sábado, 22 de dezembro de 2012

Dr.Jeff Young e a Castração Precoce - Palestra - parte I

Navegando pela internet, descobri essa palestra do Dr.Jeff Young, um grande nome da medicina veterinária e controle populacional e humanitário nos E.U.A, diretor da Planned Pethood Plus USA, utilizador da castração precoce desde sua graduação, em 1987.

Dr.Jeff em mutirão :)

Ele foi convidado para falar sobre as vantagens da castração precoce em uma palestra para acadêmicos veterinários em Queesland, Australia, em 2011.

Além dos aspectos médicos, o Dr.Jeff também aborda toda a importância da castração nos aspectos sociais e em prol da guarda responsável, não somente pela população em geral mas também o tomar de responsabilidade que veterinários e protetores necessitam ter quanto a superpopulação animal e eutanásia.

Não foi possível legendar o vídeo, então traduzi partes mais importantes da palestra, dividido em alguns posts.

Estes são os primeiros 12:36 minutos:

(01:02) "Me considero o tipo de pessoa que vê o copo meio vazio e, ao dizer isso, acredito firmemente que a nossa unica obrigação na vida é tentar. E minha pergunta é: estamos tentando com um proposito em mente? Estamos fazendo a diferença? E acho que essas são as coisas que você precisa se perguntar todo dia.
 
Trabalhei no controle de animais, fiz veterinária e participei do controle de animais. Isso mudou a minha visão do mundo e de como estamos tratando os nossos animais de estimação. Foi fenomenal para mim.

(03:15 ) Estou falando de castração, castração precoce. Qual a idade ideal?
 
Se você faz parte da Humane Society NADA deveria deixar os abrigos sem ser esterilizado antes. Ponto final, sem discussão. Acredito que, hoje em dia , se você não castra um animal que irá para adoção, você está fazendo algo de errado. E, mesmo assim, em todo o país são feitos contratos de castração e eles não funcionam, simplesmente não funcionam. 


 

Como veterinário que atua em consultório, eu posso atender o seu animal, dar vermífugos, vacinas, etc. e então castrá-lo às 16 ou 20 semanas, quando eles ainda não irão reproduzir. Mas o meu lado que está envolvido com a Humane Society irá castrar qualquer coisa. Já castrei animais com 24hrs de nascidos. Se o coração está batendo, irei castrá-los. Não tenho nenhum problema com isso. Minha única ressalva: precisam ter um batimento cardíaco. Senão, não será muito proveitoso depois             ( risos ). 

(04:40) Atualmente, quase 10% dos veterinários nos EUA realiza castração precoce, o que é algo crescente, mas não acredito que atingirá mais do que 20%. Mas, o relevante é, os profissionais que estão realizando essas castrações o estão fazendo em grande escala e são muito bons no que estão fazendo e, eu pessoalmente considero, um dos melhores segredos guardados da medicina veterinária: na castração precoce o tempo de duração da anestesia é menor, há tantos outros pontos positivos e, sabem, eles não morrem. É simplesmente maravilhoso. Filhotes não morrem ao serem anestesiados para castração. São chamadas de castração sem sangue. Você pode pegar qualquer filhote, tirar tudo, cortar, e eles não irão morrer. É fenomenal. E, está escrito nas literaturas, é como as pessoas costumavam fazer. 


(05:30) Lembro de estar na Humane Society uma vez e eles tinham vários gatinhos, muito doentes. E tentei convencê-los a eutanásia-los, eles não quiseram fazer. E pensei – ok, vou castrá-los, então. Eles tinham febre, os olhos grudados ( de infecção ) , estavam muito, muito doentes. Eles não permitiriam que eles saíssem do abrigo sem estarem castrados e não queriam que eu os colocasse para dormir, então castrei todos eles e coloquei mais anestésico do que deveria, pensando – talvez eles irão dormir e morrer.

Chego no dia seguinte e estão todos correndo em suas gaiolas, comendo – é, realmente não consegui matá-los. E isso é incrível!

(6:02) Há registros sobre castração precoce de cães em 200, 300 A.C , então isso vem acontecendo a muito tempo. Oregon é o berço da castração precoce nos E.U.A. 




