quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Lidando com preocupações sobre a castração precoce - parte 2

Texto traduzido de: Lidando com preocupações sobre a castração precoce da ASPCA ( maior associação americana de bem estar animal, fundada em 1866 )

OUTROS FATORES DE SAÚDE 

Muita das informações neste texto foram retirados de informações sobre a segurança a longo prazo da castração precoce, de um artigo de 2007, da Drª. Margaret Root Kustritz, médica veterinária especialista em reprodução, na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Minnesota. 

OBESIDADE 

Obesidade é um problema tão comum para cães e gatos que muitas organizações veterinárias e empresas de comidas para pets desenvolvem vários recursos e dietas especiais para ajudar os tutores a reduzir o peso de seus animais. 

A obesidade é influenciada por um grande número de fatores e enquanto alguns veterinários reportam que animais castrados tem uma tendência a ganharam mais peso do que animais não-castrados, isso pode acontecer independentemente da idade em que o animal foi esterilizado. Um estudo publicado em 1991 indica que cães não desenvolvem obesidade se forem castrados precocemente ou logo após os 6 meses. Outro estudo de 1996 mostra que gatos podem ganhar peso independente da idade da castração. 

a obesidade em cães e gatos já é considerada uma epidemia mundial 

Um estudo de 2004 da Cornell*, indica uma diminuição de casos de obesidade em cães machos e fêmeas que foram submetidos à castração precoce, comparado com aqueles esterilizados após os 5 meses de idade. 

Então, podemos concluir que a obesidade é um problema multi-fatorial e não automaticamente uma consequência da castração. Até mesmo um animal não-castrado pode se tornar obeso se não receber uma dieta adequada e sem exercícios. Assim como em seres humanos, má alimentação e ausência de atividade física são os reais culpados. 

CRESCIMENTO 

Muitos veterinários, erroneamente, acreditam que a castração precoce irá prejudicar o crescimento dos animais. Essa preocupação foi refutada em vários estudos. A remoção da influência dos hormônios sexuais nas placas de crescimento dos ossos longas resulta em um atraso no fechamento das mesmas, ou seja, os ossos, na verdade, ficam mais longos. 

No entanto, até o momento.  não há significância clinica na diferença de tamanho destes animais. 

RUPTURA DO LIGAMENTO CRANIAL CRUZADO 

A incidência reportada de ruptura de ligamento cranial cruzado em cães é de cerca de 1.8%  e é mais reportado em cães machos e fêmeas castrados do que não-castrados. 

A relação entre causa e efeito ainda não é definida, mas além da suspeita de influência hormonal, hereditariedade, peso e condição corpórea no geral também possuem um peso neste tipo de problema. 

Mais pesquisas sobre o assunto são necessárias. 

DISPLASIA COXOFEMURAL 

A incidência reportada de displasia coxofemural é de 1.7%, com números mais significativos em raças de cães grandes e gigantes. A displasia coxofemural é uma condição hereditária, afetada pelo manejo ambiental do cão, assim como dieta. 

Estudos de longo prazo observam a incidência de displasia em cães e associação da doença com a castração precoce. 

estágios da displasia coxofemural 

Em um longo estudo da Cornell, filhotes submetidos à castração precoce antes dos 5.5 meses de idade tiveram um aumento na incidência de displasia.  No entanto, achados adicionais indicaram que cães que foram castrados aos 6 meses de idade eram 3 vezes mais propensos a serem eutanasiados por causa da displasia do que os cães castrados precocemente. 

Os autores sugerem que a castração precoce pode estar associada  a um tipo menos severo de displasia coxofemural. 

COMPORTAMENTO 

Os efeitos da castração precoce são amplamente desconhecimentos. 
A castração e subsequente diminuição nos hormônios sexuais tem sido co-relacionados com a diminuição de dimorfismo sexual entre machos e fêmeas. 

A castração, em qualquer idade, reduz o hábito dos machos de demarcar território com urina, fugas e brigas com outros machos em competição por fêmeas no cio, fazendo deles, animais de companhia mais desejáveis. 

Além disso, a treinabilidade de animais de trabalho não é alterada com a castração e não sofre variação com a idade em que o animal é esterilizado. 

a grande maioria dos cães de serviço são castrados 

Um estudo da Cornell com cães castrados antes dos 5.5 meses indicou um aumento de sensibilidade por sons, diminuição de comportamentos sexuais, fugas, ansiedade por separação e marcação de território com urina quando assustados. 

No entanto, o estudo HOWE, em 2001, mostrou que não havia diferença na incidência de problemas comportamentais de uma maneira geral ou especifica na castração precoce e castração tradicional. 

Vários estudos mostraram um aumento de agressividade em uma raça especifica de cão e reatividade após a esterilização destas fêmeas durante o cio. A causa exata dessa tendência permanece desconhecida. 

HART, 2001, reportou uma diminuição progressiva de função cognitiva em machos não-castrados em comparação com machos castrados, mas a amostra desse estudo era muito pequena e sem relação com a castração precoce. 

Existem novas evidências que animais castrados, independentemente das 7 semanas ou 7 meses, são mais ativos e animados e que gatos, machos e fêmeas, se tornam mais carinhosos do que os animais não-castrados, mas essa é uma observação subjetiva. 

Mais pesquisas para explorar o impacto da castração no comportamento dos animais ainda são necessárias. 

