Mostrando postagens com marcador cuidados. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cuidados. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Maternidade Felina - Motivos para evitar

Texto originalmente postado em Amor & Miados 

Sim, filhotes são encantadores.

No entanto, estes bebês que chegam ao mundo podem estar fadados a um futuro infeliz, já que não existe lugar para todos.


a realidade não é tão bonita assim


Então, vamos falar de todo o processo de maternidade para as gatas, para que as pessoas entendam que não passa de um comportamento instintivo de perpetuação da especie e que pode trazer inumeros problemas.

1- ACASALAMENTO

Ao contrário da crença popular, o acasalamento dos gatos nada tem de prazeroso.
O pênis do gato possui pequenas espiculas - espinhos - que machucam a fêmea.
Durante o acasalamento, ele morde a nuca da gata - podendo machucar seriamente - para prendê-la na posição. Durante o coito o pênis arranha a vagina, estimulando a produção de hormônios que promovem a ovulação e por isso os gritos.


pênis felino

Essas mordidas e troca de sangue durante o acasalamento pode ocasionar inúmeras doenças , algumas delas fatais, como a PIF ( peritonite infecciosa felina ), FELV ( Leucemia Felina ), FIV ( Aids Felina ) e outras doenças dermatológicas como sarna e pulgas.





Uma gata pode acasalar com diversos machos durante uma unica noite, resultado em filhotes de pais variados em uma ninhada.

2- GESTAÇÃO

A gata em gestação precisa de alimento de alta qualidade para que todos os nutrientes cheguem até os filhotes sem causar danos à mãe e acompanhamento veterinário regular.
A gestação de uma gata dura em torno de 60 dias e elas vão ficando cada vez mais pesadas e sonolentas a medida que se aproxima o nascimento. 




prenhe e abandonada, infelizmente, uma visão comum :(


Para gatas abandonadas isso significa a impossibilidade de procurar por fontes de comida distantes e até mesmo defender-se de perigos. Não é raro vermos mamães prenhes com barrigas imensas e esqueleto à mostra, revirando sacos de lixos.

3- PARTO

Gatas são conhecidas por serem excelentes no cuidado com suas crias, mas muita coisa errada também pode acontecer. No caso de gatas muito jovens, algumas delas podem rejeitar os filhotes, deixando-os para morrer depois do nascimento e até mesmo devorar suas crias.

Em gatas que não tiveram a alimentação e acompanhamento veterinário necessários durante a gestação, podem estar muito fracas para conseguirem cuidar, ter leite para todos recém-nascidos e mortes na ninhada também podem ocorrer.

Também há casos em que os filhotes são grandes demais e ficam presos no canal do parto, impossibilitando um nascimento normal. Nestes casos uma cesária é a unica opção, que demandará muito mais cuidados para a mãe - que passou por um processo cirúrgico - e para os filhotes que foram anestesiados.

Não é raro observarmos as gatas arfando durante o parto e chegada de cada filhote.
Os cuidados após o nascimento não podem parar, já que é necessário observar se todas as placentas foram expelidas, se os filhotes estão respirando e mamando e se há algum preso no canal de parto. Hemorragias também podem ocorrer.

Gatas nas ruas procuram tocas e locais seguros para ter seus filhotes, mas não é raro que eles sejam mortos por outros gatos, machos ou fêmeas, para eliminar competição e para que a mãe fique no cio, aceitando um novo macho novamente. 
Historias que mães ariscas se assustaram e abandonaram a ninhada inteira para trás também não são raridade.

Eu sinceramente não compreendo porque uma pessoa com acesso à informação deixaria sua gata ( ou cadela ) passar por tudo isso se pode ser evitado. Mesmo depois de toda a dedicação das mães, somente 1 filhote de cada ninhada atingirá seu primeiro ano de vida, vitima de acidentes, irresponsabilidade humana, doenças, etc.

