sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

6 mitos sobre gatos comunitários

Traduzido de - http://www.huffingtonpost.com/matt-bershadker/six-myths-about-your-comm_b_4136974.html

Texto da médica veterinária Margaret Slater, Diretora Sênior do Departamento de Epidemiologia Veterinária da ASPCA. 

1- GATOS FERAIS ESTARIAM MELHOR EM UM ABRIGO 

É importante entender que gatos ferais são como esquilos, guaxinins ou coelhos. A colonia é o lar deles, onde aprenderam a viver, se adaptar e triunfar - geralmente com a ajuda de um cuidador humano. 

A vida em abrigo não é natural e apresenta um futuro muito mais sombrio. Gatos ferais não podem ser adotados e a grande maioria deles que entra em abrigos são eutanasiados, apesar de 99% deles não ter nenhum problema de saúde, fraturas ou doenças. 

gatos ferais forçados à proximidade humana podem se recusar a comer e beber e podem morrer de stress e depressão

Gatos ferais adultos são eutanasiados em maior número, mais do que qualquer outro cão ou gato, incluindo cães adultos, de raças grandes, gatos assustados, cães agressivos, medrosos, com vermes no coração ou gatos agressivos. 

Apesar do que sempre escutamos, ninguem envolvido em bem estar animal DESEJA eutanasiar animais. E muitos dos abrigos existentes estão trabalhar duro para diminuir o número de eutanasias de gatos ferais. 

2- CAPTURA, ESTERILIZAÇÃO e DEVOLUÇÃO É CRUEL

A melhor coisa que você pode fazer por um gato feral é castrá-lo e devolvê-lo à sua colonia original. C.E.D tem se mostrando o meio mais eficiente, humano e com menores custos para estabilizar a população de gatos ferais. 

Com o tempo, de acordo com o Allet Cat Allies, a prática de C.E.D pode significativamente reduzir à zero o número de colonias de gatos ferais. E se você puder separar os filhotes e colocá-los para adoção, você imediatamente reduz essa população. 

gatos castrados em uma colônia monitoradas vivem dias tranquilos e dignos 

Com os números sob controle, gatos de C.E.D possuem mais espaço, abrigo e comida. Eles também possuem menos doenças, já que também são vacinados. E como as femeas são castradas, não irão atrair novos machos para o local. 

Gatos castrados também demarcam menos com urina, fazem menos barulho e tem um risco bem menor de contrairem cancer. C.E.D pode ser várias coisas, mas nunca será uma prática cruel. 

3- GATOS FERAIS ESTÃO DOENTES 

Falso. Gatos ferais castrados são tão saudaveis quanto o seu gato domestico, com baixos indices de doenças e uma estimativa de vida praticamente igual. 

4- O PROBLEMA DA SUPERPOPULAÇÃO DE ANIMAIS PODE SER FACILMENTE RESOLVIDA COM A REMOÇÃO DA COLONIA DE FERAIS

Comunidades as vezes capturam colonias de ferais para eutanasia ou remoção, mas isso está longe de ser uma solução humana ou eficaz. É impossivel capturar todos os gatos e somente um macho e uma femea são o suficiente para a criação de uma nova colonia.

Mesmo se todos os ferais residentes sejam capturados e removidos, novos gatos irão se mudar para o local. O remanejamento destes animais só deve ser uma opção quando há riscos envolvidos e somente seguindo práticas seguras e responsáveis. 

eles são fruto de nossa irresponsabilidade e abandono e é nossa obrigação dar a eles uma vida digna 

O C.E.D é a forma mais simples, efetiva e humana. Se a devolução dos animais incomoda você, lembre-se que estamos falando de animais comunitarios. Você exterminaria ou iria banir a população nativa de esquilos ou coelhos?