DOENÇA DO TRATO URINÁRIO

Apesar de alguns veterinários continuarem a acreditar que a castração precoce contribui para um maior número de obstruções urinárias nos gatos machos, esse não é o caso. Estudos feitos em gatos machos para determinar a incidência de obstruções do trato urinário em populações de animais não-castrados e castrados e não foram encontradas co-relações entre a idade da esterilização e incidência da doença. 

Foi descoberto que não há variação do diâmetro da uretra peniana em gatos não-castrados ou felinos castrados com 7 semanas ou 7 meses. 


INCONTINÊNCIA URINÁRIA 

Incontinência urinária responsiva ao estrogênio, atualmente conhecida como Incompetência do Mecanismo Esfincter Uretral ( ou, simplificadamente, a inabilidade de controlar urina ), é comum em fêmeas castradas, independente da idade em que foram esterilizadas. 

No entanto, um estudo da Cornell indicou que há um significante aumento do risco de incontinência urinária para cadelas castradas antes das 12 semanas de idade, apesar de outros fatores também influenciarem o desenvolvimento do problema, como idade, obesidade e raça. 

Cadelas idosas e não-castradas irão apresentar incontinência como resultado da diminuição do estrogênio circulante, que tem efeito no esfincter uretral externo. Incontinência pode aparecer logo após a cirurgia de castração, anos após ou nunca. 

É necessário mais pesquisa sobre o assunto. O estudo da Texas A&M não mostrou aumento de risco e outro estudo de 1992 mostrou uma maior incidência de incontinência urinária em fêmeas castradas após o primeiro cio. 

*Cornell University College of Veterinary Medicine

Lidando com preocupações sobre a castração precoce - parte 1

Texto traduzido de: Lidando com preocupações sobre a castração precoce da ASPCA ( maior associação americana de bem estar animal, fundada em 1866 )

Estudos mostrando resultados a longo prazo de castrações realizadas precocemente ou nas “idades tradicionais” em gatos e cães foram publicadas no Jornal da Associação Americana de Veterinária nas edições de 1º de Dezembro de 2000 e 15 de janeiro de 2001, respectivamente. 

Os estudos envolveram 269 cães e 263 gatos de abrigos de animais e foram conduzidos pela Dra.Lisa Howe, da Universidade A&M de Veterinária do Texas. 

A conclusão para cães, foi: “salvo animais com doenças infecciosas, a castração precoce pode ser feita de maneira segura em cães, sem a preocupação de incidência de problemas físicos ou comportamentais por, pelo menos, um período de 4 anos após a castração.” 

Abrigos que mantém filhotes por um longo período tem encontrado problemas com a parvovirose. No entanto, os autores desses estudos não concluíram que a castração precoce pode predispor o animal à doença.  Os filhotes no estudo estavam em uma idade altamente susceptível ao parvovírus e em ambiente de abrigo onde a doença é comum. 

Eles desenvolveram parvovirose por estes motivos e não por terem sido castrados precocemente. 

filhotes castrados são doados mais rapidamente e quanto mais cedo eles saíram do ambiente de abrigo, melhor 

A conclusão para gatos foi: “a castração precoce pode ser feita de forma segura em gatos sem preocupação de incidência de problemas físicos ou comportamentais por, pelo menos, um período de 3 anos após a castração.”

Outro estudo sobre os efeitos a longo prazo da castração precoce foi publicado no Jornal da Associação Americana de Veterinária na edição de 1º de Janeiro de 2004. Este estudo, coordenado pelo Drª. Vic Spain, do Colégio de Medicina Veterinária da Universidade de Cornnel, investigou os arquivos de 1.842 cães e 1.660 gatos de abrigo que foram submetidos à castração precoce. 

Este estudo teve duração de 11 anos e a conclusão para cães foi: “já que a castração precoce oferece mais benefícios do que riscos para cães machos, os abrigos podem, de forma segura, submetê-los a castração aos 2 meses e os veterinários devem considerar a recomendação da castração precoce como rotina para os tutores, antes da tradicional idade de 6-8 meses de idade. Para cadelas, no entanto, casos de incontinência urinária sugerem que a castração precoce seja mais benefica aos 3 meses de idade."

Em uma palestra de 2011 para acadêmicos veterinários em Quesland, Austrália, Dr.Jeff Young, um dos grandes nomes mundiais em controle populacional, fala sobre a incontinência urinária e seus múltiplos fatores: 

"(...) devemos levar em consideração a técnica cirúrgica. Se você está usando Catgut  na base do útero, você não está fazendo o correto para o animal. Se eu tenho um estudo cientifico sobre isso? Não. Mas é a minha experiência, já remexi dentro de animais o suficiente, tirando grandes granulomas. Quando você corta e amarra o útero, ele retrai bem na bexiga e é onde os problemas de incontinência começam. O tipo de sutura é muito importante. 

Na Costa Rica eles tiveram grandes problemas com castração precoce pois estavam usando nylon da espessura do meu dedo. Você não acha que é um problema, algo assim, se esfregando em uma bexiga? Não faria isso com nenhum animal. Mas, é mais barato, mais rápido e por isso eles fazem, mas quando tem todos esses problemas, não sabem o motivo. Se você for fazer algo, faça direito. 

E, por isso, eu daria mais motivos para explicar incontinência. Fêmeas que já tiveram muitas ninhadas tem um aumento entre 4% a 8% de chances de apresentar incontinência, aumento de peso também, mas entre 8% a 16% terão incontinência se forem castradas. A pergunta é: será que podemos pegar esse percentual de 8 a 16% e diminuirmos isso através da mudança de técnicas cirúrgicas, nos certificando que elas não irão ganhar peso, lidando corretamente com o hipotireoidismo?

