem gatos não castrados que já tiveram calculo, problemas renais, etc. E existem animais já idosos que comem ração seca a vida inteira e nunca tiveram nenhum problema urinário também.

É irresponsável e irreal colocar na castração a culpa por problemas de saúde que possuem tantos fatores para sua ocorrência.

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 Cistite felina e cálculos urinários

3- A CASTRAÇÃO É CONTRA A NATUREZA DOS ANIMAIS, DEUS OS FEZ PARA REPRODUZIR, etc etc...

Você teria filhos todos os anos da sua vida? Você teria filhos com todas as mulheres/homens com quem teve relação sexual? Gatas raramente tem somente 1 filhote. As ninhadas podem chegar até 8 filhotes, de diferentes pais.

A natureza também fez homens e mulheres para se reproduzirem assim, mas ninguem com o minimo de bom senso e esclarecimento colocaria tantos filhos no mundo dessa forma.


não existem lares para todos.

Metodos anticoncepcionais como a pilula e camisinha tambem são "contra a natureza", mas você os utiliza, certo?

Imagine a sua filha engravidando em seu primeiro ciclo menstrual, com 12-13 anos de idade.

Uma gata pode engravidar com 5 meses de idade. E com 30 dias após o parto, pode estar prenhe novamente.

4- NÃO VOU TIRAR O DIVERTIMENTO DO MEU ANIMAL

O pênis do gato é cheio de ESPICULAS PENIANAS que arranham a vagina da femea durante o coito. Os gritos não são de prazer.


pênis do gato

Durante o acasalamento eles podem adquirir AIDS e LEUCEMIA FELINAS, que são doenças INCURAVEIS. Machos ficam totalmente destruidos por causa de brigas, podendo perder olhos, pedaços de cauda, serem atropelados atrás de femeas, etc.

Imagine VOCÊ carregando 4-6 bebês na sua barriga, tendo que parir todos eles, sem anestesia e sem ajuda, nas ruas, debilitada, tendo que amamentar e cuidar deles por 2 meses e logo estar gravida novamente?

Isso está longe de ser divertido.

6- GATOS CASTRADOS NÃO VÃO PARA AS RUAS

A castração remove testiculos, ovario e utero dos animais. Não remove pernas nem o instinto territorial dos gatos, que sempre é muito forte e, muitas vezes, é intensificado após a castração.

Em colonias de animais castrados, os mesmos não deixam animais nao-castrados se aproximarem. Se o seu gato CASTRADO sentir o cheiro ou ver outro gato perto de sua casa, na rua dele, etc, tenha certeza de que ele vai fugir para afugentar o invasor.

gatos criados exclusivamente dentro de casa podem viver até os 15 anos de idade

A castração é UMA medida de guarda responsável, mas a criação indoor é a unica forma para protegê-los de agressões humanas, atropelamentos, envenenamentos e outros tipos de mortes estupidas.

7- CASTRAÇÃO É UMA MUTILAÇÃO

Mutilar, de acordo com o dicionário, é DESTRUIR parcialmente. Infligir sofrimento através de corte.

Durante a castração o animal estará plenamente anestesiado durante o procedimento e não sentirá nenhuma dor. Antiinflamatorios, antibioticos e analgesicos também são utilizados para que o pós-operatorio seja o mais seguro e tranquilo possivel, sem dores ou incomodos.



quanto mais jovem o animal, melhor a recuperação cirurgica.

Filhotes de pé, andando e comendo, com 30 minutos após a cirurgia, é algo comum.
A castração dá tranquilidade e melhor qualidade de vida aos animais, além de aumentar sua longevidade. 

8- CASTRAÇÃO NÃO FUNCIONA, MINHA GATA FOI CASTRADA E CONTINUA NO CIO.

O cio é causado por uma resposta hormonal dos ovarios. Na castração
 são removidos o utero e ovários, as gatas não terão mais descargas hormonais e não entrarão mais no cio.

A SINDROME DOS OVARIOS REMANESCENTES é um problema causado quando ovários ou parte dos ovários permamencem no corpo do animal após a cirurgia de castração.


utero e ovários saudaveis em castração minimamente invasiva

O que acontece com femeas com ovario remanescente, além do cio? Elas possivelmente terão PIOMETRA DE COTO - pus no pedaço que ficou do utero - cancer de mama e outros problemas de saúde, como se não fossem castradas, já que o ovario continua a liberar hormonios.

O que fazer? Ultrassom e ter esperança que os ovarios possam ser encontrados e retirados. Uma cirurgia bem mais dificil, de maior incisão e mais cara do que uma castração feita em um lugar decente por um bom profissional.