 
Nós, veterinários de pequenos animais, temos a tendência de achar que somos médicos ao invés de sermos veterinários e veterinários de grandes animais tem a tendência de serem mais veterinários ao invés de médicos, então há maior senso comum, há o fato da saúde do rebanho e o cavalheiro que estava fazendo castração precoce nos anos 70 veio destes locais de animais de grande porte  e o que ele descobriu, foi:  as pessoas adotavam animais de abrigo que tinham ninhadas e depois ele estava recebendo as ninhadas dos animais doados no ano passado, neste mesmo abrigo. E nos anos seguintes ele tinha mais ninhadas destes mesmos animais. E ele pensou – isso é loucura, por que não esterilizamos todos eles? Fazemos isso em porcos, em ovelhas, em animais bem mais jovens , então por que não fazer com todos os animais? E os diretores do abrigo disseram: boa ideia.
Não era controverso, já que ninguém sabia nada a respeito de castração precoce. 

E ele simplesmente fez.
 
Com isso os números de eutanásia foram reduzidos drasticamente.

(07:26) Leiberman é considerado o pai da castração precoce, tendo publicado um artigo em 1987. Na época foi muito controverso, ele recebeu cartas inacreditáveis, dizendo que aquilo era horrível, mas, na mesma idade, levamos nossos bebês para serem circuncidados. E sem anestesia, devo acrescentar.
 
O ponto é: ele tinha um excelente argumento. Ele assistiu um numero tremendo de animais sendo eutanasiados por nenhuma outra razão além de terem nascido e como você para isso? Você os castra antes da maturidade sexual. 

Me graduei em 1987 e o conheci no verão de 1987 e desde então venho castrando qualquer coisa que tenha um batimento cardíaco.

O primeiro estudo sobre castração precoce, 7 semanas x 7 meses foi feito em 1991 na Universidade da Florida e naquela época, nada de negativo foi apontado. O maior mito que você escuta é que, se forem castrados os animais irão parar de crescer, mas na verdade, o oposto acontece. Na ausência de hormônios sexuais os animais crescem mais, mas não é algo tão significativo.

Quantos de vocês assinaram um contrato de adoção? Você assina um termo se comprometendo a trazer o animal de volta para ser castrado depois de uma época. Garanto a vocês que nunca chegam aos 100%. Não é possível. No Colorado, o governo decidiu se envolver com o controle populacional e disseram “você leva o seu animal adotado do abrigo para qualquer veterinário da região e ele será castrado gratuitamente, nós pagaremos o veterinário.” 30% das pessoas apareceram no primeiro ano. Isso representa 70% da população animal. 









Nos EUA temos 8 milhões de cães e 96 milhões de gatos. Não interessa se você castra 70% dos animais, pois você ainda acaba com uma superpopulação. A razão é simples: sexo para eles é como universitários em uma sexta a noite com muita cerveja. Eles não se importam. E os animais são motivados por hormônios e eles irão arrumar um jeito ( para reproduzir ).

Se a regra dos 70% fosse verdadeira, não teríamos um problema de superpopulação de animais, já que por volta de 87% dos gatos já estão castrados e 76% dos cães. Então, se já temos 70% dos animais castrados por que ainda temos um problema de superpopulação?

Você pode dizer que isso é causado pelas pessoas que não adotam dos locais adequados, mas isso realmente importa para o animal que será eutanasiado?

Eutanásia ainda é a causa numero 1 de morte de animais de estimação nos E.U.A. Pelo simples ato da castração você DOBRA a estimativa de vida de um cão de rua e pode acabar sendo uma vida bem decente. 





Considero a castração precoce uma ferramenta, nada além disso. É uma daquelas coisas fáceis de fazer, é melhor para os animais, toda institu
ição de bem estar para os animais deveria fazer e, francamente, como membro da Humane Society, não sei como podemos falar sobre ética e dizer “você tem que castrar seu animal, é para o bem dele, para o bem da sociedade e você precisa fazê-lo, mas estamos doando animais por contrato e não conseguimos castrar todos depois.” 
Não há lógica nisso.