Algumas raças como Dobbermans, adivinhem só, terão incontinência. Boxers terão incontinência, pois tem uma grande chance de hipotireoidismo, sempre estão acima do peso ou possuem algum outro problema, então há muitas outras causas envolvidas."



É importante salientar que as fêmeas com incontinência urinária já se encontravam em suas casas após adoção e não foram devolvidas ao abrigo. 

O estudo a longo prazo da Texas A&M não encontrou achados semelhantes sobre incontinência urinária e, outro estudo ( ARNOLD, 1992 ), mostrou que havia maior incidência de incontinência urinária em fêmeas castradas após o primeiro cio. 

A conclusão para gatos do estudo da Universidade de Cornell foi: "a castração antes dos 5.5 meses não foi associada à casos de morte ou devolução dos animais ou ocorrência de nenhuma condição médica séria ou problemas comportamentais e pode garantir melhor qualidade de vida à longo prazo, especialmente para gatos machos. Abrigos podem, de forma segura, submeter os gatos à castração precoce e os veterinários os veterinários devem considerar a recomendação da castração precoce como rotina para os tutores, antes da tradicional idade de 6-8 meses de idade."



É necessário ressaltar que o foco dos estudos não foi estabelecer a segurança da castração para animais aos 6 meses de idade. Em uma revisão de literatura por OLSON e ROOT KUSTRITZ,  em artigo publicado em 2001, mostrou que possíveis efeitos colaterais da castração não são acentuados em animais castrados no período de 7 semanas em comparação daqueles esterilizados na “idade tradicional” de 7 meses. 


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Castração Precoce: beneficios e melhores práticas

Texto traduzido de: Castração Precoce: benefícios e melhores práticas, da ASPCA     ( maior associação americana de bem estar animal, fundada em 1866 ). 

Falando de uma maneira geral, a castração precoce se refere à esterilização de machos e fêmeas de cães e gatos antes da idade tradicional de 6 meses de idade. O tema vem sido debatido entre veterinários através dos anos, com a maior preocupação sendo para os cirurgiões que atendem estes animais entre 6-8 semanas de idade ou aproximadamente 1kg. 


campanha de castração precoce da Alley Cats Allies, grupo pioneiro de C.E.D nos EUA


Pesquisas, no entanto, revelam que existem muitos benefícios da castração precoce e muitos medos são infundados. 

O texto a seguir foi escrito pela médica veterinária, presidente do departamento de Medicina do Coletivo da ASPCA, Dra.Lila Miller. 

BENEFÍCIOS DA CASTRAÇÃO PRECOCE 

1- Veterinários que estão habitados com o processo cirúrgico e anestesia concordam que a castração precoce é muito menos estressante psicologicamente para os pacientes mais jovens. 

2- Filhotes devem ser submetidos a um jejum de APENAS 2-4 horas, prevenindo assim o risco de hipoglicemia. 

3- Filhotes estão plenamente acordados geralmente uma hora após o procedimento, então eles podem receber pequenas porções de comida e levados para casa no mesmo dia, evitando assim o stress da internação hospitalar. 


filhotes doados após a castração NUNCA serão parte do problema da superpopulação de animais 

4- Veterinários com experiência na prática relataram que a cirurgia é mais rápida, fácil e menos estressante para o paciente e para o cirurgião. 

5- As complicações operatórias em castração precoce são muito poucas. 

6- Castrar uma fêmea antes do primeiro cio tem um efeito protetor eficaz em relação ao desenvolvimento de tumores de mama. 


7- A castração precoce custa menos, financeiramente, já que são utilizados menos materiais, é necessário menos auxiliares no pré, pós e durante o procedimento cirúrgico e monitoramento. 

8- Se o procedimento for feito no período das ultimas vacinas, aos 3-4 meses de idade, o veterinário não precisa se preocupar com esquecimento por parte do cliente. 

A castração pode ser incluída no “pacote de cuidados do filhote”, juntamente com a vacinação e vermifugação. Atraso na castração é geralmente a causa do nascimento de ninhadas indesejadas que acabam abandonadas. 


                                      por serem animais que reproduzem nos dias mais longos e quentes,                             algumas gatas podem entrar no primeiro cio aos 4 meses de idade

9- O conceito de “saúde única” que promove uma ligação entre saúde humana e animal requer que o médico veterinário seja parte na solução de problemas da comunidade. Estudos mostraram que animais não-castrados são muito mais propensos a serem abandonados do que animais esterilizados. A castração precoce é um componente essencial de ajuda à comunidade para resolver o problema do número de eutanásias de animais abandonados nos EUA. 


filhotinha de 3 meses esterilizada com tecnica de gancho, minimamente invasiva 

10- As melhores estratégias são: educação sobre guarda responsável, aumentar os esforços para adoção de animais, aconselhamento para os tutores sobre como resolver possíveis problemas de comportamento e a prevenção do nascimento de ninhadas indesejadas. 

A castração é uma parte da solução que apenas os médicos veterinários podem oferecer. 


sábado, 5 de março de 2016

C.E.D - Como começou?

Informalmente, o C.E.D ( Trap Neuter Return em inglês, TNR ), iniciou-se no final dos anos 1950, quando já havia registros de pessoas que esterilizavam gatinhos de vida livre na Inglaterra. 

Em 1960, o movimento tomou força e conhecido, quando Celia Hammond, uma modelo e amante dos gatos, começou a divulgar suas ações com controle populacional de felinos urbanos, uma vez que suas tentativas de domesticar estes animais ferais e ariscos e encaminhá-los para adoção se mostraram ineficientes. 