A maioria das gatinhas que possuiam um lar são deixadas na rua justamente neste periodo, pelos donos que não castraram e também não querem se responsabilizar pelos filhotes. O grau de crueldade aumenta quando apenas tiram os recem-nascidos de suas mães, abandonando-os em caixas ou sacos plásticos, condenando-os a uma morte por frio e fome.


mamãe e bebês abandonados em uma caixa


Se engana quem pensa que filhotes que são doados estão livres de um futuro incerto, já que a maioria das pessoas apenas repassa os mesmos, sem nenhuma preocupação maior quanto ao tipo de vida que terão ou se ao menos serão castrados.
 
A maternidade de cadelas e gatas deveria ser apenas para aqueles criadores sérios e estudiosos, que colocam somente animais aptos e com todo o suporte para uma reprodução assistida e que traga menos transtornos possível para a fêmea e filhotes.

Nenhuma fêmea tem em si o desejo humano da maternidade e, na realidade, se uma prenhez puder ser evitada, a qualidade de vida delas se torna muito melhor.



Não é possível assegurar uma vida digna para todos.
A castração é a opção mais humana e benefica para estes animais.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Doenças Felinas 4 - Rinotraqueite

A Rinotraqueite felina é uma séria doença respiratoria que acomete somente os gatos, que junto com a Calicivirose Felina ( que falaremos no futuro ) constituem o Complexo Respiratorio Viral Felino.

A Rinotraqueite é causada pelo Herpesvírus Felino 1 (HVF-1 ), transmitido por contato direto com gatos infectados.

Os filhotes recem-nascidos possuem anticorpos maternos que os protegem da infecção, mas à medida que eles começam a perder essa imunidade, tornam-se altamente suscetíveis. Outros fatores que contribuem para a infecção são: subnutrição, higiene do local e o número de animais, também sendo uma doença comum em casas superlotados por pessoas que sofrem de colecionismo e em pontos de abandono.

Os sintomas principais dos gatos com infecção aguda pela Rinotraqueite são febre (40°C ou mais), blefarospasmo ( piscar excessivamente ), espirros, tosse, movimentos constantes da cabeça, secreção nasal e ocular, intensa salivação, anorexia e prostação.

estágio inicial da doença - olhos irritados e com secreção nasal e ocular

Os espirros são esporádicos inicialmente, tornando-se cada vez mais freqüentes. A secreção nasal purulenta provoca a oclusão das vias aéreas superiores, de forma que o animal perde o olfato e passa a respirar com a boca aberta. O apetite vai diminuindo até cessar. A tosse é uma manifestação da laringotraqueíte. A moléstia clínica persiste no mínimo por 10 a 20 dias.

Em casos mais sérios da doença, aparecem ulceras no corpo do animal. As úlceras localizam-se geralmente na língua, palato, ângulo da mandíbula, na extremidade do focinho, e raramente, na pele, espaços interdigitais e coxins plantares. Tal alteração leva à dor intensa e à salivação profusa nos animais enfermos, motivo pelo qual eles relutam em ingerir qualquer tipo de alimento. Os animais perdem peso e desidratam facilmente, ficando suscetível às infecções bacterianas secundárias.

A secreção ocular ocasionada pela doença é de caráter seroso ( transparente ) inicialmente, evoluindo para secreção mucopurulenta; observa-se, então um edema conjuntival e piscar excessivo. As complicações oculares podem evoluir a vários estágios, o que inclui sinais clínicos como a ceratite intersticial, ceratite ulcerativa superficial ou profunda com descementocele, e até uma ruptura do globo ocular com perda da visão uni ou bilateral, sendo necessário a retirada deste olho vazado para prevenir outras infecções futuras.

filhote cego como resultado da rinotraqueite, infelizmente algo comum em pontos de abandono


O aborto pode ser uma conseqüência da infecção aguda em uma fêmea prenhe não imunizada contra Rinotraqueite por vacinação prévia ou por exposição natural.

O tratamento deve ser feito com o acompanhamento veterinário, para decidir as medicações mais adequadas para o estagio da doença que o animal se encontra.

E como proteger os gatos dessa terrivel doença?

1- Através da imunização adequada, com vacinas multiplas felinas, que além da Rinotraqueite e Calicivirose Felina também protegem seu gatinho contra a Panleucopenia e Clamidiose Felina. Dou preferencia para as vacinas importadas,diante de sua qualidade superior.