9- FILHOTES NÃO PODEM SER CASTRADOS / ANIMAIS CASTRADOS FILHOTES NÃO CRESCEM

A castração precoce, oficialmente, nasceu no Oregan  ( EUA ) na decada de 70, pelo Dr.Leo Libberman, após perceber que os animais doados não-castrados por instituições de bem estar animal não eram trazidos para serem esterilizados pelos seus donos e, em pouco tempo, estavam recebendo as ninhadas destes mesmos animais.

A castração precoce assegura que aquele filhote doado NUNCA irá fazer parte do ciclo de abandono novamente.

eles merecem mais do que uma vida de sofrimento e futuro incerto

Quanto ao tamanho dos animais, trecho traduzido da ASPCA Professional:

"Cães e gatos castrados precocemente apresentaram um crescimento maior do radio e ulna. A baixa influência de hormonios sexuais nos ossos resulta em um atraso no processo de "fechamento" das sinfises osseas , causando um aumento de tamanho nos mesmos. E não há significância clinica em relação a essa diferença."

Tambem não podemos deixar de lado os fatores GENETICOS deste animal. Se os pais são grandes, há uma possibilidade dele ficar grande, se os pais forem pequenos ou a mãe sofreu com vermes e desnutrição durante a gestação, os filhotes também podem ficar menores.

10- MEU GATO É LINDO, QUERO UM FILHOTE IGUAL, QUERO PERPETUAR OS GENES, ETC..

Nenhum animal, nem mesmo um clone, é 100% semelhante ao original. O comportamento e indole do animal, além de fatores genéticos de ambos os pais, também sofre inúmeras influencias que nós, humanos, não podemos prever ou intervir. 

Gatos não tem somente 1 filhote. Eles tem 5,6, até 8. Ninhadas pequenas são bem mais raras. O que você vai fazer com todos esses gatinhos? Vai ficar com todos? Vai repassá-los para seus "amigos e parentes"? E eles serão bem cuidados pelo resto da vida? Você irá castrar, vacinar todos eles e arrumar bons lares?

Provavelmente não.

1 entre cada 12 gatinhos encontra um bom lar, um lar de verdade, para ser bem cuidado pelo resto da vida. E se você não encontrar donos para todos? E se envelhecerem na sua casa e começarem a reproduzir? O que você vai fazer?



Existem milhares de animais abandonados que perdem suas vidas precocemente todos os dias pelas ruas, de fome, maus-tratos e outros tipos de sofrimento.

Se informe. Leia, pesquise, pergunte. Seja um bom tutor.

Castração é um ato de responsabilidade e amor.



sábado, 1 de agosto de 2015

Então você quer fazer C.E.D? 8 passos para começar

A CAPTURA, ESTERILIZAÇÃO e DEVOLUÇÃO foi considerado pela ASPCA ( Sociedade Americana para Prevenção de Crueldade Contra Animais ) o “metodo mais humano, efetivo e economicamente viavel para controlar e reduzir a população de felinos pelas ruas” e dezenas de países mundo à fora são favoráveis à prática, entendendo a importancia da castração para evitar e minimizar o sofrimento destes animais eos beneficios para toda a sociedade.

O impacto positivo a curto, médio e longo prazo é claramente visivel logo depois do inicio dessas atividades em uma area urbana, seja ela a rua em que você mora, seu bairro ou até mesmo em toda uma cidade. Os gatos castrados não permitem a aproximação de animais inteiros e, com o tempo, as colônias felinas desaparecem, naturalmente.

Lidar com gatos ferais exige comprometimento, treinamento e sangue frio, pois eles são verdadeiras feras selvagens. Mas, acima de tudo, é necessário muito amor para lidar com estas vidas que apenas são vitimas de nossa irresponsabilidade. Gatos ferais e ariscos são o resultado da não-castração de gatos com donos. 

Aqui iremos descrever um passo-a-passo para você que decidiu embarcar nessa jornada gratificante que é o controle populacional de felinos de colônia 

1- VEJA VÍDEOS SOBRE CAPTURA E ESTUDE TUDO O QUE ENCONTRAR SOBRE C.E.D 

Com o tempo, C.E.D se torna algo rotineiro e automático, mas as primeiras capturas podem ser tensas, por causa do stress dos animais. Assista vídeos, fale com pessoas já experientes no assunto, veja fotos e leia artigos a respeito. Tire todas as suas duvidas antes de começar. C.E.D não é para aqueles fracos de coração. Gatos ferais podem ser criaturas assustadoras no primeiro momento, mas eles apenas estão evitando o contato humano. 



2- ESTEJA CIENTE QUE IRÁ RECEBER CRITICAS

Infelizmente o C.E.D no Brasil ainda é muito novo e criticado por pessoas que não conhecem o processo e intenção da prática. Você será acusado de "abandonar animais", de "não oferecer recuperação cirúrgica", "mutilação no CORTE das orelhas" entre outros absurdos que podem ser refutados com estudos e experiencia por grupos em todo o mundo. 



