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sábado, 29 de dezembro de 2012

Manejo de Ferais e Ariscos - Contenção para Anestesia

Gatos ferais e ariscos precisam de manejo diferenciado para contenção ao serem anestesiados. 

Estamos falando aqui de animais que podem, literalmente, morrer de stress. Quanto menor e mais rápida a intervenção, melhor. 

expressão corporal tipica de gato feral, orelhas para trás, pêlos arrepiados e rosnado  - gatos ferais não miam

Em outros países já existem clinicas especializadas e somente para grupos e gatos de C.E.D.

Há a utilização de caixas anestésicas  onde o animal é colocado, o gás anestésico é enviado através de um tubo e quando o gato está sedado, é retirado e encaminhado para os cuidados pré-cirúrgicos.

feral em caixa anestesica, já sedado :) 

Nestas clinicas há gaiolas de contenção  que imobilizam o animal, deixando-o na posição correta para que o veterinário se aproxime com segurança para aplicação da anestesia e assim que o gato dorme, é retirado para fazer a preparação pré-cirúrgica. 

um dos modelos de gaiola de contenção disponiveis no mercado ( foto retirada do blog  O TIME DO TIGOR )

Toda a equipe é treinada para lidar com esses animais e pesquisando sobre contenção dos mesmos, pode-se notar o silêncio e calma das operações, que resultam em menor stress para o animal e maior sucesso para contenção e anestesia. 

Os grupos e clinicas que não se utilizam de caixa anestésica ou de contenção, transferem o animal diretamente para sacos de pano, seguros, onde eles são contidos no escuro e facilmente anestesiados, como mostra o vídeo abaixo:



Tanto a gaiola de contenção quanto o saco de contenção remetem à teoria de técnica de compressão da Temple Grandin, onde animais mantidos em espaços menores e suavemente comprimidos liberam hormonios que os acalmam em situações de stress, tornando o manejo menos agressivo. 

Mesmo com essas ferramentas, o tempo é fundamental. Animais stressados demoram mais para sentir o efeito da anestesia e se recuperam mais lentamente da mesma. Ataques cardíacos também podem ocorrer. 

Infelizmente ainda não fomos capazes de comprar esse equipamento, mas está em nossas pretensões, talvez para 2013 :) 

Algumas vezes consegui fazer uma adaptação de gaiola de contenção  colocando os gatos em módulos na clinica veterinária e empurrando-os com placa de divisão pelo lado contrario, mas esse manejo demorava muito, resultando em agitação desnecessária para o animal. 


O nosso protocolo de contenção e anestesia é o cambão ( laço emborrachado ) no peito do gato. 



Coloca-se o gato em um modulo gradeado com pouco espaço, o laço é passado pela cabeça e patas dianteiras. Com o animal laçado, o colocamos contra a grade para que o veterinário aplique o anestésico  sem riscos. É necessário força no braço de apoio e atenção, pois caso o laço afrouxe, o gato não irá hesitar em atacar para fugir da aproximação humana. 

Por pior que sejam os rosnados e urros, uma vez enlaçado, o gato NÃO PODE ser liberado até que a anestesia seja aplicada, para evitar um segundo manejo e mais stress ao animal. 





NUNCA deve-se colocar cambão ou qualquer outro tipo de laço no pescoço de qualquer gato, sob o risco de enforcar, asfixiar e até mesmo quebrar o pescoço do animal. 



No caso de gatos ariscos ou assustados, tentamos evitar o uso do cambão. 
Utilizamos então luvas de proteção que nos foram doadas, para o manejo dos mesmos. 

luvas de proteção que vão até o cotovelo :)

Os gatinhos são retirados da caixa até a metade, expondo as patas traseiras e quadril. Utilizamos a pele extra no pescoço ( o mesmo ponto onde eles são carregados pelas mães ) e os imobilizamos, sem causar dor. Depois da aplicação, os colocamos de volta nas caixas, para que se sintam seguros e os retiramos quando adormecem. 

gatinho imobilizado :) 

Sim, os ferais são animais complicados, mas devemos sempre nos lembrar que as atividades de C.E.D devem priorizar a integridade física dos mesmos, nunca os colocando em riscos desnecessários. 

É necessário muita empatia pelo animal que será anestesiado e posteriormente castrado, que já se encontra em situação de stress. 

Aqui no Felinos Urbanos consideramos cada um dos gatinhos beneficiados como nosso enquanto estão sob nossos cuidados e exigimos de nós mesmos o mesmo grau de cuidados que ofereceríamos para nossos animais.

Um manejo humanizado e o mais gentil possível é o minimo que podemos oferecer :) 




quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Aspectos sociais de uma colônia


Antes de iniciar atividades de C.E.D em uma área urbana, é necessário analisar a estrutura social da colônia a ser trabalhada e dos focos que constituem a mesma.