5- COM TEMPO E PACIENCIA, QUALQUER UM PODE SOCIALIZAR UM GATO FERAL 

Mesmo se o gato feral parecer com um gato domestico, eles são muito diferentes. Gatos ferais sobrevivem evitando a interação com pessoas. Força-los a conviver com seres humanos pode piorar ainda mais a situação e você pode acabar se machucando se eles se tornarem defensivos. 

tentar domesticar gatos ferais é um desrespeito às suas naturezas selvagens e inflige stress e sofrimento desnecessário

Por isso, as tentativas de socialização destes animais devem ser feitas por especialistas que estejam preparados para os eventuais problemas. Mas, para executar C.E.D, você precisa de um pequeno treinamento e alguma prática. 

Ao mesmo tempo, o seu abrigo local deve ter vários gatinhos amigaveis e brincalhões para que você os adote, então por favor, não tente colocar a reabilitação de um feral acima do ato de salvar uma vida. 

6- OS ABRIGOS AJUDAM GATOS PERDIDOS A SEREM ENCONTRADOS

Ao contrário dos cães, gatos perdidos raramente são procurados por seus donos. 

Alguns estudos apontam que somente uma porcentagem entre 2% a 5% dos gatos perdidos e encaminhados para abrigos, nos EUA, são procurados pelos seus donos. E já que a maioria dos gatos perdidos acaba em sua propria vizinhança, remover o animal e levá-lo a um abrigo diminui significativamente as chances dele voltar para seus donos. 

mantenha sempre uma coleira e placa de identificação no seu gatinho 

Se você tem gatos, uma das melhores coisas a fazer por eles é manter uma coleira com placa de identificação e microchipá-lo, para que você consiga encontrá-lo em caso de fugas e acidentes. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

C.E.D pelo Brasil - Operação Gato de Rua

Desejando fazer um levantamento do movimento de C.E.D brasileiro, vamos trazer uma série de posts com informações sobre os principais grupos que desenvolvem Captura, Esterilização e Devolução por aqui, para divulgar essas iniciativas e conscientizar mais pessoas da importância da castração em massa como forma efetiva e humana contra o abandono :) 

Quem abre esta seção é o OPERAÇÃO GATO DE RUA, C.E.D de Blumenau, idealizado pela Maria Cecilia Quideroli :) 
1- Data de inicio? 

Maio 2012

2- Qual a atuação? 

CED e doação quando possível, com gatos de rua e que vivem em escombros e matas da cidade de Blumenau.

3- Por que optaram pelo C.E.D?

Não gosto de doação, acho complicado lidar com ser humano. CED é uma opção que respeita o temperamento do animal e resolve o problema da super população, previne doenças, sem lotar abrigos nem estressar os gatinhos mais ariscos.

4- Quais as maiores dificuldades na sua cidade?

A ignorância das pessoas, que confundem CED com abandono; a falta de informação da população em geral, a dificuldade em entender que eu não vou resgatar e não vou castrar gatos com dono. O poder público que não ajuda em nada, não age na prevenção e educação, os inúmeros casos de abandono, típico da cidade.

7- O que você acha do movimento de C.E.D no Brasil? 

Acho lindo, muito importante e espero que seja muito propagado pra ficar conhecido e beneficiar muitos animais ainda.

8- Quais os maiores desafios para quem faz C.E.D aqui, na sua opinião? 

A falta de apoio do poder público e a dificuldade das pessoas em entender o que é.

9- Deixe um recado para quem está pensando em fazer C.E.D.

Pensando em fazer CED? Vá em frente, lute por quem não pode se defender. O problema do abandono é de todos nós e a solução também está em nossas mãos.

O II Encontro Nacional de C.E.D será em Blumenau, no dia 30 de novembro. 



Participe, conheça mais sobre o C.E.D e conheça de perto o trabalho do Operação Gato de Rua :) 


sexta-feira, 12 de julho de 2013

Castração Precoce e o Bem Estar Animal

Como um grupo de C.E.D, defendemos a castração precoce assim como a castração de todo e qualquer animal que passe por nós. 

