quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Castração precoce - O mito da redução de tamanho da uretra do macho - parte 1

Reunimos alguns pontos importantes sobre o assunto, com o intuito de, novamente, educar e desfazer estes mitos tão antigos.

1- Vários estudos comparativos já apontaram que não há nenhum tamanho significativo na uretra dos gatos machos submetidos à castração precoce.

O primeiro deles é de 1972 (M.A. Herron of Texas A&M ).

Um outro estudo, com a parceria do THE FLORIDA PROJECT, Winn Feline Foundation e a Associação Americana de Médicos veterinários, de 1991-1992 apontou que não houveram diferenças no tamanho da uretra em gatos castrados antes dos 7 meses de idade, após os 7 meses de idade e depois dos 12 meses de idade.

A principal diferença entre esses animais foi o tamanho do pênis ( menor em animais castrados precocemente ) e a presença de espículas penianas. 





2- Um gato macho pode começar a acasalar com 5 meses de idade. Em uma única noite, ele pode reproduzir com todas as fêmeas sexualmente disponíveis que encontrar.

3- A maioria dos gatos que chegam a emergências veterinárias, são machos não castrados em quadros de envenenamento, atropelamento e outros problemas decorrentes do acesso à rua ou fugas para reprodução.

4- Gatos não castrados ficam obstruídos. Gatos não castrados com acesso à rua, que passam dias atrás de fêmeas para reproduzir, bebem bem menos água do que um gato criado totalmente indoor. Gatos, naturalmente, tem um baixo instinto de sede. 


enriquecimento ambiental com fontes de agua ajuda a saúde urinária 


5- Gatos são carnívoros estritos. A grande maioria dos gatos com tutores que apresentam obstrução são gatos que comem exclusivamente ração seca. Gatos precisam de 75% de umidade em seus alimentos e a ração seca possui apenas 7-10% de umidade. 



o que você acha que faz mais sentindo em termos de umidade? 

6- A medicina veterinária preventiva no Brasil ainda está nos seus primeiros passos, sendo o manejo dietético adequado para cada espécie uma parte fundamental da prevenção de doenças também. Pergunto a você, que já teve um gato obstruído, o medico veterinário que atendeu seu animal explicou a você as necessidades hídricas biológicas do seu animal?
Foi receitada uma mudança dietética incluindo comida úmida, alimentação natural ou foi apenas receitado outro tipo de ração seca? Quanto destes gatos voltam a obstruir?

7- A obstrução em gatos machos também pode ocorrer por problemas emocionais, como ambiente estressante, competição com outros gatos em ambiente com alto número populacional, poucas caixas de areia, mudanças de ambiente, mudanças familiares, etc. Quantos de vocês que tiveram gatos obstruídos foram instruídos sobre essas variáveis e sobre as mudanças para o bem estar deles? 


Limpeza e número de caixas de areia influenciam muito na saúde urinária 

8- A grande maioria dos gatos que chegam ao consultório veterinário são castrados e com tutores, uma vez que os tutores tem maior atenção ao animal, seus hábitos urinários, percebem quando algo está errado e tem o desejo e poder aquisitivo de fazer algo a respeito. Se a maioria dos gatos que chegam aos consultórios é castrada, isso, em proporção, aponta que a maioria dos problemas de saúde comuns na rotina felina, se apresentarão em uma população de animais esterilizados. Isso não significa que a idade que o animal foi castrado não é o único fator da obstrução, uma vez que gatos castrados a partir dos 6 meses de idade ou 1 ano, também apresentam obstruções.

9- Gatos obesos tem muito mais chances de terem problemas com a obstrução. A maioria dos gatos em criação indoor é obesa, com baixa atividade, com baixo ou nenhum enriquecimento ambiental, em ração seca e que bebem pouca água. A obstrução também pode ser resultado de variações do PH urinário e outros fatores fisiológicos do animal. 


obesidade não é bonitinho e não é saudável 

10- Enquanto o gato pode passar por um episodio de obstrução uretral, ele também pode ser responsável por 420.000 descendentes em um curto período de 7 anos. No caso de animais doados, isto é um dado assustador que deveria ser extremamente levado em consideração por todos, desde tutores, protetores e médicos veterinários.

11- É necessário lembrar que existem 2 realidades de animais que chegam ao consultório veterinário: aqueles gatos que vivem indoor, com tutores participativos e responsáveis que podem esperar até os 4-5 meses para o animal ser castrado após o primeiro ciclo de vacinas e, do outro lado, o maior lado, gatos para adoção, filhotes, que devem ser doados já castrados, como uma medida de segurança ao seu bem estar e para que, algum dia, não sejam mais uma estatística do gato que foi devolvido/abandonado por demarcação de território, atropelado, envenenado ou morto por fugas para reprodução.