A colônia é a área principal onde os gatos residem. Pode ser um bairro, um terreno, matagal ou um prédio em ruínas  Os focos são pequenos grupos, que podem ser formados por machos jovens ( geralmente irmãos ), fêmeas e seus filhotes e machos adultos que intercalam diferentes focos dentro de uma colonia para reproduzir.

um de nossos focos familiares, mamãe à direita e seus 3 filhotes 

Cada foco possui suas particularidades. Horários em que os animais estão mais ativos e onde e como conseguem alimentos são informações primordiais para a organização das capturas, uma vez que os gatos serão atraídos para os locais onde se sentem mais seguros, dentro de horas já estabelecidas por eles.

Um exemplo claro é a nossa Colônia do Reviver, onde os gatos são alimentados as 16:30, todos os dias, com restos de comida de um restaurante proximo e foi neste horário que realizamos a grande maioria de nossas capturas de forma bem sucedida, apostando na necessidade e rotina de alimento destes felinos ariscos. 



Colônias de ferais possuem características ainda mais distintas, uma vez que não são vistos quando há movimentação de pessoas ao redor, aparecendo às madrugadas ou começo da manhã. A observação dos hábitos dessas colonias e focos devem ser feitas com maior atenção e cautela, já que visitas podem afastar os animais. Uma medida para impedir a mudança ou stress dos mesmos é sempre deixar alimento disponível   após cada visita, criando uma nova rotina de associação positiva e favoreça a captura.                                Nestes casos utiliza-se nestes casos, da gatoeira de metal, que dispara sozinha, se não houver local para esconderijo da pessoa responsável pela drop trap. 



Geralmente no caso de captura de ferais com a drop trap, permanecemos dentro do carro, em silêncio, aguardando a aproximação dos gatos com isca de sardinha, acionando a armadilha quando os mesmos são atraídos e se posicionam apropriadamente para a captura. Com gatos ariscos é possivel uma distanciamento, sem camuflagem. 

macho reprodutor da Colônia das Ruinas, capturado com gatoeira de metal 

Gatos machos são os mais difíceis  por sua própria natureza errante para ampliar territórios e o número de fêmeas submissas e filhotes dentro das colonias. Ao contrário dos leões, que se estabelecem em um único bando composto de fêmeas e seus filhotes, é raro que um macho permaneça em um foco, já que, ao sentir uma gata no cio, ele pode percorrer vários quilômetros de distancia apenas para acasalar. A melhor estrategia para captura de um macho é manter alimento e água disponível nos focos e monitorar os horários em que eles aparecem. Para este individuo, que necessita constantemente de alimento e um local seguro para descansar, estes pontos de alimentação são essenciais. 


exemplo de organização social de uma colônia

 Apesar de não permanecerem em somente um local dentro das colônias, machos estranhos não se toleram, havendo demostrações de dominância pelo arqueamento do corpo, miados e rosnados. As brigas ocorrem em ultimo caso quando somente a demostração de tamanho e força não são necessários para afastar os intrusos, já que ferimentos representam impossibilidade de locomoção, alimentação e reprodução, deixando o macho vulnerável a ataques e perda de fêmeas. 

demonstrações de hostilidade entre machos não-castrados

Este mesmo macho, ao ser capturado, terá um papel essencial, juntamente com todo o seu foco, de afastar gatos não-castrados e defender os residentes, impedindo que intrusos permaneçam na colonia, mantendo o número dos felinos do local estável. 

um foco familiar com macho residente #37


A importância da castração de TODOS os membros de uma colonia ou foco está justamente na fixação dos mesmos em um local especifico, já que um unico macho não-castrado pode se distanciar da colonia, arriscando-se em outro território atrás de fêmeas não-castradas e uma femea não-esterilizado irá fazer o mesmo, aumentando a população de gatos em outros locais que podem não ser monitorados e beneficiados por ações de C.E.D.

integrante do "Foco do Restaurante", onde 9 ferais, machos e femeas de diferentes idades, foram capturados e esterilizados

Gatos de um mesmo foco, mesmo que não sejam aparentados, mantém entre eles um elo de respeito e tolerância. É aí que ressaltamos a importância da devolução dos gatos a seu exato local de origem, sempre que possível. Além da preocupação com fonte de alimento, água e abrigo neste novo local, deve-se pensar na integridade física do gato introduzido, já que o mesmo será expulso e agredido pelos residentes. 

o nosso "foco dos filhotes" , formado por gatos não aparentados, mas de idades próximas

Estas brigas podem causar ferimentos sérios e até mesmo morte por atropelamentos, já que um gato sendo enxotado por outros, dificilmente será cauteloso antes de jogar-se nas ruas, em fuga. 

A perda de um ou mais membros pode desestruturar completamente um foco e até mesmo extingui-lo. 
Animais sem grupo irão vagar entre os focos, mesmo castrados, em busca de comida e água e ficam mais vulneráveis à agressão dos gatos de focos vizinhos e intrusos não-castrados.

parte de um dos focos do Reviver 

Focos são um bom indicativo do equilíbrio social de uma colônia, além de facilitar o trabalho de cuidadores destes animais, quando se mantém em um local estabelecido, com rotinas, tornando mais simples a monitoração dos indivíduos e intervenção no caso de doenças ou outros problemas que prejudiquem os gatos. 