Cães forma laços entre 8 a 12 semanas, gatos entre 6 a 9 semanas e esse é um período muito critico se você entende sobre comportamento, então, o importante é, castrá-los neste período e depois doá-los."


Para quem entende inglês e deseja assistir na integra:


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Aspectos sociais de uma colônia


Antes de iniciar atividades de C.E.D em uma área urbana, é necessário analisar a estrutura social da colônia a ser trabalhada e dos focos que constituem a mesma.

A colônia é a área principal onde os gatos residem. Pode ser um bairro, um terreno, matagal ou um prédio em ruínas  Os focos são pequenos grupos, que podem ser formados por machos jovens ( geralmente irmãos ), fêmeas e seus filhotes e machos adultos que intercalam diferentes focos dentro de uma colonia para reproduzir.

um de nossos focos familiares, mamãe à direita e seus 3 filhotes 

Cada foco possui suas particularidades. Horários em que os animais estão mais ativos e onde e como conseguem alimentos são informações primordiais para a organização das capturas, uma vez que os gatos serão atraídos para os locais onde se sentem mais seguros, dentro de horas já estabelecidas por eles.

Um exemplo claro é a nossa Colônia do Reviver, onde os gatos são alimentados as 16:30, todos os dias, com restos de comida de um restaurante proximo e foi neste horário que realizamos a grande maioria de nossas capturas de forma bem sucedida, apostando na necessidade e rotina de alimento destes felinos ariscos. 



Colônias de ferais possuem características ainda mais distintas, uma vez que não são vistos quando há movimentação de pessoas ao redor, aparecendo às madrugadas ou começo da manhã. A observação dos hábitos dessas colonias e focos devem ser feitas com maior atenção e cautela, já que visitas podem afastar os animais. Uma medida para impedir a mudança ou stress dos mesmos é sempre deixar alimento disponível   após cada visita, criando uma nova rotina de associação positiva e favoreça a captura.                                Nestes casos utiliza-se nestes casos, da gatoeira de metal, que dispara sozinha, se não houver local para esconderijo da pessoa responsável pela drop trap. 



Geralmente no caso de captura de ferais com a drop trap, permanecemos dentro do carro, em silêncio, aguardando a aproximação dos gatos com isca de sardinha, acionando a armadilha quando os mesmos são atraídos e se posicionam apropriadamente para a captura. Com gatos ariscos é possivel uma distanciamento, sem camuflagem. 

macho reprodutor da Colônia das Ruinas, capturado com gatoeira de metal 

Gatos machos são os mais difíceis  por sua própria natureza errante para ampliar territórios e o número de fêmeas submissas e filhotes dentro das colonias. Ao contrário dos leões, que se estabelecem em um único bando composto de fêmeas e seus filhotes, é raro que um macho permaneça em um foco, já que, ao sentir uma gata no cio, ele pode percorrer vários quilômetros de distancia apenas para acasalar. A melhor estrategia para captura de um macho é manter alimento e água disponível nos focos e monitorar os horários em que eles aparecem. Para este individuo, que necessita constantemente de alimento e um local seguro para descansar, estes pontos de alimentação são essenciais. 


exemplo de organização social de uma colônia

 Apesar de não permanecerem em somente um local dentro das colônias, machos estranhos não se toleram, havendo demostrações de dominância pelo arqueamento do corpo, miados e rosnados. As brigas ocorrem em ultimo caso quando somente a demostração de tamanho e força não são necessários para afastar os intrusos, já que ferimentos representam impossibilidade de locomoção, alimentação e reprodução, deixando o macho vulnerável a ataques e perda de fêmeas. 

demonstrações de hostilidade entre machos não-castrados

Este mesmo macho, ao ser capturado, terá um papel essencial, juntamente com todo o seu foco, de afastar gatos não-castrados e defender os residentes, impedindo que intrusos permaneçam na colonia, mantendo o número dos felinos do local estável. 

um foco familiar com macho residente #37


A importância da castração de TODOS os membros de uma colonia ou foco está justamente na fixação dos mesmos em um local especifico, já que um unico macho não-castrado pode se distanciar da colonia, arriscando-se em outro território atrás de fêmeas não-castradas e uma femea não-esterilizado irá fazer o mesmo, aumentando a população de gatos em outros locais que podem não ser monitorados e beneficiados por ações de C.E.D.