Celia Hammond 


Em 1970, Celia possuía um acervo detalhado de informações sobre as colônias felinas em que atuava e, pouco tempo depois, mostrou resultados de como as populações haviam se estabilizado, que os gatos castrados não permitiam animais inteiros ( que iriam se reproduzir ) adentrassem em seus territorios e como a qualidade de vida dos animais havia melhorado significativamente. 

Ela apresentou o C.E.D para a National Cat Rescue Commitee, uma organização britânica e, com o apoio de várias outras instituições , em 1980, em um simpósio sobre o manejo de gatos ferais, entenderam a importância deste método para o bem estar destes animais.

As ações anteriores de apenas retirá-los de seus locais de origem ( ou soltá-los em outro local ), trancafiá-los em abrigos e depois eutanásia-los pela impossibilidade de adoção, não era uma solução definitiva ou humana e, principalmente, não era economicamente viável, pelos recursos utilizados para a captura e extermínio destes animais, pois em pouco tempo outros felinos apareciam e continuavam a se reproduzir, dando continuidade ao problema. 

gatos ferais são seres magnificos e precisam ser protegidos 

A colaboração de veterinários e entidades da Dinamarca, que desde 1970 também utilizavam C.E.D foi de extrema importância para a aceitação da prática na Europa. 

Em 1981, a RSPCA ( Sociedade Real para Prevenção de Crueldade contra Animais ) mostrou seu apoio na esterilização de colônias felinas, como uma ferramenta para o bem estar animal. 

Em 1984 um estudo feito pela médica veterinária Jenny Remfry e seu assistente Peter Neville, apresentava os benefícios do C.E.D em colônias urbanas em Londres, analisando os efeitos para os animais e a melhora na aceitação deles por parte de seus vizinhos humanos, pelos benefícios comportamentais causados pela castração. 

gato feral beneficiado por C.E.D em universidade de Londres

1990 foi o grande ano para o C.E.D, quando Ellen Perry Berkeley, uma utilizadora e pesquisadora da prática e autora do livro "Maverick Cats: Encounters with Feral Cats"         (onde descrevia sua experiência com uma colonia felina em Vermont), publicou o artigo FERAL CATS”,  e várias pessoas que já se preocupavam com a situação daqueles animais começaram a aparecer e se reunir, algumas com mais de 20 anos de experiência com gatos ferais, além de despertar nos amantes de felinos uma nova maneira de               ajudá-los. 

primeiro livro publicado sobre gatos ferais 

Com o nascimento Alley Cats Allies no final de 1991, a primeira organização de C.E.D nos EUA, e a criação da Feral Friends Network, mais de 1400 pessoas de 47 estados e 12 países estrangeiros se uniram para troca de experiências e informações sobre gatos ferais, manejo e captura. 

Organizações de bem estar animal e a Associação Americana de Veterinários, começaram a se interessar pelo assunto e realizar eventos para educar e ensinar sobre o C.E.D, já que resgate/adoção/eutanásia eram as únicas alternativas que conheciam até o momento. 

Apesar das dúvidas, incertezas e opositores, o C.E.D nos EUA ganhou uma força tremenda em várias esferas da sociedade e é praticado em quase todo território nacional. 

mapa das cidades/estados que praticam C.E.D nos EUA

O DIA NACIONAL DO GATO FERAL, criado em Outubro de 2001, consolidou a importância da prática para o bem estar animal e dedicação de seus cuidadores.

Dia Nacional do Gato Feral pela Alley Cats Allies 

Atualmente existem 43 países que oficialmente adotaram o C.E.D como método de controle populacional e a cada dia ganhamos mais adeptos!

No Brasil o C.E.D caminha de forma lenta, mas progressiva. Não podemos esperar mudanças imediatas de uma população e governantes que nunca colocaram o bem estar animal como prioridade ou parte integrante da sociedade como um todo, onde os níveis de abandono e crueldade são alarmantes, mostrando que ainda temos muito o que evoluir. 

Um de nossos grupos pioneiros, o Bicho no Parque, já a atua a mais de 15 anos em parques urbanos de São Paulo, com o auxilio do CCZ municipal. 

Praticantes de C.E.D brasileiros estão espalhados pelos 4 cantos do país, mesmo aqueles que não saibam exatamente que suas atividades tenham essa nomenclatura, mas o importante é que, gradativamente, o número de pessoas dedicadas ao C.E.D está crescendo significativamente e estes gatinhos tão especiais estão ganhando cada vez mais respeito e aliados em prol do seu bem estar. 

Informações tiradas do livro: TNR, Past, Present and Future - Ellen Perry Berkeley

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

10 mitos e inverdades sobre castração em gatos

1- ANIMAIS CASTRADOS FICAM GORDOS/PREGUIÇOSOS

Alguns animais, castrados tardiamente que não possuem uma alimentação adequada e controlada, com horários, realmente podem ter um aumento de peso, mas isso pode ser solucionado com o aumento de ingestão de patê em lata - o que causa o aumento de peso são os carboidratos da ração, que os gatos não conseguem processar por serem carnivoros estritos - e mais brincadeiras com o seu animal ou/e enriquecimento ambiental com rampas, arranhadores, etc, onde eles possam se exercitar. 

brincadeiras também são importantes

 Lembrando que a obesidade de cães e gatos já é uma doença em níveis epidêmicos em vários países do mundo, não se restringindo a animais esterilizados. 