É importante frisar que SOMENTE um médico veterinário pode avaliar um animal de maneira correta antes das vacinas, evitando assim reações adversas e até mesmo o temido carcinoma ( tumor ) vacinal.




2- Evitando que tenham acesso às ruas e à outros animais, através da castração e criação indoor.


Fontes: http://aquisoentramgatos.blogspot.com.br/2009/09/rinotraqueite-viral-felina-rvf-e.html

http://www.redevet.com.br/doencas/rino.htm

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Gatinha #119 e Gatinha #120

Temos uma piada no Felinos Urbanos, que gatos brotam na nossa frente como flores, nos lugares mais inospitos e inesperados heheheh

A #119 foi uma gatinha mansa pega no meio da rua no Centro da cidade. Entrou sem problema na caixa de transporte e foi operada em 4/06/2012. A moça que a capturou pagou todas as despesas, apenas pediu que fosse operada pelo projeto :)

Assim que ela se recuperou plenamente da cirurgia a levamos para o seu local de origem, uma rua calma e cheia de casas :)



A #120 é mais uma filhota com responsáveis que pediram para que fosse feita com nosso protocolo.
É muito legal essa confiança e reconhecimento :)

Mais uma castração precoce feita com sucesso :)




Fechamos a semana com mais uma dezena do bem e milhares de filhotes salvos de um futuro sombrio pelo abandono :)



Novamente, agradeço de coração a todas as pessoas que apoiam o projeto, que acreditam no sonho de tornar São Luís uma cidade melhor para estes felinos, poupando vidas :)

sábado, 2 de junho de 2012

Gatinho #116, Gatinha #117 e Gatinha #118

Nossos ultimos gatinhos de maio :) 

O #116 foi pego bem por acaso, na noite de 27/05/2012. 

Ele veio todo bobinho, captura fácil de um gatinho feral :)

Deu bastante trabalho na contenção, avançando em nós pela gaiola e tentando fugir de qualquer jeito, mas no final, acabou tudo bem e mais um machinho preto castrado pelo projeto :)



muito machucado por brigas :(
dermatites


A #117 é uma gatinha com donos que apenas pediram para ela ser colocado em nosso protocolo cirurgico :) 

Uma bebêzinha de 5 meses, muito lindinha e fofa :) 



A #118 também foi uma gatinha com donos. 
Ela estava sentindo muitas dores, com febre e mal estares quando chegou até nós. 
Uma aplicaçao de anticoncepcional quase lhe roubou a vida, nos dando nosso primeiro caso de piometra em estado avançado do projeto :(


o abdomen extremamente dilatado, ela estava com muita dor e mal deixava que a tocassemos :(
após a cirurgia, 1kg mais leve e mais saudavel 



Aqui está o video do utero retirado, foi um milagre que isso tudo não tenha estourado. Ela teria morrido de sepse generalizado em menos de 24hrs :( 


 Conscientização sobre castração é uma parte importante de nosso trabalho no Felinos Urbanos. 
Quando um veterinário ou um dono permite que sua cadela ou gata tenha esse veneno aplicado a seu organismo, é como uma sentença de morte lenta para o animal e somente ele irá sofrer as consequências :( 



 E ao invés de pagar por uma castração normal, a pessoa irá gastar com uma cirurgia de emergencia , tratamentos e medicações para combater os problemas causados pelo anticoncepcional, isso se o animal sobreviver. 

A #118 ainda está em observação, mas logo na primeira noite já se alimentou e bebeu agua normalmente e parece que irá se recuperar bem, felizmente :)

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Gatinho #112 - Jon Snow, vitima de mutilação, para Adoção Responsável


Estavamos voltando com a #111 da clinica para ela passar a noite aqui em casa quando uma coisinha branca se jogou na frente do carro. Felizmente conseguimos evitar o pior. 

Sai do carro e peguei o filhote pelo cangote. O colocamos dentro da caixa e partimos para a clinica. Uma moça que já o tinha visto antes pensou que era uma femeazinha, mas descobrimos que era um macho. 