integrante do "Foco do Restaurante", onde 9 ferais, machos e femeas de diferentes idades, foram capturados e esterilizados

Gatos de um mesmo foco, mesmo que não sejam aparentados, mantém entre eles um elo de respeito e tolerância. É aí que ressaltamos a importância da devolução dos gatos a seu exato local de origem, sempre que possível. Além da preocupação com fonte de alimento, água e abrigo neste novo local, deve-se pensar na integridade física do gato introduzido, já que o mesmo será expulso e agredido pelos residentes. 

o nosso "foco dos filhotes" , formado por gatos não aparentados, mas de idades próximas

Estas brigas podem causar ferimentos sérios e até mesmo morte por atropelamentos, já que um gato sendo enxotado por outros, dificilmente será cauteloso antes de jogar-se nas ruas, em fuga. 

A perda de um ou mais membros pode desestruturar completamente um foco e até mesmo extingui-lo. 
Animais sem grupo irão vagar entre os focos, mesmo castrados, em busca de comida e água e ficam mais vulneráveis à agressão dos gatos de focos vizinhos e intrusos não-castrados.

parte de um dos focos do Reviver 

Focos são um bom indicativo do equilíbrio social de uma colônia, além de facilitar o trabalho de cuidadores destes animais, quando se mantém em um local estabelecido, com rotinas, tornando mais simples a monitoração dos indivíduos e intervenção no caso de doenças ou outros problemas que prejudiquem os gatos. 

Uma grande parte do trabalho de C.E.D é manter os animais em seus locais de origem, da forma mais segura possível, garantindo assim a integridade dos mesmos. 


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Colônia do Barramar - Gatinhos #205, #206 e #207

A Colônia do Barramar surgiu da insatisfação de uma moradora da região com a grande quantidade de gatos abandonados pelas ruas, doentes, se reproduzindo continuamente e se alimentando de restos de comida dos edificios. 

 Estes gatinhos são fruto da irresponsabilidade de alguns moradores que deixam seus animais reproduzirem e muitos deles também foram abandonados no local. 

 Nós ADORAMOS pessoas pró-ativas que colocam a mão na massa, pois somente sentir pena e não fazer mais nada nunca mudará a realidade destes animais e LOGICO que demos a ela todo o suporte e informações para realizar as capturas com segurança e eficiencia :)
 
macho jovem tigrado, muito mansinho, filho do #11


linda escaminha peluda, muito meiga :)

machinho jovem, muito amigavel tb :)



Os gatos do Barramar são relativamente mansos e alguns são acostumados a serem alimentados pelos moradores, o que facilita muito a captura e castração dos mesmos. 

 Com ajuda financeira, facilmente capturariamos uns 10 animais por lá :) 

 Esperamos que outros moradores do bairro também colaborem financeiramente para a castração destes gatinhos, para que mais deles possam ser ajudados :) 

Gatinhos #202, #203 e #204

No dia 8/9/2012 nossas atividades começaram CEDO. Às 5:30 da manhã fomos para uma rua da colônia inicial capturar o ultimo filhote da mamãe dificil que ainda estava inteiro.

Além dele, queriamos também ter encontrado um macho branco e preto que vaga pelo local, mas não o encontrarmos. Captura facil do filhote, fomos levá-lo para a clinica.

Precisavamos ir ate uma rua do Centro para entregar uns materiais e justamente na porta da casa que fomos, haviam duas gatinhas ( que nos informaram ser mãe e filha ). Pedimos permissão para levá-las, explicamos sobre o projeto e a moça que as alimenta ficou bem feliz pois disse que a gatinha preta sempre tinha bebês, mas que a tricolor foi a unica que sobreviveu até hoje.