As criticas irão somente alcançá-lo se você der abertura para isso. E geralmente virão de pessoas que não colocam a castração como prioridade e acreditam que abrigos é o melhor local do mundo para um animal. 

3- ENCONTRE UM VETERINÁRIO QUE FAÇA CASTRAÇÃO COM TÉCNICA DE GANCHO E A MARCAÇÃO INTERNACIONAL NA ORELHA ESQUERDA. 

A castração de técnica de gancho é minimamente invasiva e A ÚNICA FORMA de realmente assegurar uma soltura eficaz e segura para as fêmeas. A incisão é do tamanho de uma unha do dedo mindinho e a sutura na pele é com fio absorvível. 

A incisão reduzida minimiza o risco de hernias e infecções, além de proporcionar uma recuperação mais rapida para as femeas. 



A marcação da orelha esquerda é um procedimento INTERNACIONAL que sinaliza animais beneficiados em ação de C.E.D. Após a castração com o animal ainda anestesiado, a ponta da orelha é pinçada com uma pinça hemostática reta e longa, a lamina do bisturi é esquentada com chama ( não é possivel usar bisturi eletrico, pois estoura, literalmente, a orelha do animal ) e é feito a marcação rapidamente, com a própria lamina aquecida cauterizando o local. 



Sem a marcação não é possível identificar os animais já castrados, o que significa stress de captura sem necessidade, gasto de tempo e recursos e, o pior, risco cirurgico ao colocar um animal já castrado novamente em uma mesa de cirurgia e ter suas vísceras reviradas ( no caso das femeas ) apenas para descobrir que o utero não está mais lá.

4- ADQUIRA UMA GATOEIRA ( ARMADILHA ) 

A gatoeira é instrumento fundamental para a captura de ariscos e ferais. Infelizmente no Brasil não existem muitos modelos disponiveis, mas é possivel começar as atividades com o que temos no nosso mercado e/ou usar a criatividade e manufaturar uma. Modelos de DROP TRAP são os mais bem sucedidos, pela possibilidade de pegar vários animais de uma só vez, rapidez e pela facilidade da captura. 

um dos modelos de gatoeira disponiveis no Brasil 

http://www.stopinset.com.br/gatoeira-capturar-gato-gamba

http://www.fermarame.com.br

5- ADQUIRA UMA GAIOLA DE CONTENÇÃO ( PARA O VETERINÁRIO ) 

A maioria das pessoas nunca viu um gato feral. E a maioria dos profissionais em veterinária nunca viu um animal desses de perto. “Ah, mas eu sei lidar com gato bravo”. Nenhum gato domestico estressado ou amedrontado chega aos pés da ferocidade de um gato feral que está, pela primeira vez na vida, perto de seres humanos. A gaiola de contenção irá assegurar a segurança dos profissionais e do proprio gato, minimizando o tempo de manejo e o stress para o animal. 

gaiola de contenção + luva de proteção doada dos EUA para o Projeto Felinos Urbanos 

http://www.metalvet.com.br/departamentos/canil-e-gatil?product_id=82

6- SE VACINE CONTRA RAIVA E COM A VACINA ANTI-TETÂNICA

A raiva e o tétano são doenças sérias que podem ser adquiridas através de mordeduras e arranhaduras de animais. E, acredite, ao lidar com estes felinos, isso irá acontecer. A profilaxia contra raiva             ( vacinação antes da mordedura ) é feita com 3 doses da vacina em intervalos de tempo que serão decididos pelo médico responsável. 


7- ESCOLHA UMA COLÔNIA E ANALISE TODOS OS ASPECTOS DOS ANIMAIS

Qual o bairro? Quantos animais, machos e fêmeas? Quantos residentes e quantos errantes? Quem é o macho dominante? Qual o horário de movimentação deles? Existe alguma fonte de alimento ( lixeiras de casas, restaurantes, etc ) ou alimentador responsável? Onde eles se reúnem?

Conhecer os aspectos da colonia de atuação ajuda a escolher o melhor dia/horário para as capturas e aumentar as chances de sucesso. 



8- CRIE UMA PÁGINA NO FACEBOOK PARA DIVULGAR O TRABALHO 

O Facebook pode ser uma ferramenta poderosa para divulgação e apoio para trabalhos de C.E.D. Tire fotos dos animais após a castração e enumere-os em ordem crescente. Colocar nomes nos animais não funciona. Com o registro fotográfico você tem ideia da epoca que os gatos foram castrados e mais informações registradas, como cores, idade e sexo. 



Parabéns ao optar pelo C.E.D! É um trabalho árduo, mas muito gratificante, ao vermos que, através da castração, estas vidas felinas possam ganhar em qualidade e anos de vida, sem mais se arriscarem com a reprodução, brigas ou colocando mais filhotes nas ruas.


Ass: Otávia Mello ~ Idealizadora do Projeto Felinos Urbanos