Castramos ferais com 2 meses de idade, castramos gatos abandonados e semi-domiciliados nessa idade também. 

mamãe e filhotes do Reviver, todos castrados aos 2 meses de idade 

Mamãe e uma de suas filhotas pretinhas ( os outros foram adotados após castração )

Castramos os gatos de pessoas carentes que, sem castração, irão repassar os filhotes para o primeiro que aparecer, sem nenhuma garantia a não ser que não irão reproduzir e trazer mais animais para uma area carente e sem as minimas condições nem para a população que vive nela. 

Quando optamos pela castração precoce, muito foi estudado, muito foi observado, muito foi pesquisado. Contamos com 3 dos poucos veterinários em São Luís que aprenderam e dominam a tecnica, não somente para os nossos de rua, mas também para seus clientes particulares. E nunca tivemos qualquer problema em quase 2 anos de projeto. 


foco familiar, mamãe - à direita - e filhotes castrados a partir dos 3 meses de idade, todos saúdaveis e com desenvolvimento normal 


Levando em consideração que a castração precoce é feita desde a decada de 70 em vários países do mundo, seria estranho que dinheiro publico fosse utilizado para trazer maleficios aos animais. Maleficios estes que nunca foram provados com 100% de certeza.


Jeff Young, um dos veterinarios mais respeitados dos EUA, que palestra no mundo inteiro sobre tecnicas minimamente invasivas de castração e castra, como ele mesmo diz, com 24hrs de nascido, tambem aponta que os beneficios da castração precoce são muito mais interessantes ao bem estar daquele animal e daquela comunidade como um todo, do que um POSSIVEL problema urinario ( que está muito mais ligado à alimentação inadequada ) ou qualquer outro POSSIVEL problema causado pela ausência destes hormonios, hormonios estes tambem responsaveis por números comprovados de piometras, tumores e problemas comportamentais que agravam o número do abandono. 




Entre 60-80% das pessoas NUNCA, NUNCA irá castrar os animais sob sua posse, castração precoce se torna a unica ferramenta segura para que aquele filhotinho lindo não se acabe pelas ruas, parindo e brigando, contraindo doenças incuraveis e criando todo um novo ciclo de descaso, maus-tratos e dor. 


Arya, castrada os 3 meses de idade 

Diariamente vemos casos de animais que foram doados filhotes e, não-castrados pela espera da "idade ideal' tiveram ninhadas, fugiram de casa ou foram devolvidos pela gritadeira no cio ou marcação de territorio. E isso é exclusivamente responsabilidade de quem os doou, sem castração. É humanamente impossivel ter 100% de retorno para castração destes animais, mesmo com tentativas solidas para isso. O tutor pode se mudar, pode sumir mesmo do mapa, pode repassar o animal. Pode se negar a entregá-lo para a cirurgia, por preconceito ou ignorância. Quem nunca testemunhou um caso desses? 

Lidando com animais a quase 7 anos, sendo mãe de gatos castrados e amiga de pessoas com animais castrados precocemente, acompanhando o manejo de controle populacional de grandes e sérias instituições do Brasil e mundo inteiro, não tenho duvidas que estamos fazendo o melhor para estes animais, não somente no ambito deste unico gato, mas em um circulo muito maior, que engloba também conscientização, menores números de zoonoses e menores números de mortes desnecessárias, cada vez que entregamos um filhote nas mãos de nossos excelentes veterinários, para serem esterilizados. 


Acredito que é hora de repensar quando um doador teme que o animal ficará ENCALHADO se não for entregue às pressas, sem castração. O que é mais importante? O animal ou livrar-se dele? E, sem contar que, pessoas que adotam animais castrados são muito mais conscientes e responsáveis, que tipo de lar você quer para aquele filhote que tanto investiu seus recursos? Que tipo de ideia estamos passando quando doamos um animal "a pronta entrega' para alguem que não pode esperar que ele seja esterilizado? 