Com 5 meses de idade, a tricolorzinha também já estava no cio e em breve mais gatinhos estariam morando naquelas ruas. Felizmente, por acaso, chegamos lá bem a tempo :)


filhotão da mamãe dificil, lindo :)





Como a rua em que as gatinhas mora tem muita lama e esgoto à ceu aberto, decidimos deixá-las na clinica por alguns dias para que pudessem voltar com tudo cicatrizadinho :)

E logo elas estavam de volta para casa, os moradores da rua ficaram muito felizes em vê-las e agradeceram pelo nosso trabalho :)




segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Colônia do Reviver e 201 animais esterilizados

Este final de semana foi muito importante para o projeto Felinos Urbanos :)

Além de completarmos 19 animais castrados da Colônia do Reviver, também ultrapassamos a marca dos primeiros 200 animais beneficiados por nossas ações  :)




Os números de filhotes salvos são uma realidade e nosso principal motivo para prosseguirmos, mesmo com todas as dificuldades que encontramos pelo caminho :)

Estes ultimos gatinhos vieram justamente da Colônia do Reviver, onde estamos dedicado nossos principais esforços e recursos financeiros, pelas condições de saúde que os animais de lá se encontram.

Temos esperança e o desejo de poder continuar a ajudar a maior quantidade de gatinhos naquela região e também os que aparecerem em nosso caminho, com o apoio valioso de todas as pessoas que sempre torcem pelo projeto e nos confiam doações monetárias :)

O Felinos Urbanos também se orgulha pela conscientização gerada nas pessoas de São Luís, não somente quanto à castração, a castração precoce, doação responsável, mas também quanto à responsabilidade social em relação aos animais em suas ruas, de pessoas carentes que conhecem, etc. 
Através do projeto facilitamos atos de bondade :)

Abaixo, os ultimos gatinhos beneficiados :)


gatinha do Reviver, filha da #157, que teve a castração custeada por uma lojista,
estava com inicio de piometra por aplicação de anticoncepcional

gatinha do Ceuma I que teve a castração custeada por uma pessoa de bom coração :)

linda e arisca classic tabby do Reviver
tricolor van arisca, de acordo com pessoas do Reviver, o Torto matou seus ultimos filhotes
macho arisco

As gatinhas #198 e #200 permaneceram internadas, ambas com o utero extremamente friavel, necessitando uma incisão maior do que o normal. Ficarão na clinica até os pontos estarem fechadinhos e ser seguro para devolvê-las a seus locais de origem :)

O Torto continua internado, mas o ferimento ja está 80% cicatrizado. Já temos uma ideia de quando ele poderá ser devolvido ao Reviver, o que será muito bom para ele, pois na clinica ele passa os dias estressado e encostado em um cantinho. 



Em seus 400 anos, São Luís terá menos gatinhos sofrendo nas ruas :)

Agradecemos todo o apoio de nossos amigos e colaboradores e esperamos aumentar ainda mais nossos numeros de castração neste mês de setembro :)

2º Mutirão de Castração Felinos Urbanos & Toca dos Bichos - 19/08/2012

Nossa segunda edição do mutirão de castração resultou em 14 gatinhos beneficiados que não contribuirão com os números do abandono em São Luís :)











Tivemos 4 desistencias, uma delas um gatinho que comeu antes da cirurgia e teve que voltar para casa. Duas pessoas que não compareceram doaram o valor da cirurgia para os cuidados com o Torto e agradecemos muito por isso :)

Em 16/09/2012 teremos o terceiro mutirão, edição de aniversário, e esperamos repetir o sucesso das versões anteriores :)

Novamente agradecemos a confiança e escolha de todos os responsáveis que optaram pelo nosso mutirão para dar a seus gatinhos uma expectativa de vida mais longa e com mais qualidade :)



sexta-feira, 24 de agosto de 2012

C.E.D x Colecionismo

O Colecionismo é um sintoma de desordem mental séria. A pessoa com esta enfermidade mantém um grande número de animais, sem poder cuidar apropriadamente de nenhum deles, ao mesmo tempo que nega essa incapacidade. 