Mas isso não foi a surpresa maior da noite... quando o peguei, vi que suas orelhinhas estavam deformadas e logo pensei que fosse uma doença que acomete gatos brancos que ficam expostos ao sol forte. E ele também carregava uma fita no pescoço. 

No dia da cirurgia, sendo examinado, descobrimos que as orelhas dele não foram atingidas pelo sol forte. 
Elas foram mutiladas. Gato branco, de olhos azuis, não-castrado. E com aquela fitinha no pescoço. 
A uns 3 anos atrás resgatei um gatinho nas mesmas condições.
O Jon Snow havia sido vitima de um ritual.

um bebê super carinhoso

as orelhinhas mutiladas

a fitinha

castradinho já, a fita foi cortada após essa foto

O Jon é um gato extremamente doce e que ama pessoas, adora colo e carinho.

O plano inicial era castrá-lo e soltá-lo na area dos filhotes ferais, mas sendo tão bobo, ele acabaria sendo morto por eles ou atropelado na rua, indo atrás de alguma pessoa. 

Ainda estamos longe de nos recuperarmos das contas da Lillybell e a Mãezinha continua no Lar Temporário. Havia escolhido o C.E.D justamente pela impossibilidade de lidar com as despesas altas de colocar um animal para doação responsável, mas como virar as costas para um bichinho desses?

O projeto está com as capturas SUSPENSAS até o  Jon ou a Mãezinha serem adotados. Iremos apenas continuar com as castrações já marcadas da Cota Social e o restante de nossos recursos será utilizado para o Jon. 

Ele está internado na clinica, sob tratamento com frontline. Depois será vermifugado e vacinado, além de, banhado. 

Os requisitos para sua adoção são os mesmos para a Lillybell: pessoas responsáveis, casas seguras ou apartamentos telados. Em caso de Lar Temporário, nos responsabilizamos pela ração e areia até que ele seja adotado.

Ainda não consegui digerir como alguém pôde ter feito isso... mesmo com tantos anos ajudando bichos, maldade é algo que não dá para se acostumar.

Fiquem com o video do Jon Snow lindo e carinhoso antes da cirurgia:



Se alguém quiser apadrinhar o Jon e nos ajudar com suas despesas ( diárias na clinica, vacina, ração, etc ) por favor, entre em contato.

domingo, 13 de maio de 2012

Doenças Felinas 3 - Peritonite Infecciosa Felina ( PIF )

Mais uma séria e fatal doença que atinge exclusivamente gatos. 


"Sem vacina segura, sem diagnóstico fiável e, sobretudo sem cura, a PIF é a infecção mais mortífera nos gatos. Uma vez detectada, a esperança de vida restante do gato cai para 2 anos.

A Peritonite Infecciosa Felina (PIF) é causada por uma das dezenas variantes do coronavírus. A presença do coronavírus nos gatos é uma doença benigna, que geralmente não causa sintomas e que os gatos acabam por combater eficazmente através da ação do próprio sistema imunológico. 

Na realidade, a maioria dos donos não chega a saber que o gato esteve infectado por este vírus. 
Contudo, em 1 a 3% desses casos, o coronavírus degenera numa variante imunomediada quase sempre letal.

acumulo de liquido em abdomen por PIF na forma umida
A PIF e o Sistema Imunológico

O desenvolvimento da PIF está intrinsecamente ligada ao estado em que se encontra o sistema imunológico. A PIF geralmente surge em gatos com um sistema imunológico deficitário: pouco desenvolvido em gatos jovens, até dois anos, enfraquecido em gatos idosos, com mais de 14, ou debilitado em gatos adultos, freqüentemente devido ao stress.

Gatos com outras doenças que afetam o sistema imunológico, tais como leucemia (FeLV), ou uma espécie de SIDA (FIV) estão mais vulneráveis ao desenvolvimento da PIF.

Paradoxalmente, um sistema imunológico combativo não faz com que a progressão da PIF abrande, pelo contrário, vai gerar a aceleração da doença se esta já estiver instalada.

PIF e Portadores

Nem todos os gatos nos quais se verifica a presença do coronavírus desenvolvem sintomas. Em alguns, a doença manifesta-se meses ou anos após a infecção ocorrer e, durante este tempo, podem infectar outros gatos.