Temos vários gatos castrados filhotes no projeto, gatos que os tutores foram instruídos sobre manejo dietético adequado e que, até hoje, quase 7 anos depois, nunca apresentaram nenhum problema de obstrução. Será sorte? Ou será apenas o resultado de ações voltadas para a prevenção?

Para saber mais - https://www.avma.org/KB/Resources/Reference/AnimalWelfare/Documents/FFF-Feline-Gonadectomy-Endorsement-Letter.pdf ( Carta aberta do presidente da Associação Americana de Médicos Veterinários apoiando a castração precoce )

http://cfa.org/Owners/CatCare/SpayNeuter/EarlySpayNeuter.aspx ( Artigo da Associação Americana de Criadores de Gatos, apoiando a castração precoce )

https://www.canadianveterinarians.net/documents/dog-and-cat-spay-castration ( Posicionamento da Associação Canandense de Médicos Veterinários a favor da castração precoce )

https://www.bva.co.uk/News-campaigns-and-policy/Policy/Companion-animals/Neutering/ ( Posicionamento da Associação de Veterinários Britânicos a favor da castração precoce )

https://www.facebook.com/meugatonaocomeracao/photos/a.447283475461386.1073741829.447142188808848/647421145447617/?type=3&theater ( Dieta para saúde renal e urinária )

https://www.facebook.com/meugatonaocomeracao/photos/a.448411945348539.1073741830.447142188808848/588195544703511/?type=3&theater ( Correlação entre dietas ricas de carboidrato e cristais de estruvita )

https://www.facebook.com/meugatonaocomeracao/photos/a.447283475461386.1073741829.447142188808848/447297398793327/?type=3&theater ( Cistite felina e calculos urinários )

Protocolo para manejo de obstrução uretral em gatos machos sem o uso de sonda uretral - https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4511701/

sábado, 12 de janeiro de 2019

Imunodeficiência Felina - FIV



grupo pioneiro de C.E.D nos EUA  

O virus da Imunodeficiência Felina é um retrovirus da subfamilia dos letivirus. 
A forma primaria de transmissão é através de ferimentos causados por mordidas. Já que gatos castrados brigam muito menos do que gatos inteiros, a transmissão de FIV pode ser significativamente reduzida através de programas de castração. Sob condições naturais, o virus não é transmitido através da amamentação, limpeza mutua, uso comunitário de comedouros ou bebedouros ou da mãe para o filhote. 

acasalamento é uma das formas de contagio 

Gatos ferais e gatos com donos contraem a FIV em níveis bem semelhantes. É estimado que 3-4% de gatos que vagam pelas ruas se tornem infectados e carregam o virus, mas apenas uma porção bem pequena destes animais desenvolvem sintomas relacionados à FIV. A maioria dos gatos infectados com FIV podem viver durante muitos anos, as vezes suas vidas inteiras, sem nenhum efeito visível do vírus

Em gatos que desenvolvem doenças relacionadas à FIV, o virus pode causar vários niveis de disfunção no sistema imunologico. Isso se manifesta mais frequentemente como redução na habilidade de combater infecção. O exemplo clássico é um macho adulto com abcessos recorrentes que demoram mais tempo para se curar do que o esperado. Outros tipos de infecções causados por virus, bacterias e fungos podem tambem se tornar mais sérios e demandar mais tempo para se resolverem. 

PROGRESSÃO DO VIRUS 

Apos infecção inicial, o virus se espalha pelos linfonodos do gato, causando a dilatação dos mesmos. Febre pode se desenvolver e durar por vários dias. Alguns gatos experienciam uma redução transiente na contagem de celulas brancas. Durante o segundo estágio da infecção, o gato geralmente se torna assintomatico por vários anos. O virus tipicamente adormece por anos a fio, o que pode explicar porque alguns gatos passam a vida inteira sem apresentar sintomas. 

Se a doença se desenvolve, isso irá ocorrer durante o terceiro estagio. Neste estagio o gato pode desenvolver sinais de imunodeficiencia e condições secundarias, como infecções oportunistas, estomatite, inflamação ocular, cancer e infecções do trato respiratorio. Gatos infectados com FIV podem tambem desenvolver infecções persistents do trato intestinal e urinario, problemas neurologicos, doença renal ou tumores. Todas essas condições tambem ocorrem em gatos sem FIV, então a associação com a doença é geralmente especulativa. 

um dos testes mais comuns, feito com amostra de sangue

Um diagnostico de FIV não deve causar alarme. Já que o virus tem um longo periodo de incubação, um gato positivo para FIV pode viver uma vida longa sem doenças relacionadas à FIV. 