Brandon somente pôde ser castrado aos 4 meses, permaneceu sob nossos cuidados e
foi doado responsavelmente 


Não somos uma nação que pode se dar ao luxo de esperar. 

Não somos uma cidade em que podemos esperar, tendo testemunhado só nesse ultimo mês 10 filhotes morrendo em um ponto de abandono, de violencia e doenças, mesmo com nossos esforços. Como testemunhar algo assim e não pensar imediatamente em uma maneira de PARAR com esse sofrimento, já que a conscientização nunca irá ser tão rapida quanto ações de castração em massa? 


filhotes da Colônia da Beira do Rio


Somos a favor da castração precoce. 

Animais castrados precocemente se recuperam mais rapidamente e melhor da cirurgia. 
E eles NUNCA, NUNCA, NUNCA serão responsaveis por mais filhotes sem destino certo.

E fatos concretos, para nós, são muito mais importantes. 






Enquanto grupo de C.E.D, como agentes de bem estar animal e conscientização das pessoas e, principalmente, como um grupo de pais e mães de animais castrados, que lidamos diariamente e observamos os beneficios que a cirurgia trouxe para aqueles tirados do abandono. 


Simplesmente não podemos nos dar ao luxo de esperar, já que estes animais que sofrem não tem tempo a perder.

Ass: Otávia Mello ~ Idealizadora do Projeto Felinos Urbanos

domingo, 17 de março de 2013

I Encontro Nacional de C.E.D


O Brasil está caminhando no exemplo de países desenvolvidos e a Captura, Esterilização e Devolução está crescendo mais a cada dia, com pessoas comuns que se empenham no melhor para estes animais abandonados à propria sorte pela sociedade e poder publico.

Não há lares para todos e ações de castração em massa apresentam resultado IMEDIATO e com menores investimentos, para reduzir o número do sofrimento em nossas cidades brasileiras.

Pensando nisso, os grupos de C.E.D do Brasil se reuniram, querendo dividir seu conhecimentos e experiencias bem sucedidas, realizando o I Encontro Nacional de C.E.D  :)

O Felinos Urbanos se sente honrado em fazer parte dessa empreitada e esperamos poder demostrar a todos que C.E.D não é um bicho de 7 cabeças e qualquer pessoa pode fazer a diferença em sua rua, bairro ou cidade :)

Participem!


domingo, 6 de janeiro de 2013

Veterinários x Abandono



Quem de nós nunca se deparou com veterinários que deixavam de lado todo comprometimento com o bem estar dos animais? Infelizmente não são poucos os casos. 

Lembro-me da médica que jurava curar Leishimaniose. A que aplicava mensalmente anticoncepcional em um gato macho de uma família humilde e aquele que diz que castração é maldade. A que afirmava que as fêmeas deveriam ter uma ninhada antes da castração. E, como esquecer daquele, que ao me ver com uma gatinha para adoção em uma clinica, querer que eu a entregasse para ele, pois o dele havia morrido atropelado por ter ido para as ruas?
Como em toda categoria, existem excelentes e péssimos profissionais.

Não irei entrar no mérito de valores de consultas e procedimentos. Infelizmente aqui em São Luís não existe nada gratuito ou a baixo custo de fácil acesso, como na maioria das capitais do Brasil onde castração e consultas em preços mais em conta e com qualidade são oferecidas à população, mas também não vejo nisso uma razão para tanta reclamação para com os profissionais e clinicas, desde que o serviço prestado esteja no padrão de qualidade do pagamento exigido.

É algo muito simples, bicho é luxo. Não quer gastar? Não tenha um animal.
Se não houvessem meios para ajudar animais de rua, simplesmente não faria e nem sequer teria o meu próprio. Mas ficar reclamando para um profissionalque passou anos estudando, pagando transporte e livros caros na faculdade, que investiu em uma especialização e em materiais de qualidade, para atender seu animal da melhor maneira possível.