Tipos de PIF

Existem dois tipos de PIF: a Úmida ou Efusiva e a Seca ou Não-Efusiva. Ambas podem causar diarréia, perda de peso e letargia. Na verdade, a PIF não se trata de uma inflamação do peritônio, mas sim, de uma inflamação dos vasos sanguíneos, vasculite.

PIF Seca e Não-Efusiva

A PIF Seca é uma forma crônica da doença, que se não for tratada pode dar origem à variante húmida. É mais difícil de diagnosticar, pois os sintomas que apresenta não são exclusivos desta doença.

Lesões ocorrem por todo o corpo, e os sintomas variam de acordo com os órgãos afetados (rins ou fígado, por exemplo). Muitos gatos desenvolvem inflamações oculares e/ou problemas neurológicos, tais como paralisia ou ataques. Gatos com PIF Seca podem ainda desenvolver icterícia, ou seja, obterem um tom amarelado na pele, que é mais visível no nariz.

PIF Úmida e Efusiva

Esta é a variante mais grave, pois para além dos sintomas que são verificados na PIF Seca, há também acumulação de fluídos devido à danificação dos vasos sanguíneos.

liquido sendo retirado de cavidade de um gato com PIF umida

Na maioria dos casos de PIF húmida, 60 a 70%, há acumulação de fluídos no corpo, mais comumente no abdômen, o que gera um inchaço na zona abdominal. O mesmo pode acontecer na zona torácica, o que pode causar problemas respiratórios adicionais.

Diagnóstico

A detecção da PIF não é tão fácil como, a princípio, poderia parecer. Os sintomas são comuns a outras doenças e ainda não há nenhum método em que não ocorram falsos negativos ou falsos positivos, ou seja, gatos que se pensava estarem infectados e mais tarde verifica-se que não, e gatos que se pensava não estarem infectados e mais tarde verifica-se que estavam. 


Alguns dos metodos de diagnostico são: Teste do coronavírus, Polymerase Chain Reaction (PCR), Análises do fluído abdominal / torácico / Raio-X ( para suspeita de PIF umida ) , Análise de Células dos rins ou fígado, Biópsia, Combinação de análises de sangue. Também há casos que somente após a morte do animal, por necropsia, a doença pode ser confirmada.

Tratamento

Infelizmente não há tratamentos eficazes contra a PIF. Os gatos são assim medicados na tentativa de eliminar ou aliviar sintomas. Contudo, não há cura para a doença.

Eutanásia

Nos casos em que se manifestam sintomas e em que há um diagnóstico sólido, a eutanásia é praticamente inevitável. O tratamento pode resultar no alívio temporário dos sintomas, mas eventualmente a doença progride. Alguns gatos recuperam, mas os casos são raros e constituem a exceção à regra.

Antes de optar por esta solução tenha a certeza de que se trata de PIF, pois como foi referido anteriormente, nem todos os coronavírus causam PIF."

domingo, 15 de abril de 2012

Gatinho #94, Gatinha #95 e a caixa que retornou vazia

Hoje tentamos mais uma vez capturar a mãezinha dificil que mora em uma das ruas da colonia inicial. 
Ela já está com mais uma ninhada, uma gata extremamente furtiva que conseguiu escapar até mesmo da drop trap, algo que ainda não entendemos como aconteceu. 

Felizmente, minutos depois, apareceu um macho que ronda a area dos filhotes capturados domingo passado e não demorou muito para que ele se tornasse o #94. 





Voltamos até a area dos filhotes, em busca do preto-e-branco que foi solto devido à nossa falta de verba e caixas de transporte. E ao chegarmos avistamos OUTRA filhota desconhecida. Os outros rosnavam para ela e impediam que ela se aproximasse da comida, o que fez com que fosse atraída para a drop e se tornasse a #95.

lindinha do zoio azul, aproximadamente 7-8 meses de idade




Quando estavamos indo para a clinica, resolvemos passar por uma rua para tentar pegar uma gatinha que vive por lá. Mas assim que estavamos nesta rua, avistamos um gatinho deitado debaixo do carro. Logo o reconheci. Era a rua do meu trabalho e aquele gato tigrado e branco geralmente andava por ali. Sempre tentei me aproximar, mas sem sucesso. Estranhamente, ele permaneceu no mesmo lugar, quando tentei atrai-lo com comida e ele, que nunca permitiu nem que eu me aproximasse, miou para mim. Um miado longo e baixo. 

Percebi a pata extremamente inchada e uma apatia não-natural para um gato de rua. Tentei pegá-lo com o cambão, mas sem sucesso. Quando ele saiu debaixo do carro, logo se jogou na calçada, a respiração estranhamente acelerada. Conseguimos atraí-lo com a gatoeira tradicional e o levamos para a clinica, onde foi o primeiro a ser atendido. 

Durante o exame fisico descobrimos que ele tinha uma pata fraturada, costelas quebradas e uma hernia extensa. Ao ir para a cirurgia, esse buraco imenso - provavelmente causado por atropelamento -  fazia com que todas as suas visceras comprimissem o coração e pulmões, sendo que um deles já estava comprometido. 

Até aquele momento, este gatinho sentia uma dor imensa em todo o corpo e cada entrada e saída de ar colocava uma pressão imensa em seu organismo. Sinceramente não sei como ele sobreviveu com ferimentos tão sérios.

Se tivesse nas ruas, possivelmente iria morrer em pouco tempo, entre os carros ou sozinho em algum terreno baldio. 

Mas, ele partiu anestesiado, com todo o suporte para que não sentisse mais dor alguma. 
Ele partiu em paz. 

Essa foi a nossa primeira perda em dia de captura. 
Um gatinho que, acredito, pediu nossa ajuda. 

Infelizmente, mesmo sabendo que fizemos tudo o possivel, isso não torna as coisas mais facéis. 
Fico imaginando por que não chegamos mais cedo, o que realmente aconteceu. 
Imagino inumeras perguntas e possibilidades, mas que no fim não irão trazer ele de volta ou apagar o sofrimento que ele encontrou nas ruas. 

E ele será mais um exemplo inesquecivel do porque castrar animais é tão importante e porque a rua não é e nunca será um lugar seguro onde gatos ou cães devam "dar uma voltinha".

Voltei para casa com uma caixa de transporte vazia, com um gatinho que não pôde retornar ao seu local de origem e viver o resto dos seus dias, de uma forma melhor, pela castração.

Cheguei em casa e meu gato tigrado e branco, da mesma cor deste gatinho, estava na porta me esperando e fez gracinhas, mostrando a barriga, quando entrei.

Enquanto estão anestesiados, acaricio cada um dos Felinos Urbanos, pois sei que, para a grande maioria deles, será o unico contato com afeição humana que terão em suas vidas. 

Eu quero que eles saibam que não estão sozinhos, que possuem alguém para zelar por eles e chorar por eles, quando nosso descaso os atingem cedo demais. 


"Devemos abraçar a dor e usá-la como combustivel para nossa jornada."
Kenji Miyazawa 

sábado, 14 de abril de 2012

Doenças Felinas 2 - Leucemia Felina

Texto de autoria da Confraria de Miados e Latidos ( SP )

"A Leucemia Felina ( FELV ), ao contrário da humana, não é um cancêr. A leucemia felina é causada por um vírus, que pode provocar um grande variedade de desordens degenerativas – entre eles, sarcoma, linfoma e doenças hematopoéticas –, mas também pode ser assintomático. De qualquer forma, o importante é saber como a doença é transmitida, os sintomas e cuidados necessários.

Diferente da FIV, em que o animal pode ter um contato com outro gatinhos, a FELV exige que um gatinho portador do vírus seja filho único. Se você tem mais de um gatinho em casa e descobre que um deles é portador do vírus, é importante que ele seja isolado dos demais e tratado individualmente, independente dos outros serem negativos ou assintomáticos.

A contaminação do vírus da FELV acontece quando um gatinho contaminado tem contato com um gato sadio, por meio de compartilhamento de vasilhas sanitárias e os mesmos potinhos de água e comida. Mordidas, espirros e cuidados com a higiene entre eles – o famoso banho de gato, também podem transmitir FELV.

em apenas um "passeio" nas ruas o seu gato pode se tornar portador da doença

A maior concentração do vírus está na saliva, em secreções nasais, no sangue ou na urina – as fezes também têm, mas em menor quantidade.

Os gatinhos portadores de FELV PRECISAM ser castrados, pois fêmeas grávidas podem passar o vírus para seus filhotes, diretamente pela placenta ou na amamentação.

castrando sua gatinha antes do primeiro cio, você evita uma ninhada indesejada e que ela e os filhotes contraiam FELV

Os gatinhos, nesse caso, já nascem infectados pelo vírus e infelizmente podem vir a óbito, mas isso não quer dizer que todos os casos serão, obrigatoriamente iguais. Existem gatinhos que nascem de mães portadoras do vírus e não desenvolvem problemas. Também existem casos de gatinhos que eliminam o vírus.

Para saber se seu gatinho é portador do vírus da FELV, busque ajuda veterinária. O diagnóstico é feito por meio de um exame de sangue, denominado teste ELISA, que detecta o vírus no sangue, bastante eficiente, que dificilmente apresenta um resultado falso-positivo ou negativo quando o animal está efetivamente contaminado.

A FELV age no organismo dos gatinhos variando com a imunidade deles. Ou seja, cada animal reage de maneira diferente, segundo sua própria condição. Alguns gatinhos apresentam sérias complicações, outros, entretanto são portadores, mas não chegam a apresentar sintomas, vivem bem durante anos, mas podem transmitir o vírus a outro que tenha menor resistência.

Os sintomas podem variar de acordo com o local de ação do vírus. Pode atingir vários tecidos ou levar a reações não específicas, como apatia, anorexia, anemia, febre, gengivite/estomatite, uveíte [inflamação intra-ocular], diarréia, entre outros.

Uma das características mais específicas da Felv em relação a outros vírus é que muitos gatos podem se recuperar e eliminar o vírus sozinho. Nestes casos, a infecção induz uma poderosa resposta imunológica do organismo, que pode extinguir a infecção. Se isso acontecer antes da medula óssea ser infectada, há grandes chances de que a infecção seja eliminada e o gato deixe de ser portador da doença.

Cuidar de um gatinho FELV positivo não é diferente dos cuidados com um gatinho saudável. O animal precisa receber alimento de boa qualidade e evitar carne crua, ovos e leite não pasteurizado, em virtude do maior risco de infecções bacterianas e parasitárias. Além disso, é importante verificar se os gatos assintomáticos estão com as vacinas em dia e, caso contrário, vaciná-los com quádrupla felina e antirrábica.

O tratamento médico de um gatinho com FELV está relacionado aos sintomas que ele apresenta ou doenças secundárias.

Dependendo do caso, é necessário o tratamento com drogas antivirais, assim como nos seres humanos. Devido à resposta a estas drogas, entretanto, esta prática é pouco usada na medicina felina, pois muitos gatos apresentam vômitos e às vezes diarreia associado ao uso do medicamento, interferindo assim na resposta ao tratamento clinico.

Esta doença NÃO é transmitida para outras espécies animais!
É uma infecção exclusiva dos gatos.

Se você tem um gatinho com FELV, visite o veterinário periodicamente!"

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Gatinho #86 e noticias da Mãezinha


Ontem saímos em captura. Mais 2 horas na rua da gatinha do tumor, sem sucesso :( 

Fomos para a area da #70 e avistamos um macho amarelo e branco na calçada, mas quem veio para a gatoeira foi um enorme macho branco e cinza. Em menos de 5 minutos ele foi capturado, mas para fazer a transferencia da drop para a caixa foram uns bons minutos de tensão devido à ferocidade do gato. 

Ele simplesmente quebrou a alça da portilhona e ainda partiu a porta em 2 hehehehhe

Foi necessário contê-lo com o cambão, ainda dentro da drop, para que pudessemos direcioná-lo corretamente para dentro de caixa. Um gato de respeito :) 

quase 5kgs de pura força :)

castração concluída, dias melhores :)

marcação na orelhinha :)

Ontem também fomos até uma parte da colonia onde existem pelo menos 6 filhotes que serão nosso foco do mês de Abril, pois eles já estão com aproximadamente 5 meses de idade e não irá demorar muito para que as femeas apareçam prenhes. Explicamos sobre nossas ações para um dos vigias da area e pedimos permissão para ir capturar os gatos. Ele nos deu apoio e irá avisar seu colega de trabalho para que tenhamos acesso ao local :)

Essa semana completa um mês desde que Lillybell e Mãezinha foram resgatadas. 
A Lillybell está linda, fortinha e sapeca, à espera de uma boa familia. 

Mãezinha veio hoje para fazer um ultrassom. Desde que foi resgatada ela estava com um volume incomum no abdomen. Durante a castração seu utero estava normal, apenas dilatado de tantas crias consecutivas, sem nenhum sinal de infecção. Quando ela retornou para tirar o pontinho, o volume incomum estava ainda maior e depois o tamanho estava aumentando :(

o abdomen da Mãezinha visto de cima

Marcamos um ultrassom para darmos uma olhada no que poderia estar acontecendo, que foi feito hoje pela Dra.Denise :)  Ainda bem que não foi nada sério, até mesmo falamos de tumor no baço, mas ela está apenas com muitos gases dilatando o abdomen, provavelmente resultado da troca de restos de comida para ração. O figado dela estava com alguns pontos de gordura e a bexiga com sinais de cristais, Dra.Tarsila e Dr.Jairo irão conversar sobre a melhor terapeutica para a bexiga, se for necessário ela irá comer ração propria para desfazer os cristais :) 




Finalmente o olhinho dela está plenamente curado :) 



Nada como cuidados e carinho para transformar a vida de um bichinho :) 

Assim que resolvermos esses outros probleminhas, a Mãezinha será posta oficialmente para adoção.
Sei que arrumar um lar para ela será bem dificil, já que nem a Lillybell ainda encontrou um candidato decente, mas espero que alguem se apaixone pela Mãezinha assim como nós. É uma gata super docil, ronronenta e tranquila, adora pessoas, carinho e tolera outros animais :) 

toda fofa :)

Enquanto as gatinhas estiverem sob a responsabilidade do projeto, vou fazer tudo o possivel para arcar sozinhas com suas despesas, mas infelizmente isso significa também tirar dos meus recursos para as castrações :(

Gostaria de ao menos poder esterilizar os filhotinhos, pois eles estão em facil acesso mas isso só seria possivel de acordo com nossas doações

Mas as duas estão bem e sendo bem tratadas, longe das ruas, então só por isso, já faz tudo valer a pena :) 

Obrigada a todos que mandaram pensamentos positivos para a Mãezinha e torceram por um bom resultado nos exames e quem está ajudando ela e a Lillybell em qualquer maneira :)

sexta-feira, 16 de março de 2012

Gatinhas #77 e #78 - Para adoção responsável!

Hoje foi um dia muito feliz :) 

Lillybell e sua mãezinha voltaram do lar temporário para fazer uma revisão no olhinho e nas cirurgias de castração. 

As duas estão otimas, gordinhas, limpinhas e felizes. A Lillybell cresceu também :)  Cirurgias cicatrizadas e o olho da mãezinha está respondendo muito bem ao tratamento, ela não tem mais risco de perder a visão :)




cade aquele pontinho que estava aqui? :)
olhinho da mamãe, 80% melhor :)
adora carinho!
fazendo gracinha :)

Na proxima semana elas serão vacinadas, mas já estamos procurando novos lares para elas. 
Hoje a primeira parte das diárias foram pagas, totalizando R$130. Felizmente recebemos duas doações extras que nos possibilitou quitar essa divida.

comprovante de pagamento das diárias

Nossos recursos são poucos, as gatinhas estão recebendo o melhor tratamento possivel, comendo ração de qualidade, já vermifugadas, mas cada moedinha que vai para elas são menos castrações para os gatinhos de rua. 

Precisamos de padrinhos e madrinhas para ajudar nas diárias enquanto essas lindinhas não encontram um bom lar. 

Você pode ajudá-las? Qualquer quantia é bem-vinda :)