Alley Cats Allies é contra o teste de FIV para gatos ferais. Além das razões descritas acima – baixos indices da doença, baixa probabilidade de transmissão, longa expectativa de vida, há também o custo substancial dos testes. Acreditamos que os recursos são melhores aplicados em castração do que em testes para FIV. 

Além disso, alguns resultados podem até mesmo ser falsos, incorretos ou inconclusivos. 

1- Testes padrões apenas detectam o anticorpo contra a doença, não o virus. A presença de anticorpos não significa que o gato está infectado. 

2- Resultados positivos de FIV em gatos abaixo de seis meses de idade não deve ser interpretado como uma infecção de FIV. Filhotes são raramente infectados mas podem ser positivos pois os anticorpos podem passar de suas mães infectadas através da amamentação. Para uma interpretação  mais acurada, gatinhos FIV positivos abaixo de seis meses de idade devem ser re-restados entre oito a doze meses de idade, quando os anticorpos maternos já diminuíram. 

3- Os testes de FIV disponiveis atualmente não conseguem distinguir entre gatos com FIV, aqueles que foram vacinados contra FIV ou se são ambos, vacinados e infectados. A vacina contra FIV, aprovada em 2002, estimula a produção de anticorpos que não são distinguiveis daqueles que aparecem com o desenvolvimento natural da infecção. 

CURA E TRATAMENTO

Não há cura para a FIV, mas um gato FIV+ pode viver livre de doenças relacionadas à FIV por toda a sua vida. Através de programas de castração, o risco da transmissão é enormemente reduzido. 

gatos ferais castrados se tornam mais doceis e tranquilos e podem ter uma vida digna e longa, apesar da doença :)

Alley Cats Allies é contra a eutanásia de gatos sadios que apresentam-se positivos para FIV e FELV. 

A Associação Americana de Veterinários Especialistas em Felinos concorda com nosso posicionamento e é contra a eutanásia de animais saúdaveis, mesmo sendo positivos para FIV ou FELV. 

domingo, 3 de junho de 2018

A identificação das orelhas para gatos de C.E.D

A marcação das orelhas é parte fundamental de uma iniciativa de CAPTURA, ESTERILIZAÇÃO e DEVOLUÇÃO. 

Todos os gatos que passaram pelo método precisam desta identificação. 

Os gatos ferais e ariscos de colônia não aceitam aproximação humana ou manejo se não estiverem anestesiados, então é impossível reconhecer os gatos castrados a distância sem a marcação da orelha. 

Animais já castrados e que não possuem a marcação de orelha são novamente submetidos ao stress de captura e ao risco anestésico, sem motivo, além de ser uma perda de dinheiro e tempo para quem está envolvido com o controle reprodutivo destes animais. 

marcação reta da orelha ESQUERDA é uma sinalização internacional utilizada em quase todos os mais de 40 países que praticam C.E.D. 

Um dos poucos exemplos de marcação diferente é a marcação do Japão, onde os gatinhos beneficiados são chamados "SAKURA NEKO" ou gatinho cerejeira, pela marcação se assemelhar à pétala da flor do país. 

Marcação do Japão 

Não existe outra forma de identificação? Não. 

Tatuagens - não é facilmente visivel, sendo necessário captura e anestesia do animal. Causa dor na recuperação e fica escondida sob os pêlos. 

Etiquetas plasticas na orelha - a orelha do gato é muito fina. A etiqueta pode causar infecção,  ser arrancada  ou causar ferimentos quando o animal se esconder em arbustos, além de incomodar continuamente. 

Coleiras - não são efetivas ou seguras. Os gatos podem engordar e serem enforcados ou emagrecerem e as coleiras cairem. Tambem há risco de enforcar o animal se ele se prender em algum arbusto. 

Microchips - não são efetivos pois também é necessário captura e sedação. No Brasil, muitos médicos veterinários não possuem os microchips ou aparelhos para leitura. 

Por que a marcação reta é a melhor opção? 

A marcação reta não atinge vasos sanguíneos importantes da orelha do gato, não causa desconforto, é feita enquanto o animal ainda está anestesiado da castração e cicatriza quase que imediatamente. 

Nas marcações de aba e meia lua, vasos sanguíneos são atingidos e os animais podem abrir ainda mais o ferimento, pois, durante a cicatrização, coça e os animais podem alcançar com as unhas. 




A marcação reta possibilita a visualização destes felinos furtivos a distância e de forma clara. 

Mesmo gatos semi-domiciliados de pessoas carentes devem ser marcados, já que eles tem acesso livre à rua. Em alguns países todos os gatos castrados recebem uma marcação. 

"Ah, mas marcar o gato manso pode dificultar a adoção dele."

MITO. Uma boa parte dos gatos que vão para adoção nos EUA, por exemplo, passaram pelo C.E.D antes de terem a chance de serem adotados e seus tutores não tem nenhum problema com a marcação. 