A castração precoce - de filhotes - na grande maioria das vezes evita o sobrepeso dos animais.

Gatos castrados são mais CALMOS e TRANQUILOS em relação ao comportamento sexual, pois não sofrem com stress do cio e reprodução. Imagine você passando dias sem comer, sem beber e sem dormir por uma necessidade instintiva causada por hormonios?

Quer saber mais?

Alimentação seu gato, saiba do básico

4 benefícios do patê de lata para seu gato 
 

2- A CASTRAÇÃO CAUSA PROBLEMAS URINÁRIOS NOS MACHOS

A castração não influencia nos orgãos do sistema urinário do animal, uma vez que apenas os TESTICULOS são retirados.

Na castração precoce ( animais entre 2 a 5 meses de idade ), o TAMANHO DO PÊNIS pode sofrer modificações, pela ausência da testosterona, mas isso não significa que todos os animais castrados precocemente terão problemas urinários.

O número de gatos machos não-castrados que vão para os consultorios veterinários com problemas urinários é grande. Se a culpa fosse somente da castração, nenhum macho intacto teria essas doenças, certo? 

Problemas urinários, assim como nas pessoas, podem ser resultados de varias causas, desde disposição genetica para calculos, baixo PH urinário, disfunções dos rins e, a mais comum, no caso dos gatos, a alimentação inadequada.

dentes feitos para comer.... grãos?

Gatos são animais que precisam de 75% de umidade em seus alimentos, no mínimo, por serem carnívoros estritos. A ração seca possui 7% de umidade e é isso que estes animais comem, muitas vezes, por toda a vida.

 ração seca com 7% de umidade x patê de lata com cerca de 70% de umidade. 
o que você acha que faz mais sentindo para a saúde do aparelho urinário?

É muito cômodo colocar a culpa em uma cirurgia que o animal passará uma vez na vida do que avisar os tutores sobre um manejo ADEQUADO e PREVENTIVO.

Existem gatos não castrados que já tiveram calculo, problemas renais, etc. E existem animais já idosos que comem ração seca a vida inteira e nunca tiveram nenhum problema urinário também.

É irresponsável e irreal colocar na castração a culpa por problemas de saúde que possuem tantos fatores para sua ocorrência.

Quer saber mais?

O que a ração industrializada pode fazer com seu gato?

Grãos são MUITO, MUITO ruins para seus cães e gatos carnívoros

 Cistite felina e cálculos urinários

3- A CASTRAÇÃO É CONTRA A NATUREZA DOS ANIMAIS, DEUS OS FEZ PARA REPRODUZIR, etc etc...

Você teria filhos todos os anos da sua vida? Você teria filhos com todas as mulheres/homens com quem teve relação sexual? Gatas raramente tem somente 1 filhote. As ninhadas podem chegar até 8 filhotes, de diferentes pais.

A natureza também fez homens e mulheres para se reproduzirem assim, mas ninguem com o minimo de bom senso e esclarecimento colocaria tantos filhos no mundo dessa forma.


não existem lares para todos.

Metodos anticoncepcionais como a pilula e camisinha tambem são "contra a natureza", mas você os utiliza, certo?

Imagine a sua filha engravidando em seu primeiro ciclo menstrual, com 12-13 anos de idade.

Uma gata pode engravidar com 5 meses de idade. E com 30 dias após o parto, pode estar prenhe novamente.

4- NÃO VOU TIRAR O DIVERTIMENTO DO MEU ANIMAL

O pênis do gato é cheio de ESPICULAS PENIANAS que arranham a vagina da femea durante o coito. Os gritos não são de prazer.


pênis do gato

Durante o acasalamento eles podem adquirir AIDS e LEUCEMIA FELINAS, que são doenças INCURAVEIS. Machos ficam totalmente destruidos por causa de brigas, podendo perder olhos, pedaços de cauda, serem atropelados atrás de femeas, etc.

Imagine VOCÊ carregando 4-6 bebês na sua barriga, tendo que parir todos eles, sem anestesia e sem ajuda, nas ruas, debilitada, tendo que amamentar e cuidar deles por 2 meses e logo estar gravida novamente?

Isso está longe de ser divertido.

6- GATOS CASTRADOS NÃO VÃO PARA AS RUAS

A castração remove testiculos, ovario e utero dos animais. Não remove pernas nem o instinto territorial dos gatos, que sempre é muito forte e, muitas vezes, é intensificado após a castração.

Em colonias de animais castrados, os mesmos não deixam animais nao-castrados se aproximarem. Se o seu gato CASTRADO sentir o cheiro ou ver outro gato perto de sua casa, na rua dele, etc, tenha certeza de que ele vai fugir para afugentar o invasor.

gatos criados exclusivamente dentro de casa podem viver até os 15 anos de idade

A castração é UMA medida de guarda responsável, mas a criação indoor é a unica forma para protegê-los de agressões humanas, atropelamentos, envenenamentos e outros tipos de mortes estupidas.

7- CASTRAÇÃO É UMA MUTILAÇÃO

Mutilar, de acordo com o dicionário, é DESTRUIR parcialmente. Infligir sofrimento através de corte.

Durante a castração o animal estará plenamente anestesiado durante o procedimento e não sentirá nenhuma dor. Antiinflamatorios, antibioticos e analgesicos também são utilizados para que o pós-operatorio seja o mais seguro e tranquilo possivel, sem dores ou incomodos.



quanto mais jovem o animal, melhor a recuperação cirurgica.