Cada veterinário oferece seus serviços ao preço que acredita ser o mais adequado para sua realidade e os gastos que tem para exercer sua profissão. Cabe aos clientes fazer uma pesquisa de preço e escolher o que cabe em seu orçamento.

A principal preocupação com a prática veterinária nos dias de hoje é como ainda existe um grande número de profissionais que ignora o seu papel social de promoção da guarda responsável e acaba, direta ou indiretamente, contribuindo para o aumento do abandono.

Diante da nossa realidade de descaso, é imperativo que os profissionais tenham  iniciativa de abordar os proprietários sobre a castração. Não é raro conhecer pessoas que sempre possuíram bichos e mesmo levando-os ao veterinário com regularidade, desconheciam totalmente o procedimento e seus benefícios. 




Acredito fortemente que a castração deve ser incluída na primeira conversa com o cliente ao adquirir um animal, assim como alimentação adequada, vacinas e outras particularidades de manejo. 

Nesta conversa sobre castração, o veterinário responde as duvidas do proprietário, esclarecendo os prós e contras do procedimento de forma clara e realista. Realiza exames baseados nas características do animal a ser operado, para diminuir o máximo possível os poucos riscos existentes. Na grande maioria das vezes, o animal é castrado e o dono, satisfeito, espalha os benefícios para aqueles ao seu redor, criando um circulo do bem e de responsabilidade.

O veterinário antiquado e retrogrado coloca a castração como procedimento a ser feito somente depois do primeiro cio ou primeira cria, como desnecessário, até mesmo como maldade e aflige ainda mais o proprietário, já não muito bem informado, fazendo com que o mesmo, além de não castrar seu animal, ainda dissemine preconceitos errôneos quanto ao procedimento.

Mas qual a responsabilidade que esse veterinário assume, quando o cão ou gato foge por causa de fêmeas no cio, é atropelado, morre nas ruas ou se torna agressivo, marcando o território com urina o tempo inteiro? Qual a responsabilidade que esse veterinário terá com as fêmeas no cio, que sangram e gritam durante dias, que podem ter piometra e tumores de órgão sexuais, que também irão fugir, emprenhar e trazer filhotes para uma casa onde o dono não está disposto a doá-los com responsabilidade? E uma sucessão de abandonos começa aí.



E ao invés de pagar R$150 para castrar uma gata, o dono responsável – mas ingênuo – irá gastar R$1000 para resolver uma piometra. Irá gastar MUITO para remendar os ossos quebrados do animal que fugiu e foi pego por um carro, que foi envenenado pelo vizinho atrás de uma fêmea no cio e para cuidar e vacinar os filhotes nascidos pela negligência do proprietário e veterinário que não castrou o animal. E quem irá receber para isso? O mesmo veterinário que não tratou a castração como algo essencial para o bem estar daquele bichinho.



São fatos tão simples que chegam a ser tolos. Na cidade de São Paulo, onde castração tornou-se obrigatória e existem centros cirúrgicos gratuitos espalhados pela cidade, os melhores veterinários são aqueles que fazem um grande número de cirurgia de castração durante o mês, pois estes profissionais, por lidarem com uma enorme demanda, devem fazê-lo de forma rápida e de qualidade, para que as pessoas confiem na castração. Quanto maior o número de procedimentos, maior a prática, menor a incisão e mais rápida, sem preocupações e falhas ( como um ovário remanescente ) é a recuperação do animal.

Não confio e evito ao máximo indicar profissionais que não possuem animais castrados ou que ignoram o beneficio da castração, tanto para a saúde do animal, como ferramenta contra o abandono. 

Do mesmo jeito que um bom veterinário não se envolve em criação de fundo de quintal e/ou reprodução indiscriminada, que em curto, médio e longo prazo, resultam grande parte dos animais negligenciados e abandonados.