Quem quer adotar e amar um gato irá fazê-lo independente da cor, idade ou marcação da orelha. 

Nosso querido Magnus e sua orelhinha charmosa 

Ao realizar uma ação de C.E.D em uma comunidade ou bairro, a marcação da orelha ajuda na educação e conscientização dos moradores, ao identificar aquele gato marcado como um animal que não irá reproduzir ou causará aborrecimentos com marcação de território com urina ou vocalizações excessivas de acasalamento ou brigas. 

O incômodo que o felino sente ao ser identificado é o mesmo que ele sente durante a cirurgia de esterilização, ou seja, nenhum, assim como não sentem falta do útero, ovários ou testículos. 

A imagem pode conter: gato
em 2017, fizemos um calendário somente com nossos Felinos Urbanos de orelhas marcadas


A marcação é feita enquanto o animal ainda está sob o efeito da anestesia. 

Nos primeiros Felinos Urbanos foram utilizadas marcações de aba, por resistência do médico veterinário, mas no gatinho #24, em novembro de 2011, mudamos para a marcação internacional. 

É necessário que todos que fazem C.E.D no Brasil entendam a importância da marcação destes animais e o modo correto de fazê-lo. 



domingo, 7 de maio de 2017

Sarcoma de aplicação em felinos




O QUE É UM SARCOMA DE APLICAÇÃO? 

Apesar de serem raros, os sarcomas de aplicação felinos são tumores cancerígenos que podem aparecer após uma injeção. Já que as vacinas estão entre as principais aplicações que os gatos recebem, isto pode ser uma preocupação para os tutores de gatos. 

Uma causa especifica ainda não foi estabelecida, mas já é conhecido que os processos inflamatórios em resposta à administração de produtos injetáveis podem causar a formação de sarcomas. 

sarcoma de aplicação em estágio avançado 

O papel dos adjuvantes (substancias adicionadas nas vacinas para aumentar a eficácia dos componentes, como os micro-organismos mortos que irão induzir uma resposta imunológica, incluindo aqueles que contém alumínio ) e o local da inflamação nesta patogenia do sarcoma de aplicação ainda não é claro. 

Estudos recentes sugerem que as vacinas e outras aplicações são agentes de risco para o sarcoma de aplicação. Estes estudos também mostram que, em alguns gatos, qualquer tipo de substancias injetada na pele pode induzir uma resposta inflamatória. Quando essa inflamação não é controlada, se transforma em um sarcoma. 

Para a grande maioria dos pacientes, a vacinação é um processo de baixo risco, apesar de nenhuma vacina ser completamente livre de reações. É possível que qualquer injeção em um gato pré-disposto possa resultar em um sarcoma de aplicação. Estudos ainda não foram capazes de determinar se a genética dos gatos pode ser um fator determinante. 


Local mais comum para aparecimento de sarcomas 

Por causa de sua agressividade, estes tumores podem invadir o tecido local e até mesmo causar metástase em outras áreas do corpo, resultando em um prognostico bem ruim. 

Sarcomas de aplicação são considerados de raro desenvolvimento. Relatórios indicam que estes sarcomas acontecem em um nível de 1 gato para cada 10.000 ou 30.000 vacinações. 

QUANTO TEMPO DEPOIS DA VACINAÇÃO UM SARCOMA PODE SE DESENVOLVER?

O intervalo de tempo entre a vacinação e o desenvolvimento de um sarcoma pode variar tremendamente. Já foram vistos sarcomas após 2 meses até 10 anos após a vacinação. 

COMO SARCOMAS SÃO DIAGNOSTICADOS? 

Sarcomas de aplicação são diferentes de outros tipos de reações vacinas           ( podendo incluir apatia e febre ) com o desenvolvimento de nódulos duros no local da vacinação. 

Vários exames para o diagnostico podem ser necessários, assim como planos de tratamento para seu animal. 

Apesar de exames de imagem como a ressonância magnética e tomografia computatorizada não estão disponíveis para todos, a Associação Americana de Clinicos de Felinos sugere que estes exames sejam utilizados para um melhor diagnostico e plano de ação para o animal, ajudando a avaliar a extensão do tumor. 

COMO SARCOMAS DE APLICAÇÃO SÃO TRATADOS? 

Estes tumores são tipicamente agressivos e rápidos. Há diversas opções de tratamento que incluem cirurgia, terapia com radiação e quimioterapia. 


cirurgia para retirada de sarcoma de aplicação 


Pesquisas mostram que cirurgia agressiva primária, antes ou depois de terapia radioativa é a melhor opção. Há outros tipos de terapias disponíveis, dependendo do grau do tumor. Outras terapias estão, atualmente, sendo exploradas. 