Filhotes de pé, andando e comendo, com 30 minutos após a cirurgia, é algo comum.
A castração dá tranquilidade e melhor qualidade de vida aos animais, além de aumentar sua longevidade. 

8- CASTRAÇÃO NÃO FUNCIONA, MINHA GATA FOI CASTRADA E CONTINUA NO CIO.

O cio é causado por uma resposta hormonal dos ovarios. Na castração
 são removidos o utero e ovários, as gatas não terão mais descargas hormonais e não entrarão mais no cio.

A SINDROME DOS OVARIOS REMANESCENTES é um problema causado quando ovários ou parte dos ovários permamencem no corpo do animal após a cirurgia de castração.


utero e ovários saudaveis em castração minimamente invasiva

O que acontece com femeas com ovario remanescente, além do cio? Elas possivelmente terão PIOMETRA DE COTO - pus no pedaço que ficou do utero - cancer de mama e outros problemas de saúde, como se não fossem castradas, já que o ovario continua a liberar hormonios.

O que fazer? Ultrassom e ter esperança que os ovarios possam ser encontrados e retirados. Uma cirurgia bem mais dificil, de maior incisão e mais cara do que uma castração feita em um lugar decente por um bom profissional.

9- FILHOTES NÃO PODEM SER CASTRADOS / ANIMAIS CASTRADOS FILHOTES NÃO CRESCEM

A castração precoce, oficialmente, nasceu no Oregan  ( EUA ) na decada de 70, pelo Dr.Leo Libberman, após perceber que os animais doados não-castrados por instituições de bem estar animal não eram trazidos para serem esterilizados pelos seus donos e, em pouco tempo, estavam recebendo as ninhadas destes mesmos animais.

A castração precoce assegura que aquele filhote doado NUNCA irá fazer parte do ciclo de abandono novamente.

eles merecem mais do que uma vida de sofrimento e futuro incerto

Quanto ao tamanho dos animais, trecho traduzido da ASPCA Professional:

"Cães e gatos castrados precocemente apresentaram um crescimento maior do radio e ulna. A baixa influência de hormonios sexuais nos ossos resulta em um atraso no processo de "fechamento" das sinfises osseas , causando um aumento de tamanho nos mesmos. E não há significância clinica em relação a essa diferença."

Tambem não podemos deixar de lado os fatores GENETICOS deste animal. Se os pais são grandes, há uma possibilidade dele ficar grande, se os pais forem pequenos ou a mãe sofreu com vermes e desnutrição durante a gestação, os filhotes também podem ficar menores.

10- MEU GATO É LINDO, QUERO UM FILHOTE IGUAL, QUERO PERPETUAR OS GENES, ETC..

Nenhum animal, nem mesmo um clone, é 100% semelhante ao original. O comportamento e indole do animal, além de fatores genéticos de ambos os pais, também sofre inúmeras influencias que nós, humanos, não podemos prever ou intervir. 

Gatos não tem somente 1 filhote. Eles tem 5,6, até 8. Ninhadas pequenas são bem mais raras. O que você vai fazer com todos esses gatinhos? Vai ficar com todos? Vai repassá-los para seus "amigos e parentes"? E eles serão bem cuidados pelo resto da vida? Você irá castrar, vacinar todos eles e arrumar bons lares?

Provavelmente não.

1 entre cada 12 gatinhos encontra um bom lar, um lar de verdade, para ser bem cuidado pelo resto da vida. E se você não encontrar donos para todos? E se envelhecerem na sua casa e começarem a reproduzir? O que você vai fazer?



Existem milhares de animais abandonados que perdem suas vidas precocemente todos os dias pelas ruas, de fome, maus-tratos e outros tipos de sofrimento.

Se informe. Leia, pesquise, pergunte. Seja um bom tutor.

Castração é um ato de responsabilidade e amor.



sábado, 1 de agosto de 2015

Então você quer fazer C.E.D? 8 passos para começar

A CAPTURA, ESTERILIZAÇÃO e DEVOLUÇÃO foi considerado pela ASPCA ( Sociedade Americana para Prevenção de Crueldade Contra Animais ) o “metodo mais humano, efetivo e economicamente viavel para controlar e reduzir a população de felinos pelas ruas” e dezenas de países mundo à fora são favoráveis à prática, entendendo a importancia da castração para evitar e minimizar o sofrimento destes animais eos beneficios para toda a sociedade.

O impacto positivo a curto, médio e longo prazo é claramente visivel logo depois do inicio dessas atividades em uma area urbana, seja ela a rua em que você mora, seu bairro ou até mesmo em toda uma cidade. Os gatos castrados não permitem a aproximação de animais inteiros e, com o tempo, as colônias felinas desaparecem, naturalmente.

Lidar com gatos ferais exige comprometimento, treinamento e sangue frio, pois eles são verdadeiras feras selvagens. Mas, acima de tudo, é necessário muito amor para lidar com estas vidas que apenas são vitimas de nossa irresponsabilidade. Gatos ferais e ariscos são o resultado da não-castração de gatos com donos. 

Aqui iremos descrever um passo-a-passo para você que decidiu embarcar nessa jornada gratificante que é o controle populacional de felinos de colônia 

1- VEJA VÍDEOS SOBRE CAPTURA E ESTUDE TUDO O QUE ENCONTRAR SOBRE C.E.D 

Com o tempo, C.E.D se torna algo rotineiro e automático, mas as primeiras capturas podem ser tensas, por causa do stress dos animais. Assista vídeos, fale com pessoas já experientes no assunto, veja fotos e leia artigos a respeito. Tire todas as suas duvidas antes de começar. C.E.D não é para aqueles fracos de coração. Gatos ferais podem ser criaturas assustadoras no primeiro momento, mas eles apenas estão evitando o contato humano. 