Uma grande parte do trabalho de C.E.D é manter os animais em seus locais de origem, da forma mais segura possível, garantindo assim a integridade dos mesmos. 


domingo, 8 de julho de 2012

Gatinha #142, Gatinha #143, Gatinha #144 e Gatinho #145

O ultimo dia de captura na Colônia das Ruinas antes que o projeto entre de férias :)

Com a comida suspensa desde o dia anterior, a captura foi bem produtiva  e acabamos com 3 femeas e um macho que já haviamos avistado da ultima vez :)

femea adulta :)

gatinha de 1 ano :)


a ultima femea dos 4 filhotes lynx point :)


macho adulto



Infelizmente o dia não foi somente alegrias. Um gato macho - que não é residente do local - entrou na colonia e atacou um dos filhotes lynx point da #131. Ainda o levamos para o veterinário, mas ele faleceu momentos depois. E o mesmo gato atacou um segundo filhote depois que saimos.
Apenas 1 dos bebês sobreviveu :( 



Sabemos que isso é apenas algo instintivo de gatos machos, assim como outros grandes felinos, eles matam a ninhada que não é deles, para que a mãe entre no cio novamente mais cedo e aceite reproduzir com eles. 

A natureza pode ser cruel, mas graças à ajuda dos amigos do projeto, que confiam e apoiam o Felinos Urbanos, fomos capazes de beneficiar 13 gatinhos daquele local. Castramos TODAS as femeas que encontramos lá, impedindo que mais bebês nasçam naquele local e estejam à mercê de ataques, doenças e outros perigos.

A Colônia das Ruinas será um lugar melhor :)

Agradecemos de coração a todos que ajudaram estes gatinhos ferais!

domingo, 24 de junho de 2012

Gatinho #135, Gatinha #136 e Gatinha #137

Ontem ( 23/06/2012 ) foi mais um dia de capturas na Colonia das Ruínas. 
O planejado era capturar pelo menos 4 gatos para fazer os 10 primeiros beneficiados do local. 

No entanto, eles nos deram uma canseira, certamente devem ter sido alimentados no dia anterior :( 

Retornamos no final da tarde e felizmente pudermos capturar mais 3 gatinhos e diminuir os numeros de nascimento naquele local :)

O primeiro foi um macho enorme. Durante o exame clinico, detectamos que ele tinha aproximadamente uns 5 anos de idade, um verdadeiro FEITO para um gato não-castrado e com acesso à rua. Além disso, esse bonitão também era criptorquideo. De acordo com sua idade, provavelmente é o maco alfa da colonia e pai do gatinho #130

achocolatado capturado :)




A segunda capturada foi mais uma lynx point. Existem aproximadamente mais 3 gatinhas além dela, da mesma idade e pelagem, devem ser irmãs. Com 5 meses, não ia demorar muito para começar a ter filhotes. 




Finalizamos a noite com mais uma menininha capturada :)

Vamos dar uma pausa de uma semana, pois os gatos já começaram a ficar desconfiados conosco e vamos tentar capturar pelo menos mais 2 ferais antes que o projeto entre de férias :)




Todos foram liberados na Colonia hoje pela manhã, passando bem :)

Muito obrigada a todos que nos enviaram doações e nos possibilitaram ajudar estes gatinhos :)

terça-feira, 19 de junho de 2012

Gatinhos #128 ao #134

Muitos gatinhos ajudados no ultimo final de semana :)

Os gatinhos #128 e #129 foram beneficiados em nossa Cota Social. Uma femea e um macho ( muito surrado e cheio de ectoparasitas ), pertencentes a uma pessoa carente. Foram apadrinhados por uma moça de bom coração que nos procurou e custeou boa parte de suas cirurgias :)

Além das castrações, ambos receberam medicação para acabar com as pulgas e piolhos, deverão ficar totalmente recuperados nos proximos dias :)



cicatrizes e vários piolhos :(

Graças à ajuda de nossos doadores, também tivemos 4 gatinhos da Colonia das Ruinas capturados e devidamente esterilizados :)

#130 foi um macho feral capturado na DROP TRAP. Depois da sedação descobrimos que ele era criptorquideo, ou seja, havia somente um testiculo na bolsa escrotal e o outro estava retido no abdomen.

Essa é uma condição genetica e com o tempo, o testiculo atrofiado e retido iria se transformar em um tumor. Ainda bem que ele foi ajudado :)



As outras capturas foram todas femeas, uma delas ainda filhote mas muito agressiva, resultando em menos bebês para nascerem naquele local perigoso :)









A gatinha #134 foi capturada em 17/06/2012. É irmã da #103, filha da mãezinha dificil que NUNCA conseguimos pegar  :/   um dos filhotes desta ultima ninhada morreu atropelado essa semana, restando apenas a #134 e um irmãozinho que tentamos capturar na mesma noite, mas alguns adolescentes passaram estourando latas de lixo com bombas na rua, assustando-o :(

Pelo menos temos mais uma filhotinha castrada que não irá trazer mais bebês para sofrer na colonia inicial :) 





Esta semana vamos tentar mais 4 gatinhos da Colonia das Ruinas, para completar 10 animais ajudados :)

Agradecemos muito a todos que colaboraram com os gatinhos desta semana, nos possibilitando mudar muitas realidades :)