QUAL O PROGNOSTICO PARA O SARCOMA DE APLICAÇÃO NOS GATOS? 

O prognostico pode variar muito. Assim como a maioria dos cânceres, a detecção e tratamento precoces geralmente levam a um bom resultado. 

Check-ups anuais nos gatos oferece ao médico veterinário a oportunidade de descobrir leões iniciais antes que o sarcoma atinja um tamanho maior e sejam de difícil remoção. 

OUTROS TIPOS DE APLICAÇÕES, COMO OS MICROCHIPS, PODEM CAUSAR SARCOMAS?

Outras injeções, além das vacinas, podem causar a formação de sarcomas, mas estas ainda não foram muito estudadas. A probabilidade de outras injeções estarem associadas ao sarcoma de aplicação é bem menor do que as vacinas, de acordo com médicos veterinários. Até o momento, só há um caso de sarcoma de aplicação causado por inserção de microchip em um gato. 

COMO PREVENIR UM SARCOMA DE APLICAÇÃO? 

É importante que os protocolos de vacinação sejam individualizados para cada animal, protegendo a saúde dele e a saúde pública, assim como prevenir vacinações desnecessárias e a oportunidade de aparecimento dos sarcomas vacinando os animais nos locais sugeridos. 

O médico veterinário deve trabalhar juntamente com os tutores para tomar as melhores decisões para o animal, levando em consideração a idade do mesmo, estilo de vida e os possíveis riscos para determinar um melhor esquema vacinal.

Fazer um registro do local das vacinas dos gatos e seguir as recomendações de aplicação da vacina. 

QUAIS OS FATORES DE RISCO PARA O SARCOMA DE APLICAÇÃO? ( Jornal de Medicina Felina e Cirurgia, 2013 )

* Número de vacinas ou injeções aplicadas no local 

* 3-4 vacinações seguidas na região interescapular dobra o risco de aparecimento de sarcomas em comparação com apenas 1 aplicação 

* Administração de vacinas frias versus administração de vacinas em temperatura ambiente 

POR QUE É IMPORTANTE VACINAR OS GATOS MESMO COM ESSE RISCO?

Vacinas são administradas para proteger os gatos de doenças sérias e que podem ser potencialmente fatais. Gatos devem receber vacinas múltiplas ( a tríplice felina é a vacina reconhecida como ESSENCIAL, mundialmente, protegendo contra RINOTRAQUEITE, CALICIVIROSE e PANLEUCOPENIA ) e antirrábica. 

No caso da raiva, a vacinação anual a partir dos 4 meses de idade é essencial para evitar riscos para a saúde dos indivíduos e saúde publica em geral             ( humanos e animais ), já que a raiva é incurável e fatal.  


Vacinar é preciso. De forma responsável, para melhor imunização e menores riscos. 

Converse com seu médico veterinário sobre quais vacinas são mais importantes para o seu animal e por que. 

O estilo de vida do seu gato e o risco para os sarcomas vacinais devem ser levados em consideração. 

Quer saber mais sobre vacinação felina? Leia! Vacinação felina: tipos, benefícios e riscos. 


QUAIS OS LOCAIS MAIS SEGUROS PARA APLICAÇÕES EM GATOS?


A recomendação é que as vacinas anti-rábicas sejam dadas o mais distal possível no membro traseiro direito. 


recomendações vacinais atuais:  membros ou cauda 

Vacinas contendo o antígeno do vírus da Leucemia Felina ( quíntupla felina ) devem ser dadas o mais distante possível no membro traseiro esquerdo.

Outras vacinas múltiplas devem ser dadas no membro dianteiro direito, evitando assim a área interescapular

E PARA GATOS DE COLÔNIA?

Gatos de colônia, a partir dos 4 meses de idade, devem ser vacinados com a anti-rábica, para uma proteção dos animais e dos seres humanos que trabalham com eles em C.E.D. 


vacinação caudal em um de nossos Felinos Urbanos 

Mesmo que eles recebam somente uma aplicação no momento da castração, estudos comprovam que eles mantém uma excelente resposta imunológica para a doença. 

É importante utilizar os locais de vacinação recomendados para a imunização destes animais também. 


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Lidando com preocupações sobre a castração precoce - parte 3

Texto traduzido de: Lidando com preocupações sobre a castração precoce da ASPCA ( maior associação americana de bem estar animal, fundada em 1866 )

CARACTERÍSTICAS SEXUAIS SECUNDÁRIAS 

A vulva em cadelas castradas é menor do que de cadelas não-castradas, mas não há evidência da existência de importância clinica nesta diferença de tamanho. 

Dermatite perivulvar é uma condição que ocorre tanto em fêmeas castradas quanto não-castradas e está mais associada à obesidade do que à esterilização. Glândulas mamarias também são menores em tamanho. 