Não é crueldade deliberada, pois os acumuladores são ligados a seus animais e doá-los é extremamente dificil. Geralmente não entendem que estão prejudicando os animais mental e fisicamente pelos números excessivos e problemas de saude causados pela superlotação. 

gato doente em casa de colecionador

O problema atingiu proporções tão sérias em alguns países que há agora equipes especializadas no trato dos animais vitimas de colecionadores, empresas dedicadas à limpeza destes ambientes, assim como psiquiatras para tratar a disordem a ajudar a familia do doente, e ele mesmo, a quebrar o ciclo e diminuir o numéro de animais de uma forma menos traumatica. Apenas retirar os animais de um acumulador não surte efeito, já que ele sempre encontrará formas de manter ou aumentar seus números. Alguns acumuladores sequer conseguem abrir mão dos corpos dos bichos que morrem nas condições insalubres que são mantidas dentro destas casas. 

ação de resgate em casa de colecionadora interditada


 O C.E.D, além de seu impacto direto e eficaz contra o aumento populacional, também  atua como ferramenta importante para evitar os números de animais mantidos como reféns pelos colecionadores, já que seu ideal vai totalmente contra o confinamento destes gatos, respeitando suas naturezas e particularidades.

Os gatos ferais adultos e os ariscos, pela sua propria natureza, se mantém à salvo de colecionadores, mas não podemos dizer o mesmo de seus filhotes, com niveis de agressão mais baixos.  Colecionadores de animais tendem a achar que estão  salvando estes animais e os levam ou atraem para casa, colocando-os em gaiolas ou galpões lotadas, com pouca comida, onde viverão pelo resto de seus dias. Se para um gato domestico a situação de colecionismo já lhe rouba a vida e dignidade aos poucos, para um gato feral é uma sentença quase que imediata de morte, por causa do alto nivel de stress devido ao confinamento que não são aceitos por estes animais.

Quando há ações de C.E.D em uma area urbana ou rural, imediatamente há uma diminuição da taxa de natalidade, significando menos filhotes à mercê de perigos, fome, doenças e do alcance destas pessoas. 

Para praticantes de C.E.D, a devolução de gatos a seus locais de origem é uma tarefa bem clara e essencial para o bem estar dos mesmos. No entanto, algumas pessoas podem ficar com pena de retornarem os gatos para seus locais de origem e, sem condições de se desfazer dos animais, começam a acumulá-los. 

A vida nas ruas pode parecer cruel, mas se não há um local seguro e que respeite a necessidade de liberdade dos gatos ferais, o mais cruel na realidade é infligir a estes felinos uma vida de clausura e à mercê de enfermidades sérias, causadas pela superpopulação, como Rinotraquiete, além de doenças incuraveis, como a Aids Felina que seria evitada através da esterilização dos gatos ( pela ausência de mordidas e arranhões por stress ) e a Leucemia Felina, que se propaga através de lambeduras, ou seja, o gato portador necessita ser unico em uma residencia. A maioria dos animais retirados da casa de um colecionador acabam sendo eutanasiados, devido aos grandes danos mentais e de saúde que apresentam.

gato retirado de casa de colecionadora

Infelizmente muitos colecionadores se vestem da bandeira de proteção animal e acabam recebendo ajuda para manter os animais neste estado, continuamente. Sempre deixo o alerta, antes de ajudar um protetor independente ou organização, existem alguns requisitos para saber a seriedade e honestidade do trabalho a ser desenvolvido: Qual o número de animais no local? Estão vacinados, vermifugados? Estão castrados? Quem é o veterinário responsável? Há ração e agua para todos, o ambiente está limpo? Onde está a prestação de contas do que é utilizado com os bichos?

São premissas básicas de bem estar para animais a serem doados e que um colecionador simplesmente não consegue administrar. Além disso, desconfie de quem, mesmo em situações de aperto economico, não castram os bichos sob sua responsabilidade. Isso pode indicar a necessidade da pessoa de sempre ter de filhotes nascendo no local.

colecionadora

Como praticante e defensora de castração e C.E.D, me sinto bem melhor sabendo que, além de minimizar os numeros de nascimentos nas ruas, também salvo estes animais de viverem em verdadeiros campos de concentração, vitimas daqueles que se dizem seus salvadores, mas que os deixam morrer à mingua, sem nenhum esperança de dias melhores, refens de sua loucura. 



Quer saber mais sobre Colecionismo? Assista COLECIONADORES DE ANIMAIS, no Animal Planet.