2- ESTEJA CIENTE QUE IRÁ RECEBER CRITICAS

Infelizmente o C.E.D no Brasil ainda é muito novo e criticado por pessoas que não conhecem o processo e intenção da prática. Você será acusado de "abandonar animais", de "não oferecer recuperação cirúrgica", "mutilação no CORTE das orelhas" entre outros absurdos que podem ser refutados com estudos e experiencia por grupos em todo o mundo. 



As criticas irão somente alcançá-lo se você der abertura para isso. E geralmente virão de pessoas que não colocam a castração como prioridade e acreditam que abrigos é o melhor local do mundo para um animal. 

3- ENCONTRE UM VETERINÁRIO QUE FAÇA CASTRAÇÃO COM TÉCNICA DE GANCHO E A MARCAÇÃO INTERNACIONAL NA ORELHA ESQUERDA. 

A castração de técnica de gancho é minimamente invasiva e A ÚNICA FORMA de realmente assegurar uma soltura eficaz e segura para as fêmeas. A incisão é do tamanho de uma unha do dedo mindinho e a sutura na pele é com fio absorvível. 

A incisão reduzida minimiza o risco de hernias e infecções, além de proporcionar uma recuperação mais rapida para as femeas. 



A marcação da orelha esquerda é um procedimento INTERNACIONAL que sinaliza animais beneficiados em ação de C.E.D. Após a castração com o animal ainda anestesiado, a ponta da orelha é pinçada com uma pinça hemostática reta e longa, a lamina do bisturi é esquentada com chama ( não é possivel usar bisturi eletrico, pois estoura, literalmente, a orelha do animal ) e é feito a marcação rapidamente, com a própria lamina aquecida cauterizando o local. 



Sem a marcação não é possível identificar os animais já castrados, o que significa stress de captura sem necessidade, gasto de tempo e recursos e, o pior, risco cirurgico ao colocar um animal já castrado novamente em uma mesa de cirurgia e ter suas vísceras reviradas ( no caso das femeas ) apenas para descobrir que o utero não está mais lá.

4- ADQUIRA UMA GATOEIRA ( ARMADILHA ) 

A gatoeira é instrumento fundamental para a captura de ariscos e ferais. Infelizmente no Brasil não existem muitos modelos disponiveis, mas é possivel começar as atividades com o que temos no nosso mercado e/ou usar a criatividade e manufaturar uma. Modelos de DROP TRAP são os mais bem sucedidos, pela possibilidade de pegar vários animais de uma só vez, rapidez e pela facilidade da captura. 

um dos modelos de gatoeira disponiveis no Brasil 

http://www.stopinset.com.br/gatoeira-capturar-gato-gamba

http://www.fermarame.com.br

5- ADQUIRA UMA GAIOLA DE CONTENÇÃO ( PARA O VETERINÁRIO ) 

A maioria das pessoas nunca viu um gato feral. E a maioria dos profissionais em veterinária nunca viu um animal desses de perto. “Ah, mas eu sei lidar com gato bravo”. Nenhum gato domestico estressado ou amedrontado chega aos pés da ferocidade de um gato feral que está, pela primeira vez na vida, perto de seres humanos. A gaiola de contenção irá assegurar a segurança dos profissionais e do proprio gato, minimizando o tempo de manejo e o stress para o animal. 

gaiola de contenção + luva de proteção doada dos EUA para o Projeto Felinos Urbanos 

http://www.metalvet.com.br/departamentos/canil-e-gatil?product_id=82

6- SE VACINE CONTRA RAIVA E COM A VACINA ANTI-TETÂNICA

A raiva e o tétano são doenças sérias que podem ser adquiridas através de mordeduras e arranhaduras de animais. E, acredite, ao lidar com estes felinos, isso irá acontecer. A profilaxia contra raiva             ( vacinação antes da mordedura ) é feita com 3 doses da vacina em intervalos de tempo que serão decididos pelo médico responsável. 


7- ESCOLHA UMA COLÔNIA E ANALISE TODOS OS ASPECTOS DOS ANIMAIS

Qual o bairro? Quantos animais, machos e fêmeas? Quantos residentes e quantos errantes? Quem é o macho dominante? Qual o horário de movimentação deles? Existe alguma fonte de alimento ( lixeiras de casas, restaurantes, etc ) ou alimentador responsável? Onde eles se reúnem?

Conhecer os aspectos da colonia de atuação ajuda a escolher o melhor dia/horário para as capturas e aumentar as chances de sucesso. 



8- CRIE UMA PÁGINA NO FACEBOOK PARA DIVULGAR O TRABALHO 

O Facebook pode ser uma ferramenta poderosa para divulgação e apoio para trabalhos de C.E.D. Tire fotos dos animais após a castração e enumere-os em ordem crescente. Colocar nomes nos animais não funciona. Com o registro fotográfico você tem ideia da epoca que os gatos foram castrados e mais informações registradas, como cores, idade e sexo. 



Parabéns ao optar pelo C.E.D! É um trabalho árduo, mas muito gratificante, ao vermos que, através da castração, estas vidas felinas possam ganhar em qualidade e anos de vida, sem mais se arriscarem com a reprodução, brigas ou colocando mais filhotes nas ruas.


Ass: Otávia Mello ~ Idealizadora do Projeto Felinos Urbanos

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

6 mitos sobre gatos comunitários

Traduzido de - http://www.huffingtonpost.com/matt-bershadker/six-myths-about-your-comm_b_4136974.html

Texto da médica veterinária Margaret Slater, Diretora Sênior do Departamento de Epidemiologia Veterinária da ASPCA. 

1- GATOS FERAIS ESTARIAM MELHOR EM UM ABRIGO 

É importante entender que gatos ferais são como esquilos, guaxinins ou coelhos. A colonia é o lar deles, onde aprenderam a viver, se adaptar e triunfar - geralmente com a ajuda de um cuidador humano. 

A vida em abrigo não é natural e apresenta um futuro muito mais sombrio. Gatos ferais não podem ser adotados e a grande maioria deles que entra em abrigos são eutanasiados, apesar de 99% deles não ter nenhum problema de saúde, fraturas ou doenças. 

gatos ferais forçados à proximidade humana podem se recusar a comer e beber e podem morrer de stress e depressão

Gatos ferais adultos são eutanasiados em maior número, mais do que qualquer outro cão ou gato, incluindo cães adultos, de raças grandes, gatos assustados, cães agressivos, medrosos, com vermes no coração ou gatos agressivos. 

Apesar do que sempre escutamos, ninguem envolvido em bem estar animal DESEJA eutanasiar animais. E muitos dos abrigos existentes estão trabalhar duro para diminuir o número de eutanasias de gatos ferais. 

2- CAPTURA, ESTERILIZAÇÃO e DEVOLUÇÃO É CRUEL

A melhor coisa que você pode fazer por um gato feral é castrá-lo e devolvê-lo à sua colonia original. C.E.D tem se mostrando o meio mais eficiente, humano e com menores custos para estabilizar a população de gatos ferais. 

Com o tempo, de acordo com o Allet Cat Allies, a prática de C.E.D pode significativamente reduzir à zero o número de colonias de gatos ferais. E se você puder separar os filhotes e colocá-los para adoção, você imediatamente reduz essa população. 

gatos castrados em uma colônia monitoradas vivem dias tranquilos e dignos 

Com os números sob controle, gatos de C.E.D possuem mais espaço, abrigo e comida. Eles também possuem menos doenças, já que também são vacinados. E como as femeas são castradas, não irão atrair novos machos para o local. 

Gatos castrados também demarcam menos com urina, fazem menos barulho e tem um risco bem menor de contrairem cancer. C.E.D pode ser várias coisas, mas nunca será uma prática cruel. 

3- GATOS FERAIS ESTÃO DOENTES 

Falso. Gatos ferais castrados são tão saudaveis quanto o seu gato domestico, com baixos indices de doenças e uma estimativa de vida praticamente igual. 

4- O PROBLEMA DA SUPERPOPULAÇÃO DE ANIMAIS PODE SER FACILMENTE RESOLVIDA COM A REMOÇÃO DA COLONIA DE FERAIS

Comunidades as vezes capturam colonias de ferais para eutanasia ou remoção, mas isso está longe de ser uma solução humana ou eficaz. É impossivel capturar todos os gatos e somente um macho e uma femea são o suficiente para a criação de uma nova colonia.

Mesmo se todos os ferais residentes sejam capturados e removidos, novos gatos irão se mudar para o local. O remanejamento destes animais só deve ser uma opção quando há riscos envolvidos e somente seguindo práticas seguras e responsáveis. 

eles são fruto de nossa irresponsabilidade e abandono e é nossa obrigação dar a eles uma vida digna 

O C.E.D é a forma mais simples, efetiva e humana. Se a devolução dos animais incomoda você, lembre-se que estamos falando de animais comunitarios. Você exterminaria ou iria banir a população nativa de esquilos ou coelhos?

5- COM TEMPO E PACIENCIA, QUALQUER UM PODE SOCIALIZAR UM GATO FERAL 

Mesmo se o gato feral parecer com um gato domestico, eles são muito diferentes. Gatos ferais sobrevivem evitando a interação com pessoas. Força-los a conviver com seres humanos pode piorar ainda mais a situação e você pode acabar se machucando se eles se tornarem defensivos. 

tentar domesticar gatos ferais é um desrespeito às suas naturezas selvagens e inflige stress e sofrimento desnecessário

Por isso, as tentativas de socialização destes animais devem ser feitas por especialistas que estejam preparados para os eventuais problemas. Mas, para executar C.E.D, você precisa de um pequeno treinamento e alguma prática. 

Ao mesmo tempo, o seu abrigo local deve ter vários gatinhos amigaveis e brincalhões para que você os adote, então por favor, não tente colocar a reabilitação de um feral acima do ato de salvar uma vida. 

6- OS ABRIGOS AJUDAM GATOS PERDIDOS A SEREM ENCONTRADOS

Ao contrário dos cães, gatos perdidos raramente são procurados por seus donos. 

Alguns estudos apontam que somente uma porcentagem entre 2% a 5% dos gatos perdidos e encaminhados para abrigos, nos EUA, são procurados pelos seus donos. E já que a maioria dos gatos perdidos acaba em sua propria vizinhança, remover o animal e levá-lo a um abrigo diminui significativamente as chances dele voltar para seus donos. 

mantenha sempre uma coleira e placa de identificação no seu gatinho 

Se você tem gatos, uma das melhores coisas a fazer por eles é manter uma coleira com placa de identificação e microchipá-lo, para que você consiga encontrá-lo em caso de fugas e acidentes.