De acordo com uma pesquisa de 2010 da SPCA americana, 9 entre 10 filhotes nunca encontra um bom lar onde possam ser tratados com dignidade até o fim de suas vidas.

A destruição da maioria de raças de cães e gatos não é segredo. Basta passar algumas horas nos petshops mais populares em um dia de sábado. Dificilmente você vê um animal puro e 100% conformado. Os animais de estimação de grande parte dos ludovicenses são resultado da reprodução irresponsável e criação de fundo de quintal, gente que tem uma fêmea ou macho e encontram um ser ganancioso, colocando os animais para cruzar e tirar os trocados.



Às vezes a pessoa é somente ignorante e não tem intenção de explorar economicamente os filhotes, querendo apenas um “netinho” , mas levando em consideração que não nascerá só um e o resto será dado ou vendido indiscriminadamente, a pessoa acaba sendo responsável por filhotes sem destino certo.

A maioria dos criadores de fundo de quintal é resultado de outro criador de fundo de quintal. É a pessoa que pagou caro por um mestiço, foi enganada e ainda se acha no direito de faturar em cima do seu animal. Reproduzem qualquer coisa que pareça um com o outro, sem fazer exames, sem checar problemas de saúde ou de comportamento, sem ao menos saber coisas básicas do bicho.

Também há aqueles que até tem um animal com pedigree, mas que vieram de canis ou gatis não tão socialmente responsáveis, vendidos sem castração. O ponto aqui não é se o animal é um bom reprodutor, mas o direito dele de não ser forçado a passar pelo stress do cio, cruza e gestação e ter seus filhotes vendidos e colocados em mãos alheias, com destinos incertos.



E onde criadores de fundo de quintal se conhecem? Justamente em clinicas veterinárias. E onde expõem a vontade de reproduzir seu mestiço e onde colocam cartazes para vender os filhotes, isso se não os coloca em um cercado imundo, sem água, comida e espaço para se movimentarem? Em clinicas veterinárias.

Algumas pessoas acham erroneamente que o animal tem que reproduzir pelo menos uma vez, mesmo nos dias de hoje desconhecem castração, então por que o veterinário não fala a respeito disso, quando a pessoa compartilha o desejo de reproduzir o pet, ao invés de ser cúmplice dessa prática? O poder de persuasão e conscientização de um veterinário contra a reprodução indiscriminada e exploração comercial é imenso.

E pior do que um veterinário contra castração é aquele que ainda é criador de fundo de quintal, explora economicamente os animais que ele JUROU cuidar e tratar com dignidade. 
Não há necessidade de um bom profissional explorar seus clientes, tratando-os como maquinas de filhotes. Logicamente existem veterinários sérios e que mantém criações idôneas, registradas, com controle de ninhadas, contratos de venda para assegurar o bem estar do animal, filhotes vendidos castrados, nascidos e comercializados de maneira correta, mas estes são raridade.

Visitei uma clinica veterinária em São Paulo afiliada ao CCZ. Além da obrigatoriedade da castração, também é proibido a venda de filhotes que não sejam de gatis e canis registrados. Bem na entrada existia um cartaz: CRIAÇÃO DE FUNDO DE QUINTAL É CRIME! Para denunciar, ligue. 
Imaginem o impacto positivo dessa lei em todo o Brasil? 

Mas enquanto as coisas boas não chegam, senhores veterinários, proíbam em suas clinicas e petshops cartazes anunciando ninhadas e não aceitem expor filhotes advindos destes locais. Tentem mudar a mentalidade dos donos e impedir que mais uma bola de neve de reprodução indiscriminada se torne ainda maior. Logicamente que bom senso não atinge a todos, se não colocarem no seu mural e se não castrarem o animal, irão reproduzi-lo de qualquer forma, irão vender os filhotes em outro lugar, mas será que não vale a consciência tranqüila de não ter sido cúmplice desse triste comércio de vidas?

Sem a ajuda da sociedade, em todas as suas esferas, nunca será possível diminuir e/ou exterminar os índices alarmantes de animais vitimados no mundo inteiro. Protetores de animais e donos responsáveis podem fazer muito, mas na parte prática, veterinários conscientes são extremamente necessários.

Não espero que nenhum veterinário abrace o serviço voluntário com animais abandonados como protetores, pois isso para nós é, apesar não isento de custos, uma opção.

Veterinários possuem famílias, contas para pagar, cursos e livros a serem adquiridos, principalmente em um país como o nosso que nada é bem visto se não for agregado em valores. O Médico Veterinário tem todo o direito de ser remunerado justamente e ser valorizado pelos bons serviços que prestam a uma comunidade.

E é nas mãos deles que reside uma força ainda maior para a conscientização em relação a castração e guarda responsável.




O diploma, além do titulo e certificação do curso, deveria trazer a todos os veterinários o desejo de garantir um futuro seguro e mais digno para os animais que passam por seus cuidados.

( texto dedicado a todos os meus queridos amigos veterinários, de perto ou de longe, que exercem seu papel com competência e humanidade contribuindo para um amanhã melhor )

domingo, 30 de dezembro de 2012

O gato comunitário


O gato comunitário é aquele animal que é alimentado e pode até receber abrigo em alguma moradia em determinado bairro, mas não possui donos oficiais. 

A maioria desses gatinhos é manso, mas alguns podem se mostrar ariscos à outras pessoas que não forem seus cuidadores habituais. 

#22, gatinha residente de uma popular lanchonete aqui na cidade :)

E por que o projeto Felinos Urbanos se preocupa com esses gatos?

Geralmente gatos comunitários recebem alimentação, mas nenhum outro cuidado veterinário e também não são castrados, por falta de conscientização ou até mesmo condições monetárias das pessoas que cuidam deles. 

Com acesso regular a comida e um abrigo, acabam reproduzindo mais do que um gato feral que precisa se deslocar para procurar alimento e até mesmo caçar e os filhotes de ferais, que nascem em terrenos baldios, matagais e outros locais mais abertos e sem abrigo, possuem um número maior em mortalidade.

Nesses “passeios” e aproximação com outras pessoas fora de casa, o gato semi-domiciliado também se torna vitima de crueldade humana e pode adquirir doenças pelo contato com gatos de rua e ferimentos sérios, em brigas para reprodução. 

nº5, gatinha comunitária de uma rua em bairro carente, foi espancada grávida por crianças, seus filhotes morreram na barriga, estava começando um quadro de sepse. foi operada de emergêcia pelo projeto. depois de castrada,  adotada :)
o "Miau" melhorou muito seu comportamento depois de castrado, está sendo tratado para uma grave sarna pelo projeto, assim que estiver curado, será adotado :)

Se você ou alguém de sua vizinhança ajuda um gatinho semi-domiciliado e você quer fazer mais por ele, entre em contato conosco e apadrinhe o valor da castração :)  

Quem sabe, depois de castrado, ele não possa até mesmo ser adotado oficialmente e ter uma vida melhor fora das ruas? 


sábado, 29 de dezembro de 2012

Manejo de Ferais e Ariscos - Contenção para Anestesia

Gatos ferais e ariscos precisam de manejo diferenciado para contenção ao serem anestesiados. 

Estamos falando aqui de animais que podem, literalmente, morrer de stress. Quanto menor e mais rápida a intervenção, melhor. 

expressão corporal tipica de gato feral, orelhas para trás, pêlos arrepiados e rosnado  - gatos ferais não miam

Em outros países já existem clinicas especializadas e somente para grupos e gatos de C.E.D.

Há a utilização de caixas anestésicas  onde o animal é colocado, o gás anestésico é enviado através de um tubo e quando o gato está sedado, é retirado e encaminhado para os cuidados pré-cirúrgicos.

feral em caixa anestesica, já sedado :) 

Nestas clinicas há gaiolas de contenção  que imobilizam o animal, deixando-o na posição correta para que o veterinário se aproxime com segurança para aplicação da anestesia e assim que o gato dorme, é retirado para fazer a preparação pré-cirúrgica. 

um dos modelos de gaiola de contenção disponiveis no mercado ( foto retirada do blog  O TIME DO TIGOR )

Toda a equipe é treinada para lidar com esses animais e pesquisando sobre contenção dos mesmos, pode-se notar o silêncio e calma das operações, que resultam em menor stress para o animal e maior sucesso para contenção e anestesia. 

Os grupos e clinicas que não se utilizam de caixa anestésica ou de contenção, transferem o animal diretamente para sacos de pano, seguros, onde eles são contidos no escuro e facilmente anestesiados, como mostra o vídeo abaixo:



Tanto a gaiola de contenção quanto o saco de contenção remetem à teoria de técnica de compressão da Temple Grandin, onde animais mantidos em espaços menores e suavemente comprimidos liberam hormonios que os acalmam em situações de stress, tornando o manejo menos agressivo. 

Mesmo com essas ferramentas, o tempo é fundamental. Animais stressados demoram mais para sentir o efeito da anestesia e se recuperam mais lentamente da mesma. Ataques cardíacos também podem ocorrer. 

Infelizmente ainda não fomos capazes de comprar esse equipamento, mas está em nossas pretensões, talvez para 2013 :) 

Algumas vezes consegui fazer uma adaptação de gaiola de contenção  colocando os gatos em módulos na clinica veterinária e empurrando-os com placa de divisão pelo lado contrario, mas esse manejo demorava muito, resultando em agitação desnecessária para o animal. 


O nosso protocolo de contenção e anestesia é o cambão ( laço emborrachado ) no peito do gato. 



Coloca-se o gato em um modulo gradeado com pouco espaço, o laço é passado pela cabeça e patas dianteiras. Com o animal laçado, o colocamos contra a grade para que o veterinário aplique o anestésico  sem riscos. É necessário força no braço de apoio e atenção, pois caso o laço afrouxe, o gato não irá hesitar em atacar para fugir da aproximação humana. 

Por pior que sejam os rosnados e urros, uma vez enlaçado, o gato NÃO PODE ser liberado até que a anestesia seja aplicada, para evitar um segundo manejo e mais stress ao animal. 





NUNCA deve-se colocar cambão ou qualquer outro tipo de laço no pescoço de qualquer gato, sob o risco de enforcar, asfixiar e até mesmo quebrar o pescoço do animal. 



No caso de gatos ariscos ou assustados, tentamos evitar o uso do cambão. 
Utilizamos então luvas de proteção que nos foram doadas, para o manejo dos mesmos. 

luvas de proteção que vão até o cotovelo :)

Os gatinhos são retirados da caixa até a metade, expondo as patas traseiras e quadril. Utilizamos a pele extra no pescoço ( o mesmo ponto onde eles são carregados pelas mães ) e os imobilizamos, sem causar dor. Depois da aplicação, os colocamos de volta nas caixas, para que se sintam seguros e os retiramos quando adormecem. 

gatinho imobilizado :) 

Sim, os ferais são animais complicados, mas devemos sempre nos lembrar que as atividades de C.E.D devem priorizar a integridade física dos mesmos, nunca os colocando em riscos desnecessários. 

É necessário muita empatia pelo animal que será anestesiado e posteriormente castrado, que já se encontra em situação de stress. 

Aqui no Felinos Urbanos consideramos cada um dos gatinhos beneficiados como nosso enquanto estão sob nossos cuidados e exigimos de nós mesmos o mesmo grau de cuidados que ofereceríamos para nossos animais.

Um manejo humanizado e o mais gentil possível é o minimo que podemos oferecer :)