O pênis e prepúcio de machos castrados irá manter o aspecto juvenil, mas, novamente, não há problemas clínicos nestes animais que não são sexualmente ativos. 

                                        As espiculas ( "espinhos" ) penianos são formadas a partir da influência                                                  da testosterona e servem para estimular a ovulação das gatas durante a copula 

No gato macho, há uma redução da habilidade de expor o pênis do prepúcio, mas não há conhecimento de problemas clínicos associados à isso. 

Essa característica pode ocorrer, independentemente se o animal for castrado com 7 semanas ou aos 7 meses de idade. 

DOENÇAS INFECCIOSAS 

Alguns abrigos encontraram um aumento na incidência de doenças respiratórias ( em particular, doenças do trato respiratório superior em gatos e parvovirose em cães ) em animais que foram submetidos à castração precoce, mas o stress da vida no abrigo, anestesia e os efeitos da cirurgia também afetam animais adultos, não somente os filhotes. 

Muitos animais de abrigo irão, provavelmente, desenvolver doenças de qualquer forma, já que há um grande número de agentes infecciosas presentes nestes locais. 

Doenças infecciosas não devem ser um problema em ambientes de clinicas particulares. 

PIOMETRA 

Piometra é uma infecção uterina que afeta 15.2% a 24% de cadelas entre as idades de 4-10 anos em países onde a castração não é comumente feita. 

Já que a castração, que remove os ovários e útero, assim prevenindo o desenvolvimento da doença, é um procedimento de rotina nos EUA, as informações sobre a incidência, no país, são difíceis de conseguir. 



A ovariectomia, remoção cirúrgica de somente os ovários, também irá prevenir o desenvolvimento de piometra, mesmo que o útero seja deixado intacto no animal. 

HIPOTIREOIDISMO

Hipotireoidismo ocorre com maior frequência em cães castrados, mas a relação causa e efeito ainda não foram estabelecidas. A incidência de hipotireoidismo em cães é de 0.2% e 0.3% e algumas raças, como o Doberman, Golden Retriever e Dachshunds são mais propensos à doença. 

DIABETES MELLITUS 

Gatos, machos e fêmeas, castrados, tem demostrado possuir um risco maior de desenvolver diabetes mellitus em comparação com animais não-castrados. Outros fatores de risco para o desenvolvimento da diabetes incluem: raça ( Burmeses tem uma maior incidência ), sexo ( machos são os mais propensos ), obesidade e idade.  

gatos machos obesos são os mais propensos a terem diabetes 
Teorias recentes sugerem que uma dieta cheia de carboidratos como a ração seca também seja um fator de contribuição para o desenvolvimento da doença em gatos. 


Um possível risco para o aumento do desenvolvimento da diabetes foi apontado em machos castrados, mas também associado à obesidade. 

Mais pesquisas sobre o assunto são necessárias

NEOPLASIAS

Há uma preocupação que a castração precoce possa aumentar o risco de alguns tipos de neoplasia. Para que possamos balancear o assunto, qualquer discussão sobre neoplasias também deve acompanhar a diminuição dos riscos do animal desenvolver outros tipos de neoplasia. 

Por exemplo, tumores nas glândulas mamarias são o tipo mais comum de tumor em cadelas, com uma incidência reportada de 3.4% e são o terceiro mais comum em gatas, com incidência de 2.5%. Em cadelas, 50% dos tumores são malignos e para gatas, a porcentagem sobre para 90%. 

Cadelas e gatas não-castradas tem um risco muito maior de desenvolverem tumores mamários do que animais castrados. Estudos mostram que o risco de desenvolver a doença em cadelas castradas antes do primeiro cio é de 0.5%. Após o primeiro cio, a chance aumenta para 8.0% e após o segundo cio, a chance é de 26%. 

tumor de mama em cadela 

Muitos veterinários acreditam que a castração diminui os riscos de câncer de próstata nos machos, mas estudos indicam que animais castrados tem, na verdade, 2.4 – 4.3% mais chances de desenvolverem tumores de próstata que cães não castrados. No entanto, a incidência desses tumores nos cães castrados é de apenas 0.2%-0.6%. 

A relação causa e efeito ainda não é conhecida, mas a castração protege o animal de outras doenças prostáticas muito mais comuns em cães não-castrados, como, por exemplo, a hiperplasia prostática, hiperplasia cistítica, metaplasia escamosa, cistos paraprostáticos, inflamação da próstata e abcessos prostáticos. 

Outro tumor que tem sido associado com a castração é o hemangiossarcoma. Fêmeas castradas tem 2.2 vezes mais chances de desenvolverem hemangiossarcoma hepático e 5 vezes mais chances de desenvolverem hemangiossarcoma cardíaco do que fêmeas não-castradas. No entanto, a incidência geral de tumores cardíacos é de apenas 0.19%, tornando-o bastante incomum em relação a outros tumores. 

Acredita-se que a incidência de osteosarcoma é de 2%, mas a castração pode aumentar o risco da doença em 1.3 a 2.0 vezes. Em um estudo limitado com Rottweilers por COOLEY, houve um aumento significativo da doença em cães castrados antes de 1 ano de idade ( o que não é considerado castração precoce ), mas de uma forma geral a incidência da doença nesta raça é muito mais alta do que em qualquer outro animal. 

Além disso, neste estudo, a expectativa de vida das fêmeas castradas era mais longa do que a de fêmeas não-castradas. Não é possível generalizar o efeito em todos os cães a partir deste único estudo. 

Carcinoma celular transicional é o tumor mais comum do trato urinário em cães. Animais castrados tem um risco maior de 2-4 vezes de desenvolverem a doença do que animais não-castrados. No entanto, a relação causa e feito não foi bem definida, e este tipo de tumor em cães é reportado como somente 1% dos casos de todos os tumores malignos. 

Tumores testiculares aparecem como 90% dos tipos de câncer do sistema reprodutor masculino. Apesar de muitos fatores podem ser responsáveis por seu aparecimento, o criptorquismo ( uma falha em que o testículo não desce para a bolsa escrotal, permanecendo na cavidade abdominal ) é o maior fator de contribuição para o aparecimento da doença. 

criptorquismo em cão 

Metástase é considerada baixa para estes tipos de tumores e a castração é, geralmente, a terapia de prevenção e curativa. 

RESULTADOS A LONGO PRAZO 

Muitos estudos tem associado a castração precoce e castração em qualquer idade a várias condições de saúde, no entanto, na maioria das vezes, uma direta relação entre causa e efeito ainda não foi determinada. 

Além disso, muitos dos problemas de saúde apontados, como  o hemangiossarcoma são extremamente raros e influenciado por outros fatores como hereditariedade, raça, idade, dieta, peso e ambiente. Eles também ficam em segundo plano, quando pensarmos nos benefícios que a castração precoce pode trazer ao animal em condições muito mais comuns, como tumores de mama, piometra e neoplasia benigna da próstata. 

Baseado nos conhecimentos atuais, médicos veterinários devem se sentir confortáveis para instruir os tutores de seus pacientes sobre a melhor idade para castrar cães e gatos. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Lidando com preocupações sobre a castração precoce - parte 2

Texto traduzido de: Lidando com preocupações sobre a castração precoce da ASPCA ( maior associação americana de bem estar animal, fundada em 1866 )

OUTROS FATORES DE SAÚDE 

Muita das informações neste texto foram retirados de informações sobre a segurança a longo prazo da castração precoce, de um artigo de 2007, da Drª. Margaret Root Kustritz, médica veterinária especialista em reprodução, na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Minnesota. 

OBESIDADE 

Obesidade é um problema tão comum para cães e gatos que muitas organizações veterinárias e empresas de comidas para pets desenvolvem vários recursos e dietas especiais para ajudar os tutores a reduzir o peso de seus animais. 

A obesidade é influenciada por um grande número de fatores e enquanto alguns veterinários reportam que animais castrados tem uma tendência a ganharam mais peso do que animais não-castrados, isso pode acontecer independentemente da idade em que o animal foi esterilizado. Um estudo publicado em 1991 indica que cães não desenvolvem obesidade se forem castrados precocemente ou logo após os 6 meses. Outro estudo de 1996 mostra que gatos podem ganhar peso independente da idade da castração. 

a obesidade em cães e gatos já é considerada uma epidemia mundial 

Um estudo de 2004 da Cornell*, indica uma diminuição de casos de obesidade em cães machos e fêmeas que foram submetidos à castração precoce, comparado com aqueles esterilizados após os 5 meses de idade. 

Então, podemos concluir que a obesidade é um problema multi-fatorial e não automaticamente uma consequência da castração. Até mesmo um animal não-castrado pode se tornar obeso se não receber uma dieta adequada e sem exercícios. Assim como em seres humanos, má alimentação e ausência de atividade física são os reais culpados. 

CRESCIMENTO 

Muitos veterinários, erroneamente, acreditam que a castração precoce irá prejudicar o crescimento dos animais. Essa preocupação foi refutada em vários estudos. A remoção da influência dos hormônios sexuais nas placas de crescimento dos ossos longas resulta em um atraso no fechamento das mesmas, ou seja, os ossos, na verdade, ficam mais longos. 

No entanto, até o momento.  não há significância clinica na diferença de tamanho destes animais. 

RUPTURA DO LIGAMENTO CRANIAL CRUZADO 

A incidência reportada de ruptura de ligamento cranial cruzado em cães é de cerca de 1.8%  e é mais reportado em cães machos e fêmeas castrados do que não-castrados. 

A relação entre causa e efeito ainda não é definida, mas além da suspeita de influência hormonal, hereditariedade, peso e condição corpórea no geral também possuem um peso neste tipo de problema. 

Mais pesquisas sobre o assunto são necessárias. 

DISPLASIA COXOFEMURAL 

A incidência reportada de displasia coxofemural é de 1.7%, com números mais significativos em raças de cães grandes e gigantes. A displasia coxofemural é uma condição hereditária, afetada pelo manejo ambiental do cão, assim como dieta. 

Estudos de longo prazo observam a incidência de displasia em cães e associação da doença com a castração precoce. 

estágios da displasia coxofemural 

Em um longo estudo da Cornell, filhotes submetidos à castração precoce antes dos 5.5 meses de idade tiveram um aumento na incidência de displasia.  No entanto, achados adicionais indicaram que cães que foram castrados aos 6 meses de idade eram 3 vezes mais propensos a serem eutanasiados por causa da displasia do que os cães castrados precocemente. 

Os autores sugerem que a castração precoce pode estar associada  a um tipo menos severo de displasia coxofemural. 

COMPORTAMENTO 

Os efeitos da castração precoce são amplamente desconhecimentos. 
A castração e subsequente diminuição nos hormônios sexuais tem sido co-relacionados com a diminuição de dimorfismo sexual entre machos e fêmeas. 

A castração, em qualquer idade, reduz o hábito dos machos de demarcar território com urina, fugas e brigas com outros machos em competição por fêmeas no cio, fazendo deles, animais de companhia mais desejáveis. 

Além disso, a treinabilidade de animais de trabalho não é alterada com a castração e não sofre variação com a idade em que o animal é esterilizado. 

a grande maioria dos cães de serviço são castrados 

Um estudo da Cornell com cães castrados antes dos 5.5 meses indicou um aumento de sensibilidade por sons, diminuição de comportamentos sexuais, fugas, ansiedade por separação e marcação de território com urina quando assustados. 

No entanto, o estudo HOWE, em 2001, mostrou que não havia diferença na incidência de problemas comportamentais de uma maneira geral ou especifica na castração precoce e castração tradicional. 

Vários estudos mostraram um aumento de agressividade em uma raça especifica de cão e reatividade após a esterilização destas fêmeas durante o cio. A causa exata dessa tendência permanece desconhecida. 

HART, 2001, reportou uma diminuição progressiva de função cognitiva em machos não-castrados em comparação com machos castrados, mas a amostra desse estudo era muito pequena e sem relação com a castração precoce. 

Existem novas evidências que animais castrados, independentemente das 7 semanas ou 7 meses, são mais ativos e animados e que gatos, machos e fêmeas, se tornam mais carinhosos do que os animais não-castrados, mas essa é uma observação subjetiva. 

Mais pesquisas para explorar o impacto da castração no comportamento dos animais ainda são necessárias. 

DOENÇA DO TRATO URINÁRIO

Apesar de alguns veterinários continuarem a acreditar que a castração precoce contribui para um maior número de obstruções urinárias nos gatos machos, esse não é o caso. Estudos feitos em gatos machos para determinar a incidência de obstruções do trato urinário em populações de animais não-castrados e castrados e não foram encontradas co-relações entre a idade da esterilização e incidência da doença. 

Foi descoberto que não há variação do diâmetro da uretra peniana em gatos não-castrados ou felinos castrados com 7 semanas ou 7 meses. 


INCONTINÊNCIA URINÁRIA 

Incontinência urinária responsiva ao estrogênio, atualmente conhecida como Incompetência do Mecanismo Esfincter Uretral ( ou, simplificadamente, a inabilidade de controlar urina ), é comum em fêmeas castradas, independente da idade em que foram esterilizadas. 

No entanto, um estudo da Cornell indicou que há um significante aumento do risco de incontinência urinária para cadelas castradas antes das 12 semanas de idade, apesar de outros fatores também influenciarem o desenvolvimento do problema, como idade, obesidade e raça. 

Cadelas idosas e não-castradas irão apresentar incontinência como resultado da diminuição do estrogênio circulante, que tem efeito no esfincter uretral externo. Incontinência pode aparecer logo após a cirurgia de castração, anos após ou nunca. 

É necessário mais pesquisa sobre o assunto. O estudo da Texas A&M não mostrou aumento de risco e outro estudo de 1992 mostrou uma maior incidência de incontinência urinária em fêmeas castradas após o primeiro cio. 

*Cornell University College of Veterinary Medicine