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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Lidando com preocupações sobre a castração precoce - parte 3

Texto traduzido de: Lidando com preocupações sobre a castração precoce da ASPCA ( maior associação americana de bem estar animal, fundada em 1866 )

CARACTERÍSTICAS SEXUAIS SECUNDÁRIAS 

A vulva em cadelas castradas é menor do que de cadelas não-castradas, mas não há evidência da existência de importância clinica nesta diferença de tamanho. 

Dermatite perivulvar é uma condição que ocorre tanto em fêmeas castradas quanto não-castradas e está mais associada à obesidade do que à esterilização. Glândulas mamarias também são menores em tamanho. 

O pênis e prepúcio de machos castrados irá manter o aspecto juvenil, mas, novamente, não há problemas clínicos nestes animais que não são sexualmente ativos. 

                                        As espiculas ( "espinhos" ) penianos são formadas a partir da influência                                                  da testosterona e servem para estimular a ovulação das gatas durante a copula 

No gato macho, há uma redução da habilidade de expor o pênis do prepúcio, mas não há conhecimento de problemas clínicos associados à isso. 

Essa característica pode ocorrer, independentemente se o animal for castrado com 7 semanas ou aos 7 meses de idade. 

DOENÇAS INFECCIOSAS 

Alguns abrigos encontraram um aumento na incidência de doenças respiratórias ( em particular, doenças do trato respiratório superior em gatos e parvovirose em cães ) em animais que foram submetidos à castração precoce, mas o stress da vida no abrigo, anestesia e os efeitos da cirurgia também afetam animais adultos, não somente os filhotes. 

Muitos animais de abrigo irão, provavelmente, desenvolver doenças de qualquer forma, já que há um grande número de agentes infecciosas presentes nestes locais. 

Doenças infecciosas não devem ser um problema em ambientes de clinicas particulares. 

PIOMETRA 

Piometra é uma infecção uterina que afeta 15.2% a 24% de cadelas entre as idades de 4-10 anos em países onde a castração não é comumente feita. 

Já que a castração, que remove os ovários e útero, assim prevenindo o desenvolvimento da doença, é um procedimento de rotina nos EUA, as informações sobre a incidência, no país, são difíceis de conseguir. 



A ovariectomia, remoção cirúrgica de somente os ovários, também irá prevenir o desenvolvimento de piometra, mesmo que o útero seja deixado intacto no animal. 

HIPOTIREOIDISMO

Hipotireoidismo ocorre com maior frequência em cães castrados, mas a relação causa e efeito ainda não foram estabelecidas. A incidência de hipotireoidismo em cães é de 0.2% e 0.3% e algumas raças, como o Doberman, Golden Retriever e Dachshunds são mais propensos à doença. 

DIABETES MELLITUS 

Gatos, machos e fêmeas, castrados, tem demostrado possuir um risco maior de desenvolver diabetes mellitus em comparação com animais não-castrados. Outros fatores de risco para o desenvolvimento da diabetes incluem: raça ( Burmeses tem uma maior incidência ), sexo ( machos são os mais propensos ), obesidade e idade.  

gatos machos obesos são os mais propensos a terem diabetes 
Teorias recentes sugerem que uma dieta cheia de carboidratos como a ração seca também seja um fator de contribuição para o desenvolvimento da doença em gatos. 


Um possível risco para o aumento do desenvolvimento da diabetes foi apontado em machos castrados, mas também associado à obesidade. 

Mais pesquisas sobre o assunto são necessárias

NEOPLASIAS

Há uma preocupação que a castração precoce possa aumentar o risco de alguns tipos de neoplasia. Para que possamos balancear o assunto, qualquer discussão sobre neoplasias também deve acompanhar a diminuição dos riscos do animal desenvolver outros tipos de neoplasia. 

Por exemplo, tumores nas glândulas mamarias são o tipo mais comum de tumor em cadelas, com uma incidência reportada de 3.4% e são o terceiro mais comum em gatas, com incidência de 2.5%. Em cadelas, 50% dos tumores são malignos e para gatas, a porcentagem sobre para 90%. 

Cadelas e gatas não-castradas tem um risco muito maior de desenvolverem tumores mamários do que animais castrados. Estudos mostram que o risco de desenvolver a doença em cadelas castradas antes do primeiro cio é de 0.5%. Após o primeiro cio, a chance aumenta para 8.0% e após o segundo cio, a chance é de 26%. 

tumor de mama em cadela 

Muitos veterinários acreditam que a castração diminui os riscos de câncer de próstata nos machos, mas estudos indicam que animais castrados tem, na verdade, 2.4 – 4.3% mais chances de desenvolverem tumores de próstata que cães não castrados. No entanto, a incidência desses tumores nos cães castrados é de apenas 0.2%-0.6%. 

A relação causa e efeito ainda não é conhecida, mas a castração protege o animal de outras doenças prostáticas muito mais comuns em cães não-castrados, como, por exemplo, a hiperplasia prostática, hiperplasia cistítica, metaplasia escamosa, cistos paraprostáticos, inflamação da próstata e abcessos prostáticos. 

Outro tumor que tem sido associado com a castração é o hemangiossarcoma. Fêmeas castradas tem 2.2 vezes mais chances de desenvolverem hemangiossarcoma hepático e 5 vezes mais chances de desenvolverem hemangiossarcoma cardíaco do que fêmeas não-castradas. No entanto, a incidência geral de tumores cardíacos é de apenas 0.19%, tornando-o bastante incomum em relação a outros tumores. 

Acredita-se que a incidência de osteosarcoma é de 2%, mas a castração pode aumentar o risco da doença em 1.3 a 2.0 vezes. Em um estudo limitado com Rottweilers por COOLEY, houve um aumento significativo da doença em cães castrados antes de 1 ano de idade ( o que não é considerado castração precoce ), mas de uma forma geral a incidência da doença nesta raça é muito mais alta do que em qualquer outro animal. 

Além disso, neste estudo, a expectativa de vida das fêmeas castradas era mais longa do que a de fêmeas não-castradas. Não é possível generalizar o efeito em todos os cães a partir deste único estudo. 

Carcinoma celular transicional é o tumor mais comum do trato urinário em cães. Animais castrados tem um risco maior de 2-4 vezes de desenvolverem a doença do que animais não-castrados. No entanto, a relação causa e feito não foi bem definida, e este tipo de tumor em cães é reportado como somente 1% dos casos de todos os tumores malignos. 

Tumores testiculares aparecem como 90% dos tipos de câncer do sistema reprodutor masculino. Apesar de muitos fatores podem ser responsáveis por seu aparecimento, o criptorquismo ( uma falha em que o testículo não desce para a bolsa escrotal, permanecendo na cavidade abdominal ) é o maior fator de contribuição para o aparecimento da doença. 

criptorquismo em cão 

Metástase é considerada baixa para estes tipos de tumores e a castração é, geralmente, a terapia de prevenção e curativa. 

RESULTADOS A LONGO PRAZO 

Muitos estudos tem associado a castração precoce e castração em qualquer idade a várias condições de saúde, no entanto, na maioria das vezes, uma direta relação entre causa e efeito ainda não foi determinada. 

Além disso, muitos dos problemas de saúde apontados, como  o hemangiossarcoma são extremamente raros e influenciado por outros fatores como hereditariedade, raça, idade, dieta, peso e ambiente. Eles também ficam em segundo plano, quando pensarmos nos benefícios que a castração precoce pode trazer ao animal em condições muito mais comuns, como tumores de mama, piometra e neoplasia benigna da próstata. 

Baseado nos conhecimentos atuais, médicos veterinários devem se sentir confortáveis para instruir os tutores de seus pacientes sobre a melhor idade para castrar cães e gatos. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Lidando com preocupações sobre a castração precoce - parte 2

Texto traduzido de: Lidando com preocupações sobre a castração precoce da ASPCA ( maior associação americana de bem estar animal, fundada em 1866 )

OUTROS FATORES DE SAÚDE 

Muita das informações neste texto foram retirados de informações sobre a segurança a longo prazo da castração precoce, de um artigo de 2007, da Drª. Margaret Root Kustritz, médica veterinária especialista em reprodução, na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Minnesota. 

OBESIDADE 

Obesidade é um problema tão comum para cães e gatos que muitas organizações veterinárias e empresas de comidas para pets desenvolvem vários recursos e dietas especiais para ajudar os tutores a reduzir o peso de seus animais. 

A obesidade é influenciada por um grande número de fatores e enquanto alguns veterinários reportam que animais castrados tem uma tendência a ganharam mais peso do que animais não-castrados, isso pode acontecer independentemente da idade em que o animal foi esterilizado. Um estudo publicado em 1991 indica que cães não desenvolvem obesidade se forem castrados precocemente ou logo após os 6 meses. Outro estudo de 1996 mostra que gatos podem ganhar peso independente da idade da castração. 

a obesidade em cães e gatos já é considerada uma epidemia mundial 

Um estudo de 2004 da Cornell*, indica uma diminuição de casos de obesidade em cães machos e fêmeas que foram submetidos à castração precoce, comparado com aqueles esterilizados após os 5 meses de idade. 

Então, podemos concluir que a obesidade é um problema multi-fatorial e não automaticamente uma consequência da castração. Até mesmo um animal não-castrado pode se tornar obeso se não receber uma dieta adequada e sem exercícios. Assim como em seres humanos, má alimentação e ausência de atividade física são os reais culpados. 

CRESCIMENTO 

Muitos veterinários, erroneamente, acreditam que a castração precoce irá prejudicar o crescimento dos animais. Essa preocupação foi refutada em vários estudos. A remoção da influência dos hormônios sexuais nas placas de crescimento dos ossos longas resulta em um atraso no fechamento das mesmas, ou seja, os ossos, na verdade, ficam mais longos. 

No entanto, até o momento.  não há significância clinica na diferença de tamanho destes animais. 

RUPTURA DO LIGAMENTO CRANIAL CRUZADO 

A incidência reportada de ruptura de ligamento cranial cruzado em cães é de cerca de 1.8%  e é mais reportado em cães machos e fêmeas castrados do que não-castrados. 

A relação entre causa e efeito ainda não é definida, mas além da suspeita de influência hormonal, hereditariedade, peso e condição corpórea no geral também possuem um peso neste tipo de problema. 

Mais pesquisas sobre o assunto são necessárias. 

DISPLASIA COXOFEMURAL 

A incidência reportada de displasia coxofemural é de 1.7%, com números mais significativos em raças de cães grandes e gigantes. A displasia coxofemural é uma condição hereditária, afetada pelo manejo ambiental do cão, assim como dieta. 

Estudos de longo prazo observam a incidência de displasia em cães e associação da doença com a castração precoce. 

estágios da displasia coxofemural 

Em um longo estudo da Cornell, filhotes submetidos à castração precoce antes dos 5.5 meses de idade tiveram um aumento na incidência de displasia.  No entanto, achados adicionais indicaram que cães que foram castrados aos 6 meses de idade eram 3 vezes mais propensos a serem eutanasiados por causa da displasia do que os cães castrados precocemente. 

Os autores sugerem que a castração precoce pode estar associada  a um tipo menos severo de displasia coxofemural. 

COMPORTAMENTO 

Os efeitos da castração precoce são amplamente desconhecimentos. 
A castração e subsequente diminuição nos hormônios sexuais tem sido co-relacionados com a diminuição de dimorfismo sexual entre machos e fêmeas. 

A castração, em qualquer idade, reduz o hábito dos machos de demarcar território com urina, fugas e brigas com outros machos em competição por fêmeas no cio, fazendo deles, animais de companhia mais desejáveis. 

Além disso, a treinabilidade de animais de trabalho não é alterada com a castração e não sofre variação com a idade em que o animal é esterilizado. 

a grande maioria dos cães de serviço são castrados 

Um estudo da Cornell com cães castrados antes dos 5.5 meses indicou um aumento de sensibilidade por sons, diminuição de comportamentos sexuais, fugas, ansiedade por separação e marcação de território com urina quando assustados. 

No entanto, o estudo HOWE, em 2001, mostrou que não havia diferença na incidência de problemas comportamentais de uma maneira geral ou especifica na castração precoce e castração tradicional. 

Vários estudos mostraram um aumento de agressividade em uma raça especifica de cão e reatividade após a esterilização destas fêmeas durante o cio. A causa exata dessa tendência permanece desconhecida. 

HART, 2001, reportou uma diminuição progressiva de função cognitiva em machos não-castrados em comparação com machos castrados, mas a amostra desse estudo era muito pequena e sem relação com a castração precoce. 

Existem novas evidências que animais castrados, independentemente das 7 semanas ou 7 meses, são mais ativos e animados e que gatos, machos e fêmeas, se tornam mais carinhosos do que os animais não-castrados, mas essa é uma observação subjetiva. 

Mais pesquisas para explorar o impacto da castração no comportamento dos animais ainda são necessárias. 

DOENÇA DO TRATO URINÁRIO

Apesar de alguns veterinários continuarem a acreditar que a castração precoce contribui para um maior número de obstruções urinárias nos gatos machos, esse não é o caso. Estudos feitos em gatos machos para determinar a incidência de obstruções do trato urinário em populações de animais não-castrados e castrados e não foram encontradas co-relações entre a idade da esterilização e incidência da doença. 

Foi descoberto que não há variação do diâmetro da uretra peniana em gatos não-castrados ou felinos castrados com 7 semanas ou 7 meses. 


INCONTINÊNCIA URINÁRIA 

Incontinência urinária responsiva ao estrogênio, atualmente conhecida como Incompetência do Mecanismo Esfincter Uretral ( ou, simplificadamente, a inabilidade de controlar urina ), é comum em fêmeas castradas, independente da idade em que foram esterilizadas. 

No entanto, um estudo da Cornell indicou que há um significante aumento do risco de incontinência urinária para cadelas castradas antes das 12 semanas de idade, apesar de outros fatores também influenciarem o desenvolvimento do problema, como idade, obesidade e raça. 

Cadelas idosas e não-castradas irão apresentar incontinência como resultado da diminuição do estrogênio circulante, que tem efeito no esfincter uretral externo. Incontinência pode aparecer logo após a cirurgia de castração, anos após ou nunca. 

É necessário mais pesquisa sobre o assunto. O estudo da Texas A&M não mostrou aumento de risco e outro estudo de 1992 mostrou uma maior incidência de incontinência urinária em fêmeas castradas após o primeiro cio. 

*Cornell University College of Veterinary Medicine

Lidando com preocupações sobre a castração precoce - parte 1

Texto traduzido de: Lidando com preocupações sobre a castração precoce da ASPCA ( maior associação americana de bem estar animal, fundada em 1866 )

Estudos mostrando resultados a longo prazo de castrações realizadas precocemente ou nas “idades tradicionais” em gatos e cães foram publicadas no Jornal da Associação Americana de Veterinária nas edições de 1º de Dezembro de 2000 e 15 de janeiro de 2001, respectivamente. 

Os estudos envolveram 269 cães e 263 gatos de abrigos de animais e foram conduzidos pela Dra.Lisa Howe, da Universidade A&M de Veterinária do Texas. 

A conclusão para cães, foi: “salvo animais com doenças infecciosas, a castração precoce pode ser feita de maneira segura em cães, sem a preocupação de incidência de problemas físicos ou comportamentais por, pelo menos, um período de 4 anos após a castração.” 

Abrigos que mantém filhotes por um longo período tem encontrado problemas com a parvovirose. No entanto, os autores desses estudos não concluíram que a castração precoce pode predispor o animal à doença.  Os filhotes no estudo estavam em uma idade altamente susceptível ao parvovírus e em ambiente de abrigo onde a doença é comum. 

Eles desenvolveram parvovirose por estes motivos e não por terem sido castrados precocemente. 

filhotes castrados são doados mais rapidamente e quanto mais cedo eles saíram do ambiente de abrigo, melhor 

A conclusão para gatos foi: “a castração precoce pode ser feita de forma segura em gatos sem preocupação de incidência de problemas físicos ou comportamentais por, pelo menos, um período de 3 anos após a castração.”

Outro estudo sobre os efeitos a longo prazo da castração precoce foi publicado no Jornal da Associação Americana de Veterinária na edição de 1º de Janeiro de 2004. Este estudo, coordenado pelo Drª. Vic Spain, do Colégio de Medicina Veterinária da Universidade de Cornnel, investigou os arquivos de 1.842 cães e 1.660 gatos de abrigo que foram submetidos à castração precoce. 

Este estudo teve duração de 11 anos e a conclusão para cães foi: “já que a castração precoce oferece mais benefícios do que riscos para cães machos, os abrigos podem, de forma segura, submetê-los a castração aos 2 meses e os veterinários devem considerar a recomendação da castração precoce como rotina para os tutores, antes da tradicional idade de 6-8 meses de idade. Para cadelas, no entanto, casos de incontinência urinária sugerem que a castração precoce seja mais benefica aos 3 meses de idade."

Em uma palestra de 2011 para acadêmicos veterinários em Quesland, Austrália, Dr.Jeff Young, um dos grandes nomes mundiais em controle populacional, fala sobre a incontinência urinária e seus múltiplos fatores: 

"(...) devemos levar em consideração a técnica cirúrgica. Se você está usando Catgut  na base do útero, você não está fazendo o correto para o animal. Se eu tenho um estudo cientifico sobre isso? Não. Mas é a minha experiência, já remexi dentro de animais o suficiente, tirando grandes granulomas. Quando você corta e amarra o útero, ele retrai bem na bexiga e é onde os problemas de incontinência começam. O tipo de sutura é muito importante. 

Na Costa Rica eles tiveram grandes problemas com castração precoce pois estavam usando nylon da espessura do meu dedo. Você não acha que é um problema, algo assim, se esfregando em uma bexiga? Não faria isso com nenhum animal. Mas, é mais barato, mais rápido e por isso eles fazem, mas quando tem todos esses problemas, não sabem o motivo. Se você for fazer algo, faça direito. 

E, por isso, eu daria mais motivos para explicar incontinência. Fêmeas que já tiveram muitas ninhadas tem um aumento entre 4% a 8% de chances de apresentar incontinência, aumento de peso também, mas entre 8% a 16% terão incontinência se forem castradas. A pergunta é: será que podemos pegar esse percentual de 8 a 16% e diminuirmos isso através da mudança de técnicas cirúrgicas, nos certificando que elas não irão ganhar peso, lidando corretamente com o hipotireoidismo?

Algumas raças como Dobbermans, adivinhem só, terão incontinência. Boxers terão incontinência, pois tem uma grande chance de hipotireoidismo, sempre estão acima do peso ou possuem algum outro problema, então há muitas outras causas envolvidas."



É importante salientar que as fêmeas com incontinência urinária já se encontravam em suas casas após adoção e não foram devolvidas ao abrigo. 

O estudo a longo prazo da Texas A&M não encontrou achados semelhantes sobre incontinência urinária e, outro estudo ( ARNOLD, 1992 ), mostrou que havia maior incidência de incontinência urinária em fêmeas castradas após o primeiro cio. 

A conclusão para gatos do estudo da Universidade de Cornell foi: "a castração antes dos 5.5 meses não foi associada à casos de morte ou devolução dos animais ou ocorrência de nenhuma condição médica séria ou problemas comportamentais e pode garantir melhor qualidade de vida à longo prazo, especialmente para gatos machos. Abrigos podem, de forma segura, submeter os gatos à castração precoce e os veterinários os veterinários devem considerar a recomendação da castração precoce como rotina para os tutores, antes da tradicional idade de 6-8 meses de idade."



É necessário ressaltar que o foco dos estudos não foi estabelecer a segurança da castração para animais aos 6 meses de idade. Em uma revisão de literatura por OLSON e ROOT KUSTRITZ,  em artigo publicado em 2001, mostrou que possíveis efeitos colaterais da castração não são acentuados em animais castrados no período de 7 semanas em comparação daqueles esterilizados na “idade tradicional” de 7 meses. 


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Jeff Young e a Castração Precoce - Palestra - parte final


Gatos, C.E.D, Reprodução Indiscriminada e Educação de pessoas

(23:30) 



 
"Algumas razões para grupos de proteção não gostarem muito de mim:


o papel de protetores e ongs 

1-     Abrigar animais nunca irá resolver o problema da superpopulação. Se você tiver 100 canis, terá 120 animais dentro deles e isso não resolve nada. E isso faz alguma diferença para estes animais, como indivíduos? Na verdade, essa situação piora ainda mais as coisas.
2-    Você PRECISA 
garantir que nenhum animal adotado irá reproduzir
3-    Você PRECISA educar as pessoas. 
4-    Você PRECISA estabelecer uma campanha de Captura, Esterilização e Devolução de ferais.
 
Não há discussão sobre esse assunto. Gatos tem muitas ninhadas por ano, é quase algo perpetuo e, no final das contas, 80% destes filhotes que estão em abrigos nos E.U.A, que vão para adoção, são filhotes de gatos ferais ou errantes, não dos que tem dono, já que sabemos que a maioria dos gatos com donos já estão castrados. E também é preciso identificar quando um gato pertence a alguém. 

A pessoa chega ao consultório: “este gato tem um abcesso, não é o meu gato, eu só o alimento nos últimos 3 anos.” Quando ele se torna o seu gato? É nessas situações que, sem duvidas, como profissionais e como grupo, fazemos um trabalho bem ruim de educar as pessoas em relação aos gatos. Estamos bem com os cães , já o consideramos animais da família, 65 a 80% das pessoas consideram os cães animais da família, mas não consideramos os gatos da mesma forma.

Provavelmente a domesticação dos cães tem um grande papel nisso, pois foram os primeiros animais a serem domesticados pela humanidade, entre 80 a 100 mil anos atrás. Temos uma conexão mais antiga com eles. Gatos, só temos contato com eles entre 6 a 10 mil anos atrás. Ainda não estamos lá. Talvez nos próximos mil anos possamos considerá-los com outros olhos.

Há grandes instituições que possuíam enormes recursos financeiros para construir inúmeros canis, mas chegaram a conclusão que isso não fazia sentido. Ao invés de canis, investiram em centros cirúrgicos para castração, para realizarmos mais castrações e oferecer as cirurgias por um preço acessível, contratar um treinador de cães e um especialista em comportamento animal para educar os donos e evitar abandonos nos abrigos. “Por que você está abandonando este cão? Ele faz xixi na casa inteira.”

Ele faz isso por não estar castrado. Apenas ao castrá-lo você reduz a probabilidade deste problema em cães em 70% e em gatos em 90%. É aí que está o nosso papel, como veterinários, como futuros veterinários. Mesmo se você exterminar este problema em particular, você ainda terá pessoas trazendo os animais aos abrigos por motivos ridículos. A pergunta é: podemos devolver estes animais a seus lares de origem, corrigindo o problema? É aí que entra a modificação de comportamento, o treinamento e a educação de pessoas também. São coisas muito importantes.

Os benefícios x malefícios médicos da castração precoce:
1-    melhora comportamental,
2-    redução da incidência de cânceres
3-    maior estimativa de vida
4-    não irão reproduzir
5-    obesidade
6-    incontinência?


Mesmo quando falamos de incontinência, o argumento não é valido quando consideramos a diferença entre vida e morte. Apenas não faz sentido.

Alguns veterinarios dizem que, se castrarmos todos os animais, não teremos de onde ganhar dinheiro. E eu digo, se castrar tudo, irei vender drogas. É apenas uma questão de pespectiva ( risos ).

E voltamos ao ponto de buscar a real causa das coisas.

Vegetarianos vivem 7 anos a mais. E por que isso? Não somente por serem vegetarianos, mas eles possuem um certo estilo de vida mais saudável. Ajuda que sejam vegetarianos? Claro. Provavelmente não terão um ataque cardíaco, mas também possuem probabilidade de ter alguns tipos de câncer.

Dizem que alguns tipos de câncer são mais comuns em animais castrados 

( raças como Golden Retriever ), mas, novamente, como são as especificidades dessa população? E isso representa menos de 0.2% de casos nestes cães. Qual a importância disso quando você se depara com milhares, milhões de animais sendo mortos? Não é um fator valido.

Adoro cães de raça pura, não tenho problemas com criadores bons e legítimos reproduzindo cães bons e legítimos. 

Quando você recebe no consultório um Lulu da Pomerania, comprado em uma petshop, que custou bem barato e os donos estão pensando em reproduzi-lo, com 3 meses pesa quase 14 kilos. Mesmo sem conhecer muito bem sobre a raça, sei que eles não devem pesar quase 14 kilos, deve ter um chow-chow por aí, isso não é um Lulu da Pomerania. Mas a pessoa tinha um papel dizendo que é um Lulu e queriam reproduzi-lo. 
Qual sua postura como veterinário? A minha é: ele deve ser castrado, se você não o quiser, ali está a porta, pode sair.

Tenho um estabelecimento veterinário completo, podemos fazer de tudo, mas nada deixa nossas instalações sem ser castrado. Devemos ser a única instituição dos E.U.A que oferece serviços a baixos preços e, da ultima vez que chequei, tínhamos 15 mil clientes registrados.

Aqui estão alguns cuidados para castração precoce:





1- Hipoglicemia, hipotermia e hipotensão são as maiores preocupações em filhotes

2- Vermifugar e vaciná-los vários dias antes da cirurgia
3- Jejum de 2 horas antes da cirurgia, para gatinhos e de 4 horas para cãezinhos 
4- Administrar glicose oralmente 10-20 minutos antes da cirurgia ou após, se necessário 
5- Administrar soro cutâneo aquecido antes da cirurgia ou diretamente após o procedimento 
6- Manter todos os filhotes em superfícies aquecidas durante a cirurgia e recuperação
7- Fazer com que a preparação cirúrgica seja a mais rápida possível, usando materiais de sutura não-reativos. 



E, finalizo com: eles não morrem! Você realmente precisa fazer algo de muito errado para matar um filhote em uma cirurgia de castração. Em um mundo ideal eles estariam vermifugados, vacinados, etc, mas não estamos em um mundo ideal.
Quando estão muito doentes, espero uns 2 dias antes, sob cuidados, para operá-los. Se tiverem batimento cardíaco, vamos castrá-los. Pelo menos eu posso impedir que eles reproduzam.

As grandes vantagens da castração precoce:





1- Nível extremamente baixo de complicações 
2- Nível extremamente baixo de mortes
3- Recuperação extremamente rápida 
4- Tempo de cirurgia reduzido ( menos anestesia, menos materiais, menores custos )
5- Aumenta os benefícios gerais da castração 
6- A certeza de que estes animais nunca irão reproduzir

Alguém já viu filhotes acordando da anestesia? É fenomenal! Dentro de uma hora eles estão brincando, comendo, como se nada tivesse acontecido. Do outro lado você tem o animal de 9 anos de idade que passa dias dormindo, quando se levanta está todo dolorido e você gasta um monte de dinheiro em anti-inflamatórios e ainda tem uma chance maior de complicações.

Castração precoce é o melhor segredo da medicina veterinária e, sinceramente, não sei porque todos os veterinários não estão fazendo. É a coisa mais bem sucedida a se fazer. E, o mais importante, estes filhotes nunca irão reproduzir. 
O que é o nosso objetivo. 

Tudo que chega a nosso hospital, é castrado.
Não tenho problema em aceitar animais abandonados, mas se alguém chega com uma caixa de gatinhos, a primeira coisa que pergunto – onde está a mãe? 
Eu posso parar o ciclo de abandono naqueles gatinhos, mas preciso da mãe que continua nas ruas. Ah, a mãe é feral? Aqui está a armadilha, capture-a e traga-a para mim e eu cuidarei dos filhotes para você.

(32:57 ) Realmente não há razão para seus veterinários não estarem fazendo isso.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Jeff Young e a Castração Precoce - Palestra - parte II

A profissão de veterinário ( 12:36 )




"Em 1993, A Associação de médicos veterinários dos E.U.A, e este é um grupo bem conservador de pessoas, decidiram que a castração precoce não era algo ruim, que poderia ser uma ferramenta muito importante para evitar a super população, mas a grande maioria dos profissionais da área disseram que não queriam fazê-lo. Por que? Bom, simplesmente porque durante a graduação, você aprende que só pode castrá-los aos 6 meses, 9 meses, 10 meses, qualquer idade superior a isso. E a pergunta é: por que? Não há nenhuma prova cientifica por trás disso. Nenhuma mesmo. Essas ideias são baseadas apenas na tradição. Pergunte ao seu veterinário, por que você não faz castração precoce? 

Nos últimos 20 anos há vários estudos sobre o assunto, mas há uma grande diferença entre a correlação e causa. Um exemplo que eu adoro citar é: se a venda de sorvetes em N.Y cresce, também aumenta a taxa de assassinatos. E eu posso lhes mostrar o estudo cientifico dessa conclusão. 

A parte lógica do meu cérebro diz: então apenas parem de vender sorvetes e as taxas de assassinatos diminuíram, certo? Mas na verdade, aumentam-se as vendas de sorvete por causa do aumento da temperatura do ambiente, isso não é extraordinário, mas se você os jornais a conclusão será: a venda de sorvetes causa assassinatos. 

Como veterinários, nós somos muito ruins em relação à causa, como sociedade, como espécie, somos muito ruins para encontrar a causa das coisas. 

Uma das minhas historias favoritas: Eu castrei o cão de um senhor aos 3 meses de idade. 5 meses depois, recebi uma ligação em que o dono do cão me ameaçava por ter matado o animal dele. E eu perguntei o que aconteceu. O senhor disse – meu cão nunca havia pulado a cerca antes de ser castrado. Ele pulou a cerca, foi atropelado e morreu. E por alguma razão a culpa disso tudo foi minha, depois de 5 meses. Perguntei: será que existe alguma chance de seu cão ter crescido nestes últimos 5 meses? Ou havia um buraco na cerca? Então, como veterinários, vocês podem identificar que, vocês fazem algo e tudo o que ocorre após isso é por causa da sua intervenção. E não é isso que acontece. 

Quero ver estudos direcionados para a castração precoce pois a grande maioria das pesquisas são feitas para populações em geral, que não analisam as particularidades de COMO os animais que são castrados e desenvolvem algum problema de saúde são criados. Conhecemos pessoas que vivem com animais em quintais, amarrados, que não tem qualquer intervenção veterinária além da castração e não levamos esses aspectos em consideração. 

A boa noticia é que mais faculdades de veterinária estão ensinando castração precoce e eles não se atrelam a problemas específicos, pedindo mais dinheiro para pesquisas, para aprimoramento.  E isso vem acontecendo a uns 20 anos. 

Alguém gostaria de fazer alguma pergunta em relação a um problema atrelado à castração precoce que escutaram de seus veterinários? 

Incontinencia? Existem literaturas que indicam que, animais castrados precocemente são menos propensos à incontinência. Eu associo incontinência a excesso de peso, a hipotiroidismo, problemas alérgicos, e há bastante literatura sobre isso. 

Se você olhar para raças em especifico, algumas raças são  muito propensas à hipotireoidismo. Você não vê isso em raças pequenas com frequência ou em cães machos, acontece com maior regularidade em fêmeas de porte grande, que estão acima do peso. E fêmeas que são castradas tem 2x mais chances de estarem obesas do que as não-castradas e qual a razão disso? O meu argumento é que, elas moram conosco e já que temos a tendência de comer demais, também temos a tendência de alimentar nossos animais além do necessário. 

Também afirmo que eles não precisam ser obesos. Tenho somente cães castrados e nenhum deles está acima do peso. Você não precisa ser aquela porcentagem da população com cães obesos, você pode ser a outra parcela, que exercita seus cães, os mantém com peso ideal e que não tem incontinência urinária. Há muitos fatores envolvidos. 

Tambem devemos levar em consideração a técnica cirúrgica. Se você está usando Catgut  na base do útero, você não está fazendo o correto para o animal. Se eu tenho um estudo cientifico sobre isso? Não. Mas é a minha experiência, já remexi dentro de animais o suficiente, tirando grandes granulomas. Quando você corta e amarra o útero, ele retrai bem na bexiga e é onde os problemas de incontinência começam. O tipo de sutura é muito importante. 

Na Costa Rica eles tiveram grandes problemas com castração precoce pois estavam usando nylon da espessura do meu dedo. Você não acha que é um problema, algo assim, se esfregando em uma bexiga? Não faria isso com nenhum animal. Mas, é mais barato, mais rápido e por isso eles fazem, mas quando tem todos esses problemas, não sabem o motivo. Se você for fazer algo, faça direito. 

E, por isso, eu daria mais motivos para explicar incontinência. Femeas que já tiveram muitas ninhadas tem um aumento entre 4% a 8% de chances de apresentar incontinência, aumento de peso também, mas entre 8% a 16% terão incontinência se forem castradas. A pergunta é: será que podemos pegar esse percentual de 8 a 16% e diminuirmos isso através da mudança de técnicas cirúrgicas, nos certificando que elas não irão ganhar peso, lidando corretamente com o hipotireoidismo?

Algumas raças como Dobbermans, adivinhem só, terão incontinência. Boxers terão incontinência, pois tem uma grande chance de hipotireoidismo, sempre estão acima do peso ou possuem algum outro problema, então há muitas outras causas envolvidas. 

(19:48 ) Novamente, sendo aquele tipo de pessoa que vê o copo meio vazio, sempre me pergunto se estamos fazendo a diferença. Nos anos 70-80, estávamos matando 24 milhões de animais por ano nos E.U.A. Acho que era algo como 16 mil, por dia. E agora eles dizem que são 3 milhões. Não acredito nos 24 milhões, não acredito nos 3 milhões  acho que o real seria aproximadamente 30 milhões e neste exato momento estamos perto dos 6 milhões. Mas mesmo utilizando os números oficiais, ou mesmo os meus, é uma queda extremamente considerável neste período. É algo tremendo, algo que pode ser feito, este é o objetivo que precisamos ter em vista, pois está lá, é a possibilidade de atingir algo. 




Tudo isso tem a ver com educação, algo que fazemos muito pouco, como médicos veterinários. Somos MUITO ruins em relação à conscientização de pessoas. Alguém traz um cão mestiço “Ele é muito legal, quero reproduzi-lo, todo mundo gosta dele.” –  Como assim?

“A fêmea tem que ter uma ninhada antes de sossegar.” Nossa... então é melhor eu ter um filho com minha esposa pois ela não está muito sossegada. Ela já está nos 40, talvez seja um pouco tarde. 

Temos uma lista de grupos e faculdade que realizam castração precoce, há grandes nomes nesta lista, algumas das melhores universidades do mundo, então, como, no papel de um profissional, eu posso dizer “não acredito nisso, tem que ser ruim”, se todo  mundo está acreditando, por que você não acredita? E aí voltamos ao ponto da tradição. É algo que eles temem. 


lista de faculdades e grupos de proteção que são a favor da castração precoce 

Nós, como profissionais de veterinária, temos medo de mudanças. Realmente temos. Sempre temos medo de algo diferente. Tente mudar o protocolo anestésico de alguém, eles enlouqueceram pois eles morrem de medo de matar um animal, de algo dar errado. Lógico que existe uma boa razão para se preocupar e sentir medo de mudanças, mas isso não deve ser motivo para não fazer algo em relação à massiva superpopulação de animais, à massiva destruição do que consideramos animais de companhia. (22:03 ) 



Não faz muito sentido para mim, mas lembrando que não sou o cara mais inteligente do mundo, como você leva um animal com a perna quebrada até um bom hospital e escuta: bom, são 3 mil dólares para consertar a perna dele. As pessoas sentadas lá, uma família com 3 crianças, passando necessidade já que a economia não está boa no momento, dizem: eu não tenho 3mil dólares. E o veterinário diz: bem, podemos colocá-lo para dormir, matá-lo para você, por 100 dólares.


Onde está o valor do animal? O que você, como profissional, diz a essas pessoas? Se você tem 3mil dólares eu irei consertar o seu cão e vou fazer valer cada centavo, mas eu o mato por 100. Não consigo entender isso. E não há nada no meio disso? Como isso é possível? Não faz sentido para mim.

Posso fazer a mesma cirurgia de 3mil dolares por 300 dolares e ainda consigo ganhar dinheiro com isso. Como é possível eu conseguir fazer isso e eles não? Eles não querem “diminuir seus padrões”, mas o que isso significa? Você não está “diminuindo padrões”, você está salvando uma vida.

E se você olhar em uma dimensão maior, você tem uma família, 3 crianças que gostam do cão, vamos dizer que o cão pulou do carro, alguma coisa aconteceu, ninguém sabe o que houve, mas o que importa é que ninguém deseja que algo assim aconteça, aconteceu e eles não tem o dinheiro. Então o melhor que podemos fazer, como uma sociedade moderna, como  profissionais, é dizer: o matamos para você? 

Acho isso revoltante, mas essa é uma das razões de alguns veterinários não gostarem